Archive for março, 2010

reynard-the-fox

Da east anglia tomemos rumo ao norte até as “midlands”, os condados que se encontram no meio da Inglaterra (vejam mapa logo abaixo).

É do condado de Nottinghamshire donde vem uma das vozes mais bonitas e  importantes da tradição inglesa: Anne Briggs.

Briggs foi uma das vozes encontradas pelos esforços de Ewan MacColl e Al L. Lloyd (nomes de primeira importância na música britânica que trataremos mais adiante) em retomar a tradição da música inglesa na década de sessenta.

Caminhando nas mesmas sendas dos muitos artistas britânicos do final dos sessenta (como Bert Jansch, Christy Moore, John Renbourn, Marthy Cathy e etc.), Anne Briggs lançou alguns poucos álbuns na década de setenta (Anne era uma artista bastante reservada e relutou em voltar ao estúdio e “construir uma carreira”).

Foi o suficiente, contudo, para servir de inspiração para cantores como Eliza Carthy, Kate Rusby assim como para Mairéad Ní Mhaonaigh do Altan; o suficiente, enfim, para termos seu nome em mente quando nos referimos as grandes cantores britânicas.

Dos três álbuns lançado por Briggs particularmente importante é o primeiro LP auto-intitulado. É um álbum bastante “simples”, nada de arranjos jazzísticos, nada de guitarras elétricas. O play é quase que por completo “a capella”. Apenas a intensa interpretação de Anne (de fato, há muito de sean-nós e das baladas escocesas no canto inglês e creio que vice-versa) e as fantásticas e distintas poesias do cancioneiro tradicional inglês.

Destaco aqui duas interpretações de Briggs do cancioneiro inglês:

Primeiramente, a belíssima versão a capella que Briggs grava da tradicional canção Reynardine (presente na interpretação de Sandy Denny no clássico Liege and Lief).

Reynardine é um poema sobre uma bela e fantástica raposa humanóide ( ilustração) que seduz jovens damas a fim de levá-las a sua floresta, a seu “verde castelo”, a fim de “devorá-las” (interprete como quiser…rs).

Outro fantástico clássico do cancioneiro britânico interpretado por Briggs é aquele denominado Young Tambling na gravação de Briggs, mais conhecido, contudo, como Tam Lin.

O poema conta a estória de uma jovem que encontra na floresta um elfo, chamado Tam Lin, e dele se torna grávida (vejam só…). Quando a jovem, mais tarde, retorna a floresta a procura de uma erva de efeito abortivo (vejam só…) ela re-encontra o elfo Tam Lin, que conta a jovem a maneira pela qual ele fora um humano, aprisionado e transformado em elfo pela Rainha dos elfos, e a maneira pela qual na noite de Hallow-een ela poderia salvá-lo de sua “condição elfica” e fazer dele o pai de seu filho.

…para saber como termina história ouçam a canção (baixem o play abaixo) e acompanhem a poesia aqui

CD Anne Briggs

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Mapa das midlands inglesas porção leste:

east-midlands-mapPorção Oeste:

west-midlands-map

Anne Briggs:

Muckram Wakes:

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Bob Roberts by Brian Shuel Keele (EFDSS)FF

De volta a nosso percurso na tradição inglesa temos mais um post sobre a região de East Anglia, tratando de Bob Roberts e dos sea shanties.

Bob Roberts (1907 – 1982, foto) foi um exímio contador de estórias, músico (cantor e acordeonista) além de marinheiro (de fato…); sujeito que carregou consigo muito da tradição musical inglesa, sobretudo das canções de marinheiros.

As canções e estórias na memória de Roberts foram o suficiente para atrair no século passado a atenção de um dos maiores compositores de música erudita da Grã-Bretanha, Ralph Vaughn Williams, assim como para atrair folcloristas e produtores da BBC de Londres que gravaram muitas das canções e estórias que Roberts trazia consigo.

Enquanto marinheiro, Roberts era exímio conhecedor e cantor (qualquer semelhança com a voz do marinheiro Popye é apenas semelhança entre companheiros de profissão! hehe), sobretudo, de sea shanties, dos cantos (shanty de chanter em francês) de marinheiros.

