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Cambriana ao vivo: o familiar bem feito

Por algum motivo, passei quase batido pelo Cambriana em 2012: ouvi umas duas músicas e não fui atrás do disco, “House Of Tolerance”, bem elogiado entre os comparsas por aí. Minha expectativa para o show dos caras (tem também uma mina na bateria, diga-se, Heloísa) era quase neutra. E que bom é chegar praticamente cru no show de uma banda hoje em dia.

Tocar no Picnik, festa sazonal em Brasília, no gramado da Funarte, para um público alternativo e ao ar livre, é como jogar em casa para o Cambriana. E assim que as melodias familiares e bem construídas do grupo começaram a soar, você se vê envolvido em canções que são bem convidativas ao ouvido, que você já conhece antes, de algum lugar. Muitos, aliás.

Grizzly Bear, Radiohead, brit-pop fofo em geral, um tantinho dessa psicodelia moderna, Fleet Foxes, The National e por aí afora. Ao mesmo tempo que as referências são inevitáveis, você lembra que não há nenhuma banda no Brasil capaz de fazer esse tipo de som com essa qualidade, essa categoria, tão redondinho, tão bom de se ouvir, que funciona perfeitamente bem ao vivo.

httpv://www.youtube.com/watch?v=YKI7gMnZJ4o

Luís Calil, vocalista, guitarrista e principal compositor, o “mastermind” do Cambriana, deve se orgulhar do que conseguiu fazer até aqui. “Vegas” foi exigida pelo público, “Astray” foi um convite para cantar junto, “Safe Rock” e “Big Fish” empolgam com sua beleza e texturas bem encaixadas.

“The Sad Facts”, o “hit” do grupo, tem todo potencial para ser “hit” no meio alternativo do mundo todo. É canção de gente grande, no mesmo nível das melhores faixas das próprias referências do grupo. E realmente não cabe síndrome de vira-lata para o Cambriana: o grupo é bem maduro e coeso tanto em estúdio como ao vivo, ainda mais pelo pouquíssimo tempo de estrada.

httpv://www.youtube.com/watch?v=efCb8jgQkjc

“Worker”, o mini-álbum lançado em 2013, comprova a evolução do quinteto. Com um show curto, mas memorável, o Cambriana tem tudo para continuar fazendo bem bonito no que se propõe.

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Para saber mais sobre o Cambriana: entrevista de 2012 do chapa Marcelo Santiago com Luís Calil

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "Meu Mundo é Hoje" e "11 Rounds", de contos e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

Published in Reviews de Shows