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Por que Kendrick Lamar é o artista mais relevante da atualidade

Quase 1 ano depois do lançamento de “To Pimp a Butterfly” – o maior testamento do hip-hop no século XXI, falamos aqui – Kendrick realizou na noite de ontem do Grammy uma das apresentações mais contundentes que o prêmio já viu, além de levar cinco deles pra casa. Apresentado por Don Cheadle (que encarnou Miles Davis em cinebiografia a ser lançada no BR), que disse: “Miles uma vez disse que você tem que tocar um longo tempo para tocar como você mesmo. Com seu álbum “good kid, m.A.A.d city”, colocou um desafio enorme em cima de si. Mas o que ele produziu depois foi um outro passo enorme adiante: um álbum que incorpora jazz, funk, soul e pura poesia em uma verdadeira obra-prima do hip-hop. Deixe-o falar por si mesmo, como só ele pode”.

Acorrentado e vestido de presidiário, junto com a banda e equipe de palco, Lamar fez uma crítica direta a repressão policial na América, o racismo institucional e todos os movimentos negros recentes (Black Lives Matter e a brutalidade policial contra jovens negros, como Eric Garner) que ele encarna com maestria. “The Blacker The Berry”, que inicia o medley, é uma das melhores e mais incisivas de TPAB:

I’m African-American, I’m African / I’m black as the moon, heritage of a small village / Pardon my residence / Came from the bottom of mankind / My hair is nappy, my dick is big, my nose is round and wide / You hate me don’t you? / You hate my people, your plan is to terminate my culture / You’re fuckin’ evil I want you to recognize that I’m a proud monkey / You vandalize my perception but can’t take style from me / You sabotage my community, makin’ a killin’ / You made me a killer, emancipation of a real nigga

compton2

“Alright”, na sequencia, dispensa apresentações. Encerrando o set com uma música nova (espetacular, com o que parece ser o sax fenomenal de Kamasi Washington de apoio mais uma vez e o baixo fora de série de Thundercat) e o mapa da África com a palavra Compton (de onde Lamar e tantos outros nomes do hip-hop vieram), Kendrick mostra porque merece todos os elogios – pela música, pelas letras e pelo ativismo – que To Pimp a Butterfly representa e tudo que ele fez depois, culminando nesta apresentação histórica no Grammy.

Não existe artista mais relevante no mundo hoje do que ele.

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "11 Rounds" (contos) e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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Published in Destaques Mundo