Apresentação completa do excelente grupo da República de Tuva (uma divisão federal da Federação Russa), Huun-Huur-Tu. O grupo já tocou com os Chietftains e Frank Zappa era um grande fã. Outro tesouro escondido no You Tube!

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O tradutor do google anda bem engraçadinho atualmente , já notaram? Traduz, por exemplo, Armandinho por Aerosmith (?!?). E a útil expressão ‘’encher linguiça’’ em alemão virou Füllstoff,  que e’, certamente, um nome bem legal para esta nova seção do blog em que posto (entre outras coisas) vídeos disponíveis no You Tube (sobretudo aproveitando o fato de hoje ser possível postar shows inteiros)

Vai ai’ uma boa dica (aproveitem enquanto esta online!): Um show (quase?) completo do Vartinna, grupo finlandês que interpreta (e reinventa) de maneira contemporânea, mas sem soar comercial ou notavelmente palatável, a tradição musical finlandesa. Vale guardar uma tarde, ou noite, ou manha, entediante para assistir!

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Eu acho que dentre todas as vantagens que motivam alguém a escrever um blog a mais legal delas e’ o potencial que este site pode ter de nos aproximar de pessoas com quem partilhamos gostos, valores e etc.

Quando, faz por volta de um ano meio, comecei a escrever este blog, jamais imaginei que iria encontrar os adoráveis ‘folks’ que conheci por aqui pessoalmente. Tanto menos na Irlanda! Tanto menos tocando musica irlandesa na Irlanda!

Contudo, foi o que ocorreu (jolly world!) e no Brasil Celtic Festival, dia 3/11 de 2011, pude conferir a musica dos colegas do Café Irlanda, assim como a musica do excelente grupo Agua Negra (em que toca o amigo Tabhair Rios, ou Vitor Dom Lamh?), sem contar a apresentação do grande virtuose do bandolim, Armandinho Macedo!

Foi excelente cantar na plateia os standarts do cancioneiro irlandês (como Wild Rover ou Whiskey In Jar) em conjunto com os compatriotas do Café Irlanda! Eles certamente (sem deixarem de ser brasileiros) fizeram justiça ‘a musica irlandesa na terra natal ”da musica”.


Igualmente bom foi o show do Agua Negra (foto). Grupo que contou nesta apresentação em Dublim (aguardem as novidades!) com o fiddler, alemão-irlandês-brasileiro, Martin Kraut, Vitor Rios no bouzouki e bandolim, Humberto Monteiro Fernandez na bateria e percussão e um tocador de bodhran que não tenho o nome em mãos (N. do. B.: Kevin Larkin) – mas que e’ muito competente, como são os demais integrantes do grupo!

O Agua Negra, ao contrario do Café Irlanda, não investe no cancioneiro, mas exclusivamente nos sets instrumentais, em que eles mesclam, muito bem, elementos brasileiros (sobretudo do Nordeste, visto que o grupo e’ de Salvador) com a tradição irlandesa. E no que fazem eles não estão, de forma alguma, abaixo do que se ouve nas melhores praças dublinenses! Ouçam o grupo, contando com a participacao de Armandinho, e comprovem!



E então a Inglaterra! Escrevi bastante sobre a musica folk inglesa por aqui e continuarei escrevendo o quanto puder, pois e’ uma tradição belíssima, que esta se renovando como poucas, mas que e’ pouco exportada.

No final de Novembro tomei um voo (que me custou por volta de 40 euros ida e volta; e’ bastante barato viajar pela Europa) para o aeroporto de Leeds/Bradford a fim de conferir o festival Raise Your Banners que ocorre a cada dois anos na cidade de Bradford. Trata-se de um festival voltado a compositores, interpretes e palestrantes engajados politicamente. E dentro do espectro politico trata-se de um festival SOCIALISTA (com letras maiúsculas, como escreve no programa do festival seu patrono, nosso conhecido, Roy Bailey).

