Archive for abril, 2010

Pibgorn wmc

Vamos então de Carreg Lafar…

O Carreg Lafar (grupo formado na capital do País de Gales , Cardiff, em 1994) é um daqueles casos bastante felizes em que a tradição se veste da imaginação de seus executantes, assim como de influências contemporâneas, sem perder aquele “drive” primordial que encontramos na música da tradição.

O Carreg Lafar está (junto com bandas como o Fernhill) para a música galesa, como o Clannad (dos primeiros discos) ou Luar na Lubre estão para suas tradições, se quisermos referências.

Cito Clannad e Luar na Lubre, mas o fato é que a música galesa lembra, mais do que a música irlandesa ou galega, a música bretã.

O som do pibgorn (vejam o vídeo abaixo – ouçam faixas do CD para baixar como Blweyn Glas, Cariad Cywir – e vejam a foto acima rs.) lembra bastante o som do bombarde bretão. Assim como o canto galês me lembra (ao menos a mim, não sei se a relação procede), por vezes, o gwerz, o canto tradicional bretão.

De fato, a língua galesa possui vínculos tanto com o córnico, quanto com a língua bretã (que sim, até hoje, é falada na Bretanha, mais do que o galês é falado em Gales, creio).

O CD Hyn do Carreg Lafar, que deixo para baixar logo abaixo, é uma oportunidade também para quem quer ouvir a sonoridade da língua galesa, que, de fato, é bem bonita. Soa um pouco gutural, como soa o irlandês, mas com certo ar latino, certa suavidade (de origem francesa talvez).

Outro fator de interesse para destacarmos a respeito do Carreg Lafar é o uso da gaita galesa, o pibau, que até onde entendi, segundo nosso oráculo wikipédia (se soubermos usar é uma maravilha!), é uma invenção moderna, construído tendo como modelo o próprio pibgorn (a cantadeira da gaita-de-fole galesa é curvada como o pibgorn – vejam o vídeo abaixo) e ainda a gaita-de-fole bretã. De qualquer forma, para os “pipe maníacos”, fica a dica (ouça a faixa Lisa Lan: no final temos um belo solo de pibau, a gaita galesa)

CD Carreg Lafar Hyn

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Para dar início a nossa passagem por Gales (ou Cymru na belíssima língua galesa – dizem que Tolkien adorava a suavidade da língua galesa o que o fez a utilizar como fundamento para a língua dos elfos em Senhor dos Anéis), não poderíamos tratar de outra coisa senão da harpa. A harpa que é o objeto símbolo do país.

Gales possuí uma longa tradição de harpistas e o país possuí ainda uma harpa que se tornou, embora não tenha sido concebida no país , um instrumento tradicional local: a triple-harp ou a harpa-tripla.

Trata-se de uma harpa bastante singular: ela possui três fileiras de cordas (vejam na foto). As duas exteriores afinadas em uníssonos formando uma escala diatônica (só o que seriam as teclas brancas do piano) e as cordas interiores com o que seriam as teclas pretas do piano (os bemóis e sustenidos). As cordas exteriores em uníssono servem para possibilitar um “efeito cascata”, fazer as notas se repetirem, ecoarem, quando o harpista toca a mesma nota em seqüência em mãos distintas. Já as cordas do meio servem para dispensar o pedal das harpas de concerto sem que a harpa  perca alcance (a harpa-tripla alcança cinco oitavas).

Entre os grandes músicos galeses da harpa-tripla temos hoje, por exemplo, Robin Huw Bowen, harpista da excelente banda Crasdant, e também um artista solo que podemos ouvir executando a harpa-tripla solo neste bonito álbum que compartilho por aqui: CD Robin Bowen – Harp Music Of Wales

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Mapa do país de Gales (em vermelho):

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Pibau, a gaita-de-fole galesa:

A harpa-tripla:

O pibgorn:

O Crwth (explicações a respeito do instrumento no video):

Carreg Lafar, banda galesa:

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O mais legal que pode acontecer a um gênero musical que identificamos como tradicional é justamente ele deixar de ser ‘tradicional’. Não evidentemente que acho desejável que este gênero musical abandone seu sentido, sua “alma”, mas acho bastante positivo que ele se torne música de todos – como o blues, o jazz, o rock’n’roll é hoje!

Neste sentido é excelente ouvir hoje boa música tradicional irlandesa (ou “celta”) por aqui. Temos bandas bastante competentes como Café Irlanda, o Leannan Shee, a Terra Celta e podemos incluir agora no cenário irlandês-brasileiro independente o The Malloys Band!

Trata-se ainda de um projeto embrionário de um leitor aqui do blog, em uma one man band, mas se trata de um projeto já bastante agradável de se ouvir. Temos lá na página do my space de nosso colega, e seus vários alter-egos, versões honestas e divertidas de standarts como Disty Old Town, The Blacksmith, Si Beag Si Mor, Crying Waltz (uma velha favorita minha, do álbum Beyond The Stacks de Aly Bain & Ale Möller), além de uma tanto mais divertida,a começar pelo título, composição própria, Velho tio Pé de Chinelo.

