That's All Folk!

Sobre a música fervida nos caldos da tradição.

A música de Albion: A dança morris!

Posted By tiago on 9 de março de 2010

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Folks para iniciar nossa visita a velha Albion vamos de um longo texto sobre a dança morris que escrevi para a difunta coluna That’s All Folk! num conhecido site de rock  (música folclórica foi infelizmente muito “true” para o site hehe).

Quando ouvimos o termo ‘música tradicional inglesa’ o que nos vem à mente são os Beatles, o The Who, Black Sabbath, o Iron Maiden ou o Napalm Death! No entanto, antes dos Beatles, e vejam só, ainda antes de Hank Marvin e dos Shadows, havia música na Inglaterra, e  havia Morris Dancing: grupos de homens e mulheres que se vestiam como bestas (mas não eram membros do Gwar), que pintavam o rosto  (mas não eram black metal), que dançavam com espadas (mas não eram fãs do Manowar), e que se vestiam com trapos coloridos (mas não eram membros do Poison!).

Pois então nada mais justo que fazer justiça à divertida música ‘verdadeiramente tradicional’ da velha Albion, mais especificamente da tradição, ainda bastante presente, da dança Morris!

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As origens da dança Morris.

Traçar as origens de qualquer tradição popular é sempre uma tarefa difícil, visto que a tradição popular não é algo que tem início com uma petição, uma cerimônia ou uma festa de inauguração, mas se trata de algo que fermenta lentamente, de geração em geração até que faça, por fim, parte da memória e dos costumes de certo povo. Tratar das origens da dança Morris não é diferente, e segundo os estudiosos, a verdade é que a gênese, de fato, desta tradição se encontra perdida nas brumas do tempo.

Os primeiros registros da dança Morris nos remetem, na entanto, aos séculos XVI e XVII, ao chamado período Elisabetano da Inglaterra, em que foram encontrados documentos (como os ‘artigos de visitação’ a que eram encarregados de redigir os bispos) mencionando as danças com espadas e as mímicas, características da dança Morris.

Neste mesmo período se encontram também os primeiros registros da designação Morys (mais tarde Morris), designação que, segundo alguns, tem origem no francês mourisque (que significa simplesmente dança) e que, segundo outros, provém da península Ibérica, se referindo a uma dança da região espanhola das Astúrias, que comemorava a retomada de parte da península Ibérica do domínio dos mouros.

Uma ocasião muito curiosa em que a dança ( e consequentemente a música) Morris aparece na história da Inglaterra, é quando no final do século XVI, por ocasião de um festejo, um famosos ator do teatro Shakespeariano, chamado William Kemp, percorreu a estrada de Londres a Norwich, por volta de 200kms, dançando Morris, chamando a atenção dos vilarejos em que passava!

Declínio e Retomada.

A tradição da dança e da música Morris continuou presente na velha Albion até que no século XIX devido ao advento da revolução industrial, e o conseqüente regime de trabalho quase escravo a que eram submetidos os azarados proletários pioneiros, a tradição Morris foi definhando, aparecendo em registros apenas em ocasiões especificas, como o Jubileu de Ouro  da Rainha Vitória em 1882 (Aliás, se vocês recordam, na mesma festa, só que de outra rainha, no Jubileu de Ouro da Rainha Elizabeth, quem tocou foi o Brian Wilson e o Queen de Brian May!)

O renascimento da tradição Morris no início do século XX deve em quase sua totalidade ao trabalho de um único cara, chamado Cecil Sharp, que andava pelas vilarejos coletando danças e melodias. Coletas estas que resultaram em dois importantes livros: Morris Book One e Two.

Outro episódio interessante na história da dança Morris foi seu envolvimento com o movimento feminista no inicio do século XX. Liderados pela sufregette Mary Neal, foi criado, no inicio do século, uma associação voltado ao lazer das mulheres, e um dos lances de Mary Neal foi ir atrás de Cecil Sharp para pedir alguns registros de dança Morris feminina…e assim re-nasceu um dos primeiros grupos de dança Morris no século XX!

Os estilos

Apesar das dimensões bastante reduzidas (para nós brasileiros) do território inglês, existem vários estilos de danças oriundos de distintos regiões do país. Eis aí os principais estilos:

Cotswold Morris: O Morris de Cotswold, oriundo da região dos condados de Gloucester e Oxford, é o estilo mais disseminado de Morris. Ele é dançado em grupos (ou times) de quatro ou seis integrantes, geralmente com lenços ou bastões ( paus ou porretes, se preferirem) nas mãos, assim como, em muitos dos casos, os indefectíveis sinos amarrados nas canelas! A característica principal do Morris Cotswald é o uso de movimentos com as mãos.

Northwest Morris: Como o nome entrega, este se trata de um Morris da região noroeste da Inglaterra, da região da Cumbria, e ele se caracteriza pelo uso dos clogs, ou os tamancos, que são usados como percussão. O Northwest é um estilo mais marcial e correto da dança Morris.