Como uma espécie de introdução ao festival pude conferir em um clube de folk da região (o Topic Club) um dos gigantes da musica inglesa: Martin Carthy. Apenas voz e violão e diversas (e belíssimas!) baladas!


No intervalo entres as duas partes da apresentação (entre uma ale e outra! E eu adoro as cask ales inglesas!) pude trocar algumas palavras com Martin Carthy! Ele não entendeu nada do que eu disse!  E acho que também não entendi o que ele disse, visto que ele disse (pelo que entendi!) que ele jamais havia tocado no Steeleye Span (e ele tocou!). Ainda assim foi uma experiência memorável, como foi o show integralmente (que contou também com a participação de ótimos compositores locais – incluindo um Sr. que tocou uma ótima canção baseada em um poema de Heinrich Heine!).

O fato e’ que quando escrevia para o Whiplash sobre folk-rock inglês (faz já uma década!) jamais imaginei que veria figuras como Martin Carthy em carne e osso (no caso de Martin, e’ verdade, mais ossos…)!

E então, no dia seguinte, o festival propriamente dito.  No dia anterior, no Topic Club, a organização do Raise Your Banners havia requisitado a contribuição de alguns voluntários para ajudar na organização do festival. Então lá fui eu! Ate que vi as deliciosas cask ales a venda no saguão… perderam um voluntario! Não que, os bastante amáveis, organizadores tivessem se importado com a ausência do improvável brasileiro.

E no saguão do Kala Sangan Hall (Carl Sagan Hall em indiano?), onde ocorreu o festival, encontrei novamente Roy Bailey, correndo feito o coelho de Lewis Carrol! E novamente tive o prazer de assistir a apresentação do grande sujeito! Além de, antes de sua apresentação, manter o tipo de conversações improváveis que adoro manter: Como aquela que mantive com um casal de idosos de Birmingham a respeito das bandas desta cidade que cresci ouvindo: Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple!

No festival ouvi também os competentes Hall Brothers com a participação da (interessante!) cantora Michelle Plum.


Por fim, pude ouvir outros dos gigantes da musica inglesa: John Tams (ex-Muckram Wakes e Albion Band), acompanhado do, não menos competente, Barry Coope.


No final da apresentação vi alguns CDs à venda e, seguindo a recomendação de um dos adoráveis organizadores, adquiri um disco chamado Alright Jack da banda Home Service, em que tocou, e ainda toca, John Tams. Menciono o fato pois quando cheguei em casa (isto e’, do outro lado do mar da Irlanda…) fiquei de queixo caído! Excelente disco! A banda conta com uma seção de metais fixa e estende, muitas vezes e sem soar ‘pedante’, a estrutura das canções tradicionais para muito além do obvio! Um dos melhores discos do folk-rock inglês, sem duvida alguma! Confiram esta faixa abaixo e tentem manter suas mandibulas grudadas ao cranio!



Esperem por mais desventuras soporíferas (?) e, logo mais, um novo ”ciclo” como nos ‘good ol’ times’.

Cheers!

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24
dez

Bem-vindos de volta!

   Posted by: tiago   in xSem categoriax

calvin_hobbes_christmas_1 ”A melhor decoração de Natal de todos os tempos???”

Aproveitando a onda natalina resolvi presentear a mim mesmo, e os velhinhos e velinhas que por um acaso gostavam deste blog, com o retorno ao trabalho por aqui!

Como os colegas e amigos provavelmente já sabem, estou morando (não sei ao certo por quanto tempo) na Irlanda; o que significa estórias para contar e não muitos discos para compartilhar. Espero que gostem de estórias – mais do que baixar centenas de CDs!

Mas não se preocupem, haverá CDs!

