Archive for dezembro, 2009

Edda

Iniciei todos estes posts sobre as ilhas ao norte de influência escandinava apontando algo da história destas ilhas. Neste post não vou me alongar neste ponto (que ademais possui um texto bastante completo em nosso “De wiki-oráculo”). Creio ser interessante notar aqui o paralelismo da história destas ilhas que tratei até agora, todas elas colonizadas por vikings na época de seu auge no século IX e X (época que, alías, os vikings estiveram em todas as ilhas britânicas, inclusive em lugares muito distantes como o Canadá – sim, Lief Ericson no ano 1000 se tornou o primeiro Europeu a botar os pés na América!). No caso da Islândia a influência britânica, devido à distância, é hoje e durante a história, inexistente (ainda que monges – eles novamente -, segundo relatos, freqüentaram as ilhas alguns séculos antes dos viking e seus barcos high-tech). E importante notarmos também que, ao contrário das Ilhas Faroe, que até hoje pertence à Dinamarca, a Islândia conquistou sua independência em 1944.

Mas falemos de música: Um primeiro fator notado por aqueles que gostam de música tradicional escandinava é que é difícil encontrar gravações de boa música tradicional da ilha: Achamos , de fato, muitos grupos de rock, jazz e derivados (Bjork e Sígur Ros, sendo conhecidos e bons exemplos), já música tradicional muito pouco (e quando achamos se trata muitas vezes de algo um tanto caricaturada, pouco enraizado). Isto nos deixa a impressão de que a música tradicional da Islândia não viu o revival da tradição que ocorreu nos paises escandinavos (e mesmo nas Shetlands, por exemplos)

Um raro exemplo de boa gravação da música tradicional islandesa é o grupo Funi. Grupo que une músicos ingleses como Chris Foster e o grande John Kirkpatrick à cantora islandesa Bára Grímsdóttir. Eles fazem uma fusão entre tradições britânicas e islandesas; fusão, de fato, muito mais voltada à música da Islândia – o Funi utiliza, inclusive, instrumentos tradicionais da ilha, como o Langspil.

Muitas músicas do primeiro álbum do grupo podem ser ouvidas na integra em sua página no myspace.

O play que vou compartilhar logo abaixo, no entanto, não consiste propriamente de música tradicional islandesa, mas de um álbum belíssimo que se constitui de uma ‘reconstrução’ da música medieval  da época da escritura dos Eddas (foto), das famosas sagas islandesas escritas em prosa e em verso por Snori Sturluson no século XIII.

A ensemble realizou esta “reconstrução” pesquisando, essencialmente, três pontos:

Primeiro aos modos e gestos presentes na música islandesa de hoje, nos cantos denominados rímur, por exemplo (jamais encontrei gravações de rímur!), assim como na música norueguesa tocada pelo hardingfele, ou pelo hardanger fiddle (escrevo sobre ele mais para frente).

Em outro front a banda pesquisou as tradições dos trovadores no século XIII, século em que foram escritos os Eddas, para determinar aproximadamente como os  poemas do “Edda Poético” seriam na época declamados e tocados pelos trovadores nos palácios.

Por fim a ensemble fez uma pesquisa dos instrumentos musicais. Neste caso a ensemble optou por utilizar instrumentos utilizados por trovadores no século XIII, violinos medievais de três e cinco cordas ( as cordas de tripa utilizadas na época) e a banda utilizou ainda uma lira que se trata de uma incrível reconstrução de exemplares achados em tumbas do século VII germânico.

Munidos desta pesquisa musical a banda musicou trechos do Edda Poético. E o resultado é, sem exageros, maravilhoso!

É realmente de arrepiar acompanhar (no encarte, que disponibilizo para baixar, há, lado a lado, o poema original em islandês e sua tradução inglesa), por exemplo, a reconstrução dramático-musical do “Conto de Þrymr”. Conto que consiste do mito poético do gigante que rouba Mjöllnir, o martelo de Þórr (Thor), e pede em resgate a mão da deusa Freyia – esta que, evidentemente, resiste.

Belíssima é também a interpretação dos versos de Odin, retirados do capítulo ‘Hovamol’ do Edda Poético. Trata-se da descrição de Odin de seu sacrifício, fincando-se na árvore da sabedoria…sabedoria que, conclui o poema, anda ao lado  da dor e do sacrifício.

Ou seja, trata-se de um trabalho sem par! Excelente, mas que para sua compreensão completa é necessário acompanhar a música com a leitura dos poemas traduzidos no encarte (e aproveitar para ouvir a interessante sonoridade do islandês – a banda procurou se aproximar de sua pronúncia medieval)…então baixem aí embaixo o CD e também o encarte!