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Border Morris: Este é o estilo que mais gosto de Morris! Oriunda da fronteira com o País de Gales, daí border (ou fronteira), se trata de um estilo mais livre, energético e barulhento de Morris. No Border Morris os músicos, dançarinos, mímicos e palhaços usam, geralmente, a tradicional pintura preta  nos rostos.

Longsword: Este é o nome dado à dança com espadas oriunda da região de Yorkshire e Durham, norte da Inglaterra.

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Rapper: Não, não se trata de Morris com rimas! Na verdade rapper é o estilo mais acrobático de dança Morris, em que os dançarinos, utilizando espadas flexíveis de metal, se entrelaçam e giram como dervixes, ‘desenhando’ formas com as espadas. Rapper é um estilo do Norte da Inglaterra, ou da região da Northumbria.

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A música Morris e seus instrumentos.

As melodias que acompanham as danças Morris podem ser tanto melodias antigas, dos tempos que antecedem a era elisabetana, quanto melodias oriundas do século XVIII E XIX. Um ritmo bastante utilizado pela música Morris é o 6/8, o ritmo de boa parte das jigs, comum nas música tradicional irlandesa e escocesa, mas tocada de maneira distinta pelos ingleses.

No início a dança Morris era acompanha apenas pelo que os ingleses chamam de ‘pipe and tabor’, flauta e tambor, em que um indivíduo com uma das mãos tocava uma flauta de três furos e com a outra tocava, ao mesmo tempo, um tambor. Mais tarde o ‘pipe and tabor’ foi, em grande medida, substituído pelo violino, e também, por vezes, por uma banda de metais. No século XX foi introduzido em grande escala na música Morris o onipresente melodeon, uma espécie de acordeão, hoje uma das marcas registradas na música Morris.

Acrescente isto à percussão que provém dos bastões, sinos e pisadas dos dançarinos, e temos aí uma primeira imagem da música Morris!

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Ashley Hutchings e a Albion Band: Morris goes Rockin’!

Para finalizar a matéria não poderia deixar de mencionar outro dos grandes responsáveis pelo ressurgimento da dança Morris e do folclore inglês como um todo, o legendário Ashley Hutchings.

Hutchings foi, e ainda é, a figura central do folk-rock britânico, o cara participou da fundação dos pilares do gênero, o Steeleye Span, o Fairport Convention, da Albion Band e ainda achou tempo para descobrir em um pub londrino o enorme talento de Nick Drake.

Li em algum lugar (que infelizmente esqueci) alguém (que infelizmente também não me lembro) comentando que Ashley Hutchings possivelmente gravou todas as músicas do folclore inglês, o que, considerando o número de álbuns que o cara gravou (incluindo sua séria ‘Morris On’, ‘Filho de Morris On’, ‘Neto de Morris On’ e ‘Bisneto de Morris On’!), bem que é possível!

O destaque, para mim, do trabalho do ‘governador’ Hutchings são os três primeiros álbuns da Albion Band (ou da Albion Dance, ou Country, Band): ‘Battle Of Field’ (de 73, mas lançado somente em 76), ‘The Prospect Before Us’ (de 76) e o maravilhoso ‘Rise Up Like The Sun’ (de 78). Nestes ‘plays’ a Albion Band desloca a centralidade que a música irlandesa e escocesa possui na maioria das bandas de folk-rock da Inglaterra, para direcionar o rock ao coração da música inglesa ‘de fato’. O resultado disto são clássicos do folk-rock, uma das melhores gravações de Morris…e ‘plays’ que ouvintes, seja de folk-metal, seja de folk-rock, seja do que for, não podem deixar de ouvir!

E por hora só nos resta dizer como diria o ‘governador’ Hutchings: Morris On!!!

Videos de Morris Dancing:

Rapper (no rhymes hehe):


Border Morris:

Costwold Morris:


Longsword Morris:


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A música de Albion: Introdução.

Posted By tiago on 9 de março de 2010

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Conforme os resultados de nosso emocionante votação hehe (muito obrigado aqueles que votaram!) tem início o que possivelmente será o último ciclo de posts deste blog neste ano  – seu autor irá, em Maio, fazer companhia aos imigrantes desempregados na Irlanda (certo pelo menos de que boa música não vai faltar) e só volta em meados de 2011

Teremos um ciclo que irá consistir de uma visita à música da velha Albion, da Ilha em que se localiza tanto a Inglaterra, quanto a Escócia e o País de Gales.

Se por um lado há a má noticia de que este é o último ciclo, ao menos do ano, a boa noticia é que ele será um ciclo bem extenso c[:0) : Inicio com um longo texto sobre a Morris Dancing, passo pela música tradicional de diversas regiões da Inglaterra, pelos grandes artistas desta tradição assim como pelo folk-rock dos anos setenta. Em seguida tratamos da música do País de Gales, e por fim a diversas faces da música escocesa. Terminaos creio que em meados de Abril- ou até mais tarde.