Devo falar da Irlanda. Por onde começar? Talvez pela seisiun na sede do Comhaltas Ceoltóirí Éireann em Monkstown (sul de Dublin) que vi e ouvi no mesmo dia em que cheguei. O Comhaltas (pronuncia-se coutas), uma instituição publica com centros espalhados por toda Irlanda, e’ o principal pólo de divulgação da cultura ‘’tradicional’’ irlandesa, sobretudo a música e a dança. Não esperem ouvir versões irlandesas de canções dos Beatles por lá. O Comhaltas e’, em geral, o lugar para ouvir a música tradicional como era tocada no início do século XX, antes da Bothy Band, antes dos Chieftains. Famílias tocam juntas no pub que fica neste centro cultural em Monkstown que e’, certamente, meu lugar favorito para ouvir musica em Dublin! As mencionadas seisiuns, que não são sessions, mas apresentações, ocorrem todos os verões em todas as filias do Comhaltas. Nestas apresentações temos a ‘nata’ dos músicos e dançarinos e dançarinas ligado ‘a instituição.

Foi uma grande honra assistir a apresentação – com excelentes harpistas, uileann pipers etc. – ainda que a exaustão tenha me levado a quase ser carregado de ambulância de volta para ‘’casa’’ (e eu só havia ‘’entornado’’ uma xicara de chá!).

De lá para cá (Agosto – Dezembro) frequentei diversas das sessions (além das seisiuns…) no Comhaltas de Monktown, e continuarei a frequentar sempre que puder. Lovely (os irlandeses adoram a palavra lovely – e eu também!) place…

A propósito, um musico bastante especial que frequenta as sessions do Comhaltas e’ um acordeonista, que aparenta (espero estar correto…) algo em torno de noventa anos de idade, chamado Arthur. Depois de ouvi-lo tocar decidi denomina-lo ‘’o James Joyce do acordeão irlandês’’! Valsas que em geral duram um par de minutos se transformam em digressões progressivas de sete minutos em suas mãos. Bastante…peculiar… e claro… lovely!

Termino esta sessão de causos (haverá muitas outras) escrevendo sobre o Beamish Folk Festival em Cork.

O BFF, que ocorreu no final de Setembro, foi onde tive o grande prazer de ouvir alguns dos ‘’gigantes’’ da musica irlandesa como o piper Paddy Keenan. O Hendrix da gaita? Foi a impressão que tive ouvindo aquilo que Keenan fazia com as tunes (que, alias, Keenan, como todo bom gaiteiro, jamais recordava o nome…) que tocava.


Como abertura ao concerto de Keenan ouvi ainda uma cantora que me impressionou bastante chamada Jenna Nichols. Algo no estilo Kate Bush ou Martha Wainwright, portanto nada tradicional, mas que vale ouvir: http://www.myspace.com/jennanicholls

Outros dos grandes da musica irlandesa que ouvi em Cork (que não e’ mais bela das cidades, mas e’ uma cidade cheia de musica e eventos!) foi o Lunasa. Ok, e’ oposto do que ouço, e adoro, em Monkstown, mas e’ evidente a enorme destreza técnica dos músicos; não e’ o que se toca e ouve ao lado de uma lareira tomando chá ou uma stout, como prefiro, mas e’ inegavelmente excelente!


Outros dos eventos que tive o prazer de presenciar foi o tributo a Sean O Riada. O Riada (escrevi sobre o sujeito nos halcyon days deste blog!) foi professor na Universidade de Cork, ou seja, muitos dos conhecidos do sujeito (para mim o maior da musica irlandesa!) estavam por lá; incluindo seu filho, que tocou concertina com Mícheál O Súilleabhain (um aluno e colega de O Riada) e Mel Mercier num interessante tributo ao mestre!


Ainda melhor, contudo, que o tributo oficial levado a cabo por Mícheál O Súilleabhain foi, ao meu ver, ouvir um dos colegas de Sean O Riada, um uileann piper chamado Tomás Ó Canainn. Tomas conhecia O Riada muito bem e contou diversos dos causos de O Riada, além de tocar tunes conhecidas pelos arranjos da Ceoltoiri Cualann.