Não é exclusividade da Inglaterra, tampouco da East Anglia, os sea shanties. Eles são, em geral, canções que os marinheiros utilizavam (creio que ainda utilizam) para coordenar suas atividades, por isto as repetições e os coros típicos das canções para coordenar atividades (na escola geralmente aprendemos algumas delas…). De qualquer forma, a música tradicional inglesa é rica em sea shanties, e tanto mais a East Anglia com cantores e músicos importantes que trabalham nesta tradição como Roberts e Harry Cox presentes na compilação de sea shanties para baixar logo abaixo.

Fiquem então com compilação de sea shanties ingleses que é bem legal: CD Sea Songs & Shanties

E….Heave Away! Haul Away!

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Sea shanty em pub inglês:

Barney McKennna dos Dubliners cantando um famoso sea shanty.

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kalevala2

Abrimos uma exceção no nosso ciclo sobre a música tradicional da Inglaterra (mais tarde Escócia e Gales) para apresentar um “encore” sobre a música da Escandinávia.

Ocorre que o colega Eduardo Peruzzo disponibilizou na Internet um precioso CD  somente com o canto da forma Kalevala da Finlândia.

O canto da forma Kalavela corresponde ao canto, a declamação musical, dos contos folclóricos finlandeses que deram origem ao livro do Kalevela, que nada mais é que uma compilação dos poemas transmitidos através desta forma de canto, realizada no século XIX por Elias Lönrot.

Antes de se tornar palavras impressas, por muitos séculos, as aventuras e desventuras de Ilmatar (o espírito do ar, o Ariel, do folclóre finlandês), do herói Väinämöinen (ilustração acima) e sua Kantele, eram palavras cantadas  conforme as gravações (do início do século XX) gentilmente cedidas por nosso colega.

Confiram!: The Kalevala Heritage (novo link – new link)

P.S: É interessante comparar o canto da forma Kalevala com o sean-nós, o canto antigo, irlandês. Como ambos herdam a tradição da transmissão oral da cultura.

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Scarecrow

Comecemos pelo sudeste da Inglaterra na região da East Anglia (que envolve os condados de Cambridgeshire,Herfordshire,Essex,Sussex, Norfolk e Beds).

East Anglia que é lar de alguns nomes importantes da música tradicional inglesa como Bob Roberts e Harry Cox (que trataremos no próximo post) e num período mais contemporâneo, lar do melodeon player, do tocador de melodeon (espécie de acordeão diatônico inglês), Tony Hall.

No play (ou álbum , a estas alturas vocês já perceberam que chamo álbum de play hehe)  de Tony Hall que disponibilizo abaixo para baixar, chamado “One Man Hand” (trocadilho de acordeonista com one man band….), acho que já temos uma imagem da medida que a música inglesa se aproxima e se distancia de sua prima mais conhecida, a música irlandesa.

Um primeiro ponto é que a música é mais swingada, é mais giguer, que a irlandesa, sobretudo que os reels irlandeses.

Outro ponto é que ingleses adoram canções (sim os Beatles são ingleses, não à toa). Um acordeonista irlandês não incluiria canções em seu álbum, já  Tony Hall, com os pés fincandos na grande tradição da canção em East Anglia, inclui excelentes canções tradicionais em seu álbum: sejam  sea shanties, as canções de marinheiro, como Down on The Hard (esta cujo refrão fez o favor de grudar em minha mente), sejam as canções mais “tristes”, ou “eerie” (como traduzir eerie?) e “mórbidas”  como Strange Fruit (muitas das canções inglesas possuem como temas assassinatos,  e os crimes humanos, além do crime capital que a natureza comete contra todo homem, a morte – a letra de Strange Fruit, por exemplo, nos reporta ao odor da carne humana em chamas).

Na música inglesa encontramos muitas valsas, marchas além das jigs – e estas são tocadas, a meu ver, de maneira um tanto mais interpretativa, mais dramática, menos técnica que em geral a música irlandesa, ao menos a instrumental (o canto sean-nos irlandês é bastante bonito em sua dramaticidade) o é.

Aqueles que gostam da música irlandesa (ou da música “celta”), ou mesmo das baladas da música popular contemporânea (quem gosta de Nick Drake , John Martyn ou mesmo Bob Dylan), vão encontrar na música tradicional inglesa um interessante correlato. Me agrada na música inglesa, sobretudo, a mescla de sentimentos, ela é frívola  (pastoral) e profunda, alegre e um tanto melancólica, ao mesmo tempo.

Para começar nossa peregrinação pela velha Albion, fiquem com o excelente play de Tony Hall: Tony Hall – One Man Hand

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Mapa da região de East Anglia:

east-anglia-mapVideo Tony Hall:

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