Esperam que curtam a viagem…

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Escolham nosso próximo destino!!!

Posted By tiago on 26 de fevereiro de 2010

Fim da Caravana Roma…novo ciclo de posts no blog!

Montei as opções abaixo pensando naquilo que estaria a fim de ouvir e escrever a respeito agora. Me interesso, no momento, pelas três opções igualmente. “So” escolham…mais um mês de viagem musical pela frente!

Não deixem de ver os videos logo abaixo! A votação termina quando computarmos 30 votos, ou quando algumas das opções ganhar o páreo tendo este número em vista.

Os candidatos

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a)      Escócia, Inglaterra e Gales! Bandas de gaitas-de-fole da Escócia; bandas clássicas da Escócia (como os Tannahill Weavers acima) e Gales: a harpa galesa. A Inglaterra e a morris dancin’ – O folk rock inglês dos anos 70. E mais.

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b)      Música dos EUA: O Bluegrass, Woodie Guthrie, Hank Williams, Música Tejana, a polca estadunidense, as origens do blues, a música cajun e o zydeco. E mais.

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c)      América Hispânica. Argentina (chacarera; tango; música da patagônia). Uruguai (o tango uruguaio; a murga). Chile (o Inti-Illimani; a cueca (sim cueca!rs.) ). Bolívia, Peru, Venuzuela, Mexico. E mais.

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Próximo destino. Opção A. Inglaterra , Escócia e Gales.

Posted By tiago on 26 de fevereiro de 2010

Carreg Lafar do país de Gales:

Os clássicos escoceses do Tannahill Weavers.

Morris Dancing na Inglaterra:

Fairport Convention, clássicos do folk-rock inglês. ‘Crazy Man Michael’ é talvez minha canção preferida entre todas!

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Próximo destino. Opção B. A música dos EUA.

Posted By tiago on 26 de fevereiro de 2010

O mestre do banjo bluegrass Earl Scruggs:

Tejaaanos..os Texas Tornados (eu adoro esta banda :0) ). Hey baby que paso? hehe

Meus cajuns favoritos do Beausoleil (sim nos EUA se fala espanhol e francês somente! hehe)

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Próximo destino: Videos. Opção C: A América Hispânica.

Posted By tiago on 26 de fevereiro de 2010

A chacarera argentina com os clássicos Los Chalchaleros:

Os mestres do Chile Inti-Illimani:

A excelente musica harocha (a verdadeira La Bamba!) com os mexicanos Tlen Huicani.

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Fim de jornada em nossa Caravana Roma: O Flamenco.

Posted By tiago on 23 de fevereiro de 2010

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Para o fim de nosso percurso junto à música cigana, ficamos com o flamenco, a famosa tradição musical e coreográfica que tem origem no sul da Espanha.

Como esta Caravana Roma não consiste de um ciclo de posts sobre a música espanhola (e é bem possível que tenhamos um ciclo sobre a música da Espanha) não vou me estender muito por aqui. Cabe , no entanto, apontarmos a relação do flamenco com os ciganos.

De fato, a imagens dos ciganos no ocidente tem sido bastante vinculada  em conjunto com o flamenco.  A imagem arquetípica do cigano e, sobretudo, da mulher cigana mais comum por aqui é de uma pessoa vestida com trajes tradicionais do flamenco, não é?

Não é certamente sem motivos que é assim. O flamenco é, de fato, um caldeirão de influências: influências mouras (na utilização do violão, por exemplo), judaicas, dos espânicos da América (dizem alguns) e também ciganas (ou gitanasgitanos é o termo usualmente utilizados para os roma na Espanha) – um dos ritmos do flamenco é, por exemplo, denominado gitanas (faixa 1 do CD disponível).

O flamenco é mais um exemplo de como os romas se inserem na cultura, e em especial na música, dos países onde habitam e ganham um lugar de destaque no interior dela, além de deixar suas próprios rastros.

Para ilustrar o canto do cisne de nossa Caravana Roma fica para baixar uma excelente coletânea que consiste de dois CDs chamada “Best of Gypsy Flamenco from Andalusia”. Ela consiste de uma compilação de flamenco voltado a grupos ciganos – não se trata de algo essencialmente diferente de qualquer outro flamenco “não cigano” (afinal o gênero é uma construção coletiva dos povos que se estabeleceram no sul da Espanha), mas o fato é que o gênero está muito bem representado musicalmente nestes CDs – nada de Gypsy Kings (nada contra eles – mas este blog prefere a música mais próxima a tradição :0) ) mas muitas bulerias (um dos palos – ou ritmos do flamenco), sevillanas,alegrias, fandangos (não o do Paraná!!!:0) ) e malagas muito bem tocadas e cantadas!

Confiram: Best of Gypsy Flamenco from Andalusia 2 CDs

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