A biblioteca municipal de Cork, onde ocorreu o recital de Tomas, merece, alias, um paragrafo a parte, pois se trata, sem duvida, da biblioteca mais ‘cool’ que já visitei. Enumeremos os motivos: 1- Há um busto de Sean O Riada na biblioteca; 2- Há uma replica da Fender Strato bege de Rory Gallagher (que cresceu em Cork) na biblioteca. 3 – Há outra guitarra assinada por nomes como Cozy Powell, Yngwie Malmsteen e Jack Bruce na biblioteca (!?!?). 4- Há uma biblioteca de CDs e DVDs no interior da biblioteca; incluindo, além de uma seção excelente de musica tradicional irlandesa, uma ótima seção dedicada ao rock e ao metal! 5 – Last but not least, pois além do gaiteiro amigo de Sean O Riada, Roy Bailey tocou na biblioteca!

Sim, meu cantor favorito (e hoje posso dizer também um dos meus seres humanos favoritos!) o inglês Roy Bailey tocou na Biblioteca de Cork em uma apresentação (lovely!) para crianças! Eu adoro paradoxos e ver um cantor ateu e socialista realizar uma apresentação adorável para crianças e’ certamente um glorioso exemplo! Mais tarde no mesmo dia, além de poder conversar com Roy, que se mostrou dono de uma enorme gentileza, pude assistir a não menos excelente apresentação dedicada aos ‘chatos adultos’. E o fato e’ que, no alto de seus setenta e seis anos, Roy ainda coloca a maioria dos jovens no chinelo…

Ainda há muitos causos a serem contados. Mas por hoje e so’ pessoal! Feliz (como diria Roy Bailey…) Solstício de Inverno!! E aguardem as novidades!

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DREGNI_3Olá folks, finalmente chegamos ao fim deste ciclo. O fim que infelizmente não será com um “bang”, mas felizmente também não será com um “gemido”. Ou aliás, quase não será, pois falaremos do tango: o, quase sempre, melancólico tango. Tango que, a maioria não sabe, mas nasceu em conjunto em Montivedeo e Buenos Aires, na região da Bacia da Prata e segundo o percurso do rio até cidades como Rosário. O tango que tem como seu pivô instrumental o bandoneom, esta espécie de acordeão ilustrada aí encima, que foi trazida à Bacia da Prata por alemães no século dezenove.

Encontramos, de fato, excelentes bandoneonistas em ambos os lados da Bacia da Prata, e um excelente exemplo de virtuosismo no intrumento, e do tango instrumental, é aquele praticado pelo uruguaio René Maria Rivero.

Fiquem, então, com o excelente álbum: René Maria Rivero – Bandoneom Puro

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alpenhorn

Confesso que conheço  pouco da tradição musical da Suíça, com exceção da música que produzem os famosos Alpenhorns (estes longos instrumentos de sopro). É fácil notar, contudo, que a música da Suíça, ao menos aquela dos alpes, nos remete à música alemã e a música austríaca, muito mais do que a música italiana ou francesa (lembrando que a Suíça é um país que faz fronteira com todos estes citados), o que notamos já nas instrumentos utilizados como o hackbrett ( espécie de saltarello bastante comum na música tradicional austríaca) e o acordeão (tanto utilizado na alemã).

Esteticamente a música da Suíça nos remete à mesma tranquilidade pastoral da música alemã, por exemplo. É interessante notar a quão áspera e “selvagem”, perto destas “tradições germânicas”, nos parece a maior parte da música tradicional de países como a Itália e a França. Isto não por questões técnicas, mas por questão estéticas: há mais “vísceras” na música dos países latinos, se assim podemos dizer.

Mas se vísceras não é exatamente o que você procura na musica tradicional, ouça a bonita música suíça (ou a austríaca e a alemã), visite os alpes através do som de hackbretts e dos solenes alpenhorns.

Temos aqui uma excelente compilação de música dos alpes austríacos a suíços: The Alps – Music From The Old World

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