photo_harp

Creio que muitos aqui no Brasil conseguem relacionar de algum modo a música paraguaia à sua antiga relação com a harpa, a harpa que hoje denominamos a harpa paraguaia. Poucos , contudo, rendem a esta tradição o valor que ela merece.

A harpa surge no Paraguai, de fato, nos primeiros séculos da colonização da América, no interior do processo da catequização mantido pelos jesuítas. A tradição da harpa espanhola se mesclou assim às tradições dos índios guaranis para formar a música da harpa paraguaia como podemos ouvir hoje. A harpa paraguaia recebe este adjetivo gentílico pois enquanto as harpas no resto do mundo foram agregando pedais e chaves para garantir a possibilidade de emitir semitons (lembram da harpa galesa que utiliza três fileiras de cordas para garantir uma escala cromática, além de um efeito de eco?) a harpa no Paraguai permaneceu em essência a mesma da Espanha renascentista.

Se vocês quiserem saber mais da história da harpa paraguaia, e entendem a língua inglesa, vocês podem ler um artigo e ouvir um mini-documentário da BBC inglesa a respeito: aqui

Aqui vocês encontram uma elucidativa resenha de uma apresentação de César Cataldo, um dos mestres da harpa paraguaia.

Como um, excelente, exemplo da música da harpa paraguia deixo para baixar por aqui um CD de outro grande mestre da harpa paraguia, Enrique Samaniego (este do video abaixo).

No CD Secretos de la Harpa Paraguaya encotramos gravações para melodias tradicionais da harpa paraguaia, tais como Tren Lechero. Melodia esta que, conforme lemos na resenha da apresentação de César Cataldo, emula na harpa o som do “trem leiteiro” a que se refere o título. Melodia cheia de idas e vindas, de paradas e recomeços até chegarmos ao final da jornada imaginária e musical. Movimentação que é, contudo, tranquila como era, afinal, aos nosso olhos, a tecnologia ferroviaria da época em que foi escrita a melodia.

Outro clássico que imita o mundo através de sons, no interior do cânone da harpa paraguaia, é o Pajaro Canpaña. Versão guarani do Pássaro de Fogo de Stravisnsky!? O fato é que a música tradicional sempre esteve repleta de imitações musicais do mundo, das coisas, dos animais. E eis aí glissandos imitando vôos, arpeggios, ciscadas e por aí vai!

Fiquem, então, com este excelente álbum: Enrique Samaniego – Secretos De La Harpa Paraguaia.

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4 comments so far

Marcelo
 1 

Quase nunca tinha ouvido musica vinda do Paraguai e fiquei maravilhado com o som dessa harpa. Belo post.

setembro 3rd, 2010 at 0:57
tiago
 2 

Legal que curtiu, Marcelo. Realmente aqui não notamos a cultura paraguaia como deveríamos (e nisto eu, certamente, me incluo). Confesso que nunca havia pesquisado sobre a origem da harpa paraguaia. E ela tem uma história antiquíssima, uma grande tradição.

Aproveito o ensejo para me desculpar pelos absurdos erros de digitação, pela falta de palavras e etc. Mas acho que vocês já se acostumaram rs.

Neste ciclo, que pretendo acabar em breve, temos ainda: Suiça, Servia e Uruguai.

Se quiserem já ir dando sugestões para o próximo fiquem à vontade! (como um eterno atrasado, ja troquei minha passagem novamente e só viajo em novembro)

setembro 3rd, 2010 at 8:06
Marcelo
 3 

Olááááá, algueeemm em caaasaaaa ????

setembro 14th, 2010 at 1:23
tiago
 4 

Sim. Ocupado em casa…

Mas em breve Servia renascentista! ;)

setembro 14th, 2010 at 8:12

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