CD Sequentia – Myths Of Medieval Iceland

Encarte do CD

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,

Bandeira:bandeira_islandia

Mapa:

mapa-da-islandia-3A capital Reykjavic:

reijk

Um dos glaciers da Islândia:

iceland.images

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: , , ,

pubcircle

Ao contrário das ilhas Shetland e Orkney, as ilhas Faröe que são situadas por volta de 400km do norte da Escócia, não possuem sítios grande riqueza em sítios arqueológicos do período anterior a Cristo. Ao contrário (a julgar pela wikipédia) os primeiros registros de colonização estável nas ilhas nos remetem aos aventureiros monges gaélicos e hiberno-escoceses no século sexto. O especialmente aventureiro São Brandão, presumivelmente, visitou a ilha no século VI (antes de pensarmos que cristãos eram covardes e pagãos corajosos visitemos as histórias destes monges – imagine só em barcos rústicos, dois séculos antes do auge viking, viajar por mais de 600 km em um mar gelado!)

Mais tarde no século sexto as ilhas foram também colonizadas tanto por escandinavos pré era viking, quanto por gaélicos (os gaélicos compõe a tribo celta que colonizou, de maneira bastante próspera, a partir do ano 0, a Irlanda) das ilhas do mar da Irlanda (como a ilha de Man). Esta junção nórdica e gaélica gerou old norse língua que gerou, por sua vez, o “faroes” falado nas ilhas até hoje – lingua, bastante interessante, que une línguas nórdicas com palavras de origens gaélicas (ver artigo sobre a língua na wikipédia).

No século XI a Ilha passou a pertencer a Noruega e no século XIV, depois da cristianização, passou a mãos Dinamarquesas a quem a Ilha pertence até hoje (o dinamarquês é hoje falado e escrito na ilha)

Para falarmos de uma parte da cultura de um país que particularmente me diz respeito (como consumidor rs.), as Ilhas Faröes tem como pratos típicos de sua culinária a carne de baleia com banha de cetáceo condimentada  (sim eu encararia! rs.) o Tvøst og spik, assim como o Skerpikjøt uma carne de cordeiro envelhecida e mastigável, apelidada de “carne de cinto”. Interessou-me particularmente também, como apreciador das cervejas (fonte principal de escoamento do meu dinheiro), o site desta cervejaria faroense foroyabjor

Mas escrevamos sobre música:

Assim como é o caso nas demais ilhas do Norte, não é possível formar uma imagem absolutamente clara da música das Faröes, como diz nosso wiki-oráculo, as canções utilizando violino, sob a influência das polcas e minuetos europeus, são presentes nas ilhas, assim como são presentes os corais cristãos, os skjaldur canções de ninar com temas fantásticos e os hinos microtonais (que utilizam as teclas que não existem no piano rs.) denominados kingosálmar.

De qualquer forma, hoje há um revival da música na ilhas que congrega as tradições locais, mais as tradições dinamarquesas a até mesmo o rock, o jazz ou o metal (a banda Týr é relativamente conhecida por aqui). Um caldo de músicas da tradição faroesa, dinamarquesa e sueca é o que encontramos no play para baixar neste post, da banda Spælimenninir (foto), excelente banda que conta com a partipação de Kristian Blak maior nome da música nas ilhas.

Confiram o álbum (e dêem uma olhada no encarte, ripado por algum santo no p2p, que explica a origem de cada peça presente no álbum e dá mais detalhes sobre a banda e a música das Faroes)

CD Spælimenninir

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,

Bandeira das Faroe:

faroe-flag

Mapa:

overview_map_faroesMapa 2:

faroe-islands-mapFoto de uma vilaem uma das ilhas:

farvill86523296.8FrDzfQrVisão geral de uma cidade na ilha:

farcity257082613_7fa02d6c4dPenhasco versão faroes!

10012006_faroe4

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: , , ,

aly561205889_d8fa2cdd3c

Faço aqui um post extra sobre as Shetlands para escrever sobre um álbum que é um dos meus preferidos no folclore (e não só no folclore). Um, mais do que bem sucedido, encontro entre a música sueca de Ale Möller (frifot) e o violino das shetland de Aly Bain. Ficamos aqui com uma resenha que fiz para a lista dos melhores álbuns da década na revista que hospeda este blog e logo baixo o play para baixar.  Não deixem de conferir é um play, simplesmente, maravilhoso!!!

