Archive for outubro, 2009

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Se, como escrevi, a intenção do blog é publicar minhas próprias “pesquisas” musicais (e aqui ‘pesquisas’ vai entre aspas porque estas minhas “pesquisas” são guiadas, antes de tudo, pelo prazer em ouvir boa música: sem pretensões musicológicas por aqui portanto), então, no retorno do That’s All Folk eu vou publicar o que, de fato, estou ouvindo no momento em termos de música tradicional: Vamos dar uma  longa volta pela música tradicional da Irlanda!

Para começar acho que seja bastante conveniente tratar do violino na música irlandesa. E porquê? Porque o violino é, creio que seja tranqüilo dizer, o instrumento central na música irlandesa. Dá para pensar numa session de música irlandesa sem um bodhran, sem acordeão, a até mesmo (os whistlers que me perdoem) sem tin whistle, mas dificilmente dá para pensarmos em uma session, ou em grupo de música tradicional irlandesa, sem ao menos um violino. Sendo assim, é evidente que exista uma porção de violinistas conhecidos, que exista assim os irish fiddle heroes (uma pena que não exista um jogo de playstation a respeito !rs)!

Estive pesquisando, procurando conhecer melhor, a música dos violinistas irlandeses nestes últimos meses. Vou postar três ou quatro comentários aqui a respeito deles começando pelo “heavy, very heavy”: John Doherty.

John Doherty, que nasceu ainda no final do século XIX, é um dos ícones da tradição do violino no condado de Donegal (ao norte da Irlanda, na província de Ulster. Sim, Ulster não se resume à Irlanda do Norte), este condado que viu surgir diversos grandes músicos e bandas (O Clannad, por exemplo, nasceu na cidade de Gweedore em Donegal. A banda Altan também é de Donegal). O estilo do violino de Doherty caracteriza de maneira bastante clara o estilo que se costuma atribuir ao violino tradicional em Donegal. Estilo resumido por Caoimhín Mac Aoidh do site www.irishfiddle.com em uma palavra: agressivo!

O que ouvimos no violino de John Doherty são muitos ataques do arco em stacatto (algo como um ta ta ta ta ta ta) isto em um andamento sensivelmente mais acelerado do que é em geral a música do condado de Sligo (casa de outros grandes violinistas), por exemplo. Como observa outro grande violinista irlandês (aqui) Paddy Glackin os embelezamentos, ou a ornamentação das melodias, do violino de Doherty são feitos, sobretudo, com o próprio arco (com triplets de arco) e raramente existem ornamentos com a mão esquerda (a mão que vai no espelho, ou no braço rs., do violino), como são os rolls (ornamento muito comum na música irlandesa em geral).

Deixando de lado este parte mais prática  creio que seja sensível para qualquer ouvinte reconhecer no violino de Doherty esta sua agressão, este seu estilo “atacado” e heavy!

Continuo escrevendo sobre o violino irlandês, mas o primeiro comentário fica por aqui. Confiram o álbum The Floating Bow de John Doherty clicando aí embaixo.

Doherty CD

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13
out

Below The Radar: Novo Álbum do Roy Bailey

   Posted by: tiago    in xSem categoriax


Outro grande favorito! Roy Bailey é um cantor que desde meados dos anos sessenta, grava e excursiona tocando música tradicional britânica -- sobretudo as músicas tradicionais inglesas que possuem como tema o trabalhador. Roy foi professor de sociologia na Universidade de Sheffield e hoje excursiona também em uma apresentação, misto de palestra e música, com o politico britânico Tony Benn (o cara que aparece falando sobre democracia e o sistema de saúde britânico no filme Sicko do Michel Moore, para termos uma referência).

Neste ano Roy lançou “Below The Radar”. Mais um album excelente e mais uma vez com o mestre John Kirkpatrick o acompanhando na concertina inglesa (espécie de acordeão inglês). O play mescla canções tradicionais como “Road To Dundee” e a conhecida (e irlandesa:) “Handsome Molly” e faixas autorais de compositores como Tom Paxton (compositor muito bom de canções folk -- famoso nos EUA e desconhecido aqui), Leo Rosselson (outro cara talentoso e desconhecido -- autor de canções politicamente, e religiosamente, bastante ácidas) e Jim Page (nada que ver com Led Zeppelin -- este é um interessante compositor de Seattle).

