Archive for fevereiro, 2012

34560_Emir Kusturica  The No Smoking Orchestra

Mais de um mês sem sequer um post no blog. Isto significa: ”causos” para contar. No início deste ano realizei uma serie de viagens através das ilhas britânicas, sempre com alguma ‘’distração’’ musical pelo caminho. Ou talvez seria correto dizer que realizei através das ilhas britânicas algumas viagens musicais com algumas distrações turísticas pelo caminho?

Seja como for, começo o papo por aqui pela viagem à costa oeste da Irlanda, a um dos solos sagrados musica irlandesa… a vila de Doolin.

doolin

Doolin e’ um vilarejo de pescadores – hoje, de fato, um local mojaritariamente dedicado ao turismo. A vila e’ a cidade natal, dentre outros grandes da musica tradicional irlandesa, dos irmãos Russel. Da vila você pode andar ate’ os famosos Cliffs of Moher. Os ‘’penhascos’’ são, sem dúvida, impressionantes, mas confesso que mais do que eles me impressionou o caminho ate’ la’: as trilhas que nos levam aos penhascos (ou não nos levam… no primeiro dos dias que passei em Doolin deixei–me perder nas lindas trilhas paralelas!).

Em Doolin existem quatro pubs, três deles famosos pela música: O McDermotts, onde ouvi uma excelente session com uma violinista (so they say!) ganhadora de um prêmio nacional (ou um prêmio all-ireland, como e’ comum ouvir por aqui). O McGann’s, onde não ouvi session alguma, mas onde me impressionaram os quadros penduradas na parede retratando grandes nomes da musica irlandesa. E por fim, o pub Gus O’Connors, outro templo da música em Doolin!

Visitei a cidade fora de época, como diríamos por aqui, e o silêncio (incluindo, infelizmente, o dos instrumentos musicais) me inclinou muito mais ‘as longas e inspiradoras caminhadas entre o verde e o cinza do que aos pubs. Excelente, contudo, foi ter me hospedado no Flanagan’s Hostel, um albergue cujo dono e’, além de uma excelente pessoa, um ótimo bandolinista! Dele ouvi muito do que só havia lido acerca da musica. Como ela teve de sair, devido à pressão da Igreja, das casas em direção aos ‘’salões autorizados’’ e destes salões, mais tarde, aos pubs; e ainda como os pubs carregaram consigo (e ainda carregam) o risco do alcoolismo!

Foi uma viagem curiosa, um tanto melancólica (o verde, o cinza, vacas, cavalos e a mim mesmo era o que via nestas caminhadas!), mas deixou saudades!

Falemos da Escócia. Glasgow foi para onde viajei a fim de conferir o excelente Celtic Connection Festival. A cidade escocesa por mais de duas semanas recebe músicos da cena folk, ou tradicional (ou seja como for…) de todo o mundo; em especial, claro, músicos das ilhas britânicas. Por lá pude conferir um ‘’novo velho favorito’’ desta ilha aqui à esquerda: Finbar Furey. O Tom Waits da música tradicional irlandesa? No mesmo ‘’concerto’’ esteve o excelente guitarrista inglês Martin Simpson, acompanhados dos não menos laureados, Dick Gaughan e June Tabor. Apresentação inspiradora!

Finbar na Trilha de Gangues de Nova Iorque!

Em Glasgow também estiveram as violinistas das ilhas Orkney, as irmãs Wrigley, de quem já tratei por aqui! Concerto tecnicamente excelente, musicalmente curioso (o sabor nórdico da musica escocesa das Orkneys!) e divertido (piadas sobre habitantes das ilhas!).

Inspirador foi também o Tributo em homenagem ‘a Alistair Hulett, músico e ativista escocês (radicado na Australia). La estavam Ian Bruce, ótimo cantor escocês; Karine Polwart, excelente compositora e cantora; Penny Stone, ganhadora do concurso promovido pelo Alistair Hulett Memorial Fund; meu preferido da nova geração de músicos britânicos, Alasdair Roberts; e, por fim, meu cantor preferido e um caro amigo, o já nosso conhecido, Roy Bailey. Infelizmente devido a complicações relacionadas à saúde o grande violinista Dave Swarbrick, companheiro de muitos anos de Alistair Hulett, não pode comparecer ao evento.

Em meu ultimo dia musical em Glasgow quem vi foi Emir Kustirica e a sua Non-Smoking Orchestra. A primeira impressão que tive ao entrar no luxuoso Royal Concert Hall de Glasgow para ver, o usualmente bastante ‘’animado’’, concerto de Kusturica foi: Vai dar merda! Srs. e Sras bem-vestidas em um show de Kusturica? Não deu outra, logo que começou a apresentação os ‘’kusturica heads’’ correram pra frente do palco (dançando feito dervixes despirocados…) e dai’ decorreu o divertido embate entre, de um lado, a banda e o público (a maior parte dele…) e, de outro, a segurança do local. Nada que impedisse (muito ao contrário!) o concerto de se transformar em um dos mais divertidos que já assisti! Pink Floyd, mais Taraf de Haidouks, mais musica brega, mais Metallica, mais humor Monty Python…temos a Non-Smoking Orchestra! Destaque vai para a gloriosa ‘’Fuck you MTV!’’, cujo refrão foi cantado a plenos pulmões na luxuosa casa! Se tiverem a oportunidade de conferir a apresentação de Kusturica e sua orquestra,  não percam de maneira alguma!

Para por ponto final nestes causos todos irei apenas mencionar os shows que vi na casa Vicar Street, talvez a mais prestigiada de Dublin – que não fica na rua Vicar, mas na rua Thomas, para aqueles que algum dia forem ‘a Dublin! Por la’ vi os Dubliners gravarem o DVD  comemorando os 50 anos do grupo! Andy Irvine & Paul Brady em um concerto impecável! Andy Irvine & Donal Lunny & Liam O’Flynn & Paddy Glackin em um all-star da musica irlandesa (?). E, por fim, ontem pude conferir um adorável concerto beneficente, em prol de um bebe’ com problemas de saúde, em que participaram artistas como meu  ”velho novo preferido Tom Waits da Irlanda’’, Finbar Furey; membros dos Dubliners como John Sheehan (que tocou um choro brasileiro) e o indefectível, Barney McKenna, assim comooutros músicos da cena tradicional dublinense, não menos excelentes!

Os vejo no Caribe…

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