O violinista Aly Bain, nascido nas Ilhas Shetlands, é mais famoso por seu duo com o excelente acordeonista da música tradicional escocesa continental Phil Cunnigham, assim como é famoso por seus documentários e programas na televisão britânica (entre eles o Transatlantic Sessions que une músicos da tradição britânica e  américana), a colaboração de Bain com o sueco Ale Möller é mais esporádica: Beyond The Stacks é o segundo álbum da dupla.

O que , para mim, é, sobremaneira,  especial em sua dupla com Möller é o modo que Bain faz encontrar seu elegante violino das Shetlands com as tradições escandinávias de Moller e sua mandola (que é como um grande bandolim! ver foto!). De fato, o lado escandinavo da música das Shetlands (que foi colônia Escandinávia em alguns pontos de sua história) aflora neste álbum, a elegância pastoral do violino de Aly Bain encontra sua perfeita harmonia nas escalas menores, na melancolia por hora serena, por hora mesmo obscura, da música tradicional sueca. Temos aí um dialogo perfeitamente harmonioso entre estas duas belíssimas tradições musicais.

O repertório deste Beyond The Stacks, assim como o, igualmente excelente, primeiro play da dupla Fully Rigged, navega entre as melodias tradicionais das Shetlands, como Daa Broon Coo (sim, The Brown Cow no dialeto da Ilha!), irlandesas como O’Farrel’s welcome to Limerick, escocesas continentais como Lady Mary Ramsay, e ainda polskas e marchas suecas comoKing Kar’s marsch; Djavulspolska’ (a polca do diabo!). Entre todas as belíssimas, fortes, melancólicas e sutis  peças que compõem o álbum, destaco, como talvez a minha melodia preferida em toda tradição musical (não consigo chegar a outro veredicto a ouvindo!!!) o lamento otimista de ‘Crying Waltz’ (a valsa chorosa de coloração escandinava) em que Möller envia suas mágoas para longe em sua gaita de boca acompanhada do violino de Bain…ora, não precisava nos fazer chorar de fato!”

CD Aly Bain & Ale Möller

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: , ,

51Hptsm4XqL._SL500_AA240_

A história das ilhas Shetlands é, em muitos aspectos, parelela a história das ilhas Orkneys. Encontramos nas ilhas Shetland os mesmo indícios de ocupação pre-histórica, tendo início em mais de três milênios antes de Cristo. No entanto, as Shetlands não possui o mesmo número e riqueza  em  sítios que sua “prima” mais próxima ao continente possui.

Shetland e Orkney comungam também a colonização escandinava. Ambas foram colonizadas durante expansão viking no século IX e permaneceram sob o reinado norueguês até o século XVI, quando as ilhas passaram a mãos escocesas devido aos dotes não pagos da filha do Rei Christenses da Noruega, casada com Jaime III da Escócia.

Durante os séculos o “Norn” língua de origem nóridica falada tanto nas ilhas Orkney quanto nas Shetland, foi substituida pelo gaélico escocês e então pelo inglês escocês, mais precisamento ao inglês escocês bastante distinto que hoje é falado na ilha – o que é facilmente notável quando lêmos os nomes das tunes das Shetland ( o “Da” ao invés de “The” sendo facilmente notado).

Musicalmente, hoje, podemos dizer que as Shetlands é um lugar privilegiado. Por muito a ilha foi absorvendo o cantato dos marinheiros que chegaram, com suas musicas, às ilhas (irlandeses, escoceses, alemães, noruegueses) o que acabou por fermentar o estilo bem único de se tocar, sobretudo o violino, nas ilhas.

Tom Anderson, que toca violino no play para baixar aí embaixo, com seu aluno, hoje o músico mais famoso das Shetland, Aly Bain, foi um dos grandes responsáveis pelo resgate e manunteção da música tradicional das ilhas.

O que ouvimos, de fato, na música das Shetlands é um estilo bem peculiar de melodias escocesas que possuem traços perceptiveis, claros, da música escandinva (nas tonalidades menores de algumas melodias, no uso das harmonias no violino que lembram o hardanger norueguês).

Confiram, então, um play (a capa é esta da foto) em que o grande Aly Bain gravou com seu mestre, e mestre das Shetland, Tom Anderson, que é um exemplo bastante enraízado na bonita tradição musical das ilhas:

CD Aly Bain & Tom Anserson The Silver Bow

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: , ,

Bandeira das Ilhas Shetland:800px-Flag_of_Shetland.svgMapa das Ilhas Shetland em relação ao norte da Escócia (em azul)

200px-ScotlandShetlandIslandsVista da costa de uma das Ilhas:

Evening glory, Brae Wick, Esha Ness, Shetland, ScotlandVista da “metropolitana” em uma das ilhas:

shetland_islands_9971

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: , ,