Os músicos que acompanham Roy são excelentes (Andy Cutting no acordeão diatônico é outro destaque), porém no alto de seus setenta e poucos anos a voz de Roy é que preenche o álbum. O cara tem uma voz poderosa e interpreta as letras das canções maravilhosamente bem. É um dos meus cantores favoritos!

Este Below The Radar, assim como todos os seus outros discos, é um exemplo de como algo totalmente desvinculado da indústria cultural, daquilo que está “in”, pode soar fresco e novo…e com a vantagem de não somente soar “novo” –hoje-, mas soar novo sempre, pois a música feita “além do radar”,como sugere Roy, respondendo diretamente aos anseios e necessidades das pessoas, jamais envelhece!

Naveguem no site e ouçam as musicas e, se gostarem, comprem o CD diretamente do cara: www.roybailey.net

No you tube video para Palestine, presente em Below The Radar:

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13
out

The Piping of Patsy Touhey!

   Posted by: tiago    in xSem categoriax

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Ouvir Patsy Touhey é ouvir aquilo que há de mais antigo em termos de gravação da música tradicional irlandesa. Nos surpreende, em um primeiro momento, o fato de Touhey ter vivido quase toda sua vida nos EUA e por lá ter feito sua carreira. Mas foi nos EUA que os músicos irlandeses migrantes da grande fome (Touhey nasceu em 1865, pouco mais de dez anos após a peste que tornou inútil o que era então o objeto de sustento dos estômagos irlandeses: a batata) encontraram um público mais amplo e também foi lá que eles foram inicialmente gravados! (vale lembrar que o violinista Michael Coleman, outro gigante da música tradicional irlandesa nos anos 20, também era radicado nos EUA!)

A especialidade de Touhey, como é possível enxergar na fantástica capa do CD aí em cima , é uma das gaitas-de-foles tradicionais irlandesa, a ‘uilleann pipe’ (uma gaita-de-foles, a despeito da aparência (que me lembram das aulas de desenho geométrico no ginásio hehe), bastante dinâmica e de sonoridade mais doce se comparada às suas semelhantes). Touhey era um verdadeiro showman das uillean pipes (aliás, segundo o Sr. Google, ‘uillean’ pronuncia-se “ilán”) o que lhe rendeu as gravações presentes no CD para baixar aí embaixo – gravações que são dos anos 20 (!!!) pouco tempo antes da morte de Touhey em 1923.

Enjoy! c[:0)

Link para baixar o CD “The Piping of Patsy Touhey”: http://www.megaupload.com/?d=20TGPQUS

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O blog, depois de sua pausa retórica rs., está em uma nova casa, como parte do projeto da revista Movin’ Up do amigo MGA, e o motivo para tanto é essencialmente um: A necessidade de construir uma relação de solidariedade entre redatores na internet. Acho que um dos vícios, um dos que me fazem em larga medida um pessimista com a web (e “com” quero dizer também através dela), é seu impulso ao individualismo. Muitos possuem uma voz na web, isto é inegavelmente positivo. Mas a questão é que ‘uma voz’ é na web sempre a ‘voz de um’, de “gênios” encerrados em suas lâmpadas mágicas. É certo que também vejo com ressalvas a escritura corporativa – que, por dever, suspeito da ‘imprensa’. É então, a meu ver, necessário um caminho intermediário, entre o individualismo ingenuamente pretensioso dos blogs e a exclusão reacionária da imprensa. Talvez uma escrita ‘cooperativa’ seja uma alternativa à escrita ‘corporativa’!

Há um outro ponto que acho importante em relação ao ‘escrever na web’: A web oferece ‘informação’ farta (o banquete inteiro, eu diria rs.), mas a oportunidade de encontrarmos através dela algo que possibilite a formação, ou seja, a informação que não se encerra em si mesma, mas que possibilita ao leitor formar o próprio juízo em relação ao assunto em questão é bastante rara. Não, eu não vou dizer que eu sou capaz de formar alguém neste despretensioso blog!rs. Minha intenção aqui é, na verdade, tornar pública minha própria formação, meu esforço, ou meu franco prazer, em aprender da música tradicional!

Mas chega de problemas! Aproveitem do blog e dos demais blogs dentro do projeto!

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