Visitem que vale a pena: The Malloys Band no MySpace

To foreign visitors: The Malloy’s Band is a nice example of Brazilian independent traditional Irish music. Check it out !

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Conforme prometido (de maneira mais breve do que gostaria, contudo) tratamos da Cornualha, que é um condado ao extremo oeste da Inglaterra (infelizmente estou sem tempo para as piadas que a analogia com nossa língua permite a Cornualha…).

Quando são mencionadas as sete, ou seis, “nações celtas” (um conselho: não levem ao pé de letra, no sentido histórico, algo que leva celta como adjetivo gentílico), a Cornualha é mencionada como uma delas pelo fato de no condado ainda existir uma língua de origem celta: o córnico.

A música da Cornualha, aos meus ouvidos, soa muito mais inglesa do que irlandesa, galesa ou escocesa (contudo, se tratar mais pontualmente da música inglesa aqui está me ensinando algo, isto consiste da proximidade da música inglesa com a música das ilhas britânicas como um todo, do diálogo estrito que existe entre estas tradições).

De qualquer forma, na região ouvimos canções cantadas em córnico, língua do grupo britônico, do mesmo grupo das linguagens celtas em que é classificado o bretão (a língua celta da França, da região da Bretanha), o que de antemão confere à música da Cornualha uma importante distinção.

A música da Cornualha possuí sua grande expressão musical na música da cantora e poetisa Brenda Wootton. A Amália Rodrigues, a Joan Baez ou a Elis Regina da Cornualha, se quisermos efetuar uma comparação.

É na língua córnica que Brenda canta belíssimas canções como Clegh (video abaixo) ou An Tour Dantelezet.

Finalizo, então, nossa volta pela música inglesa (seguimos com Gales e depois Escócia) deixando o disco Starry-Gazey Pie de Brenda Wootton como uma belíssima despedida.

CD Brenda Wootton, Starry-Gazey Pie

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16
abr

A música de Albion. Cornualha. Mapa

   Posted by: tiago    in V - A música de Albion.

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Canção córnica, cantada na língua da Cornualha, por Brenda Wootton

Clegh, outra canção na língua córnica, por Brenda Wootton:

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sc

Este post sobre Shirley Collins é um daqueles posts estratégicos deste blog em que matamos (sim, com alegria voltamos aos assassinatos na música inglesa!) diversos coelhos numa só cajadada.

Em uma primeira instância voltamos ao sul, donde entraremos mais tarde no contexto “celta”, abordando a música da Cornualha e depois tratando da música de Gales.

Shirley Collins é nascida na histórica região de Sussex no sudeste da Inglaterra, mais especificamente na cidade Hastings onde ocorreu a famosa batalha que culminou na ocupação normanda (dos franceses da região da Normandia) da Inglaterra.

Trazendo ao blog a importante cantora que é Shirley Collins e em especial seu mais famoso disco, No Roses de 1971, fazemos também uma justa homenagem ao folk rock britânico. Afinal No Roses conta com a participação de um rol de músicos que abrange a nata do folk rock inglês:

Lá estão além do ex-marido de Collins, o “governador” Ashley Hutchings (ex-Albion Band, Fairport Convention, Steeleye Span), Maddy Prior (cantora do Steeleye Span), Simon Nicol (guitarrista do Fairport Convention e Albion Band), Dave Mattacks (baterista do Fairport Convention, Nick Drake, Paul McCartney e tantos outros), Richard Thompson (Fairport Convention e reconhecida carreira solo) além de nomes como o do acordeonista Tony Hall, que já nos deparamos por aqui.

Ou seja, é um verdadeiro hall of fame do folk rock inglês o line-up deste disco!

E No Roses é um belo disco. Com o groove rock da batera de Mattacks adicionado à tradição – esta, amparada pelo enorme conhecimento que possui Ashley Hutchings quando o papo é tradição musical inglesa.

Temos em No Roses inspiradas interpretações de clássicos do cancioneiro britânico. Baladas sangrentas, certamente, não faltam!

A épica balada Murder Of Maria Marten conta o episódio do assassinato do “celeiro vermelho”. O assassinato (que ganhou grande notoriedade na Inglaterra do século XIX) da pobre Maria Marten, que se deu no interior de um celeiro que possuía um teto vermelho. O assassino, William Corder, seria mais tarde enforcado em praça pública.

Evidentemente sangrenta é também a balada que fecha o disco, Poor Murdered Woman. A canção conta as impressões daqueles que encontram o cadáver de uma mulher…

Outra clássica balada que merece menção é Van Dieman’s Land. Trata-se de uma balada irlandesa que conta a história de um ladrão (de um poacher aquele que rouba, sobretudo, alimentos, vegetais ou animais – “crime” comum na Irlanda afetada pelo fome no século XIX) que enfrenta uma pena,então utilizada, que era o banimento penal à terra de Van Dieman, que é hoje a ilha da Tasmânia (terra do Taz, claro! )

Enfim, fica aqui um exemplo para quem quiser se aprofundar no universo do folk rock inglês que é riquíssimo, conta com excelentes músicos  e que constitui, a meu ver, a mais feliz aventura do rock através tradição folclórica (ou vice-versa!).

CD Shirley Collins No Roses

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