Archive for the ‘III- Da Escandinávia e Ilhas do Norte’ Category

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Abrimos uma exceção no nosso ciclo sobre a música tradicional da Inglaterra (mais tarde Escócia e Gales) para apresentar um “encore” sobre a música da Escandinávia.

Ocorre que o colega Eduardo Peruzzo disponibilizou na Internet um precioso CD  somente com o canto da forma Kalevala da Finlândia.

O canto da forma Kalavela corresponde ao canto, a declamação musical, dos contos folclóricos finlandeses que deram origem ao livro do Kalevela, que nada mais é que uma compilação dos poemas transmitidos através desta forma de canto, realizada no século XIX por Elias Lönrot.

Antes de se tornar palavras impressas, por muitos séculos, as aventuras e desventuras de Ilmatar (o espírito do ar, o Ariel, do folclóre finlandês), do herói Väinämöinen (ilustração acima) e sua Kantele, eram palavras cantadas  conforme as gravações (do início do século XX) gentilmente cedidas por nosso colega.

Confiram!: The Kalevala Heritage (novo link – new link)

P.S: É interessante comparar o canto da forma Kalevala com o sean-nós, o canto antigo, irlandês. Como ambos herdam a tradição da transmissão oral da cultura.

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E com a música da Finlândia chega ao fim nosso peregrinação pela música da Escandinávia e das Ilhas do Norte!

Para aqueles ainda não introduzidos à cultura escandinava vale sublinhar aqui que a Finlândia é um país que possui uma herança cultural bastante distinta dos demais países escandinavos. Os finlandeses não descendem dos vikings, sua língua não possui origem germânica (na Finlândia não se falava o “velho nórdico”) e, sendo assim, soa completamente distinta da língua dos demais países escandinavos.

Os finlandeses sofreram, de fato, influências lingüísticas e culturais, assim como miscigenações étnicas, provenientes dos países do leste europeu, da região dos montes Urais, assim como dos que rodeiam o mar báltico (a língua estoniana, por exemplo, é bastante próxima a finlandesa).

Entre a influência nativa, através de sua herança na Europa oriental, e influência ocidental dos demais países escandinavos é que se divide a música tradicional finlandesa.

Por um lado temos a tradição, enraizada no próprio território finlandês,  da música da “forma Kalevala”, que consiste da forma pela qual eram cantados os contos foclóricos finlandeses, hoje conhecidos por sua compilação artística no século XIX realizada por Elias Lönrot, constituinte do livro poético Kalevala, que apresenta os ciclos do herói Väinämöinen tal como os conhecemos hoje (a propósito, a editora Ateliê lançou uma boa tradução para o português do primeiro livro do Kalevala. Procurem!).

Esta tradição musical que se escora na tradição do Kalevala foi com o tempo relegada à porção leste da Finlândia, sobretudo à região da Kerelia, a que hoje a Finlândia divide com a Rússia. Nesta tradição é que é tocado o kantele (ver vídeo abaixo), instrumento presente na mitologia do Kalevala (o herói Väinämöinen construiu o instrumento do maxilar de um peixe gigante agregado aos cabelos de Hiisi, uma entidade espiritual dos rios!). Ouvimos o kantele (na faixa de abertura), assim como o canto solo fundada nas métricas do Kalevala (faixas 9,10 e 11, por exemplo) no CD “Músicas da Karelia”, uma interessante compilação da música tradicional desta região da Finlândia lançada pelo selo francês Budha Music em 2001 (baixei , legalmente e por um preço módico, no “e-music” faz um bom tempo)

CD Música da Karelia.

Há, no entanto, uma outra face da música da Finlândia mais voltada ao ocidente e a música do resto da Escandinávia e da Europa oriental. Este estilo, no interior da música tradicional finlandesa, se denomina pellimani (do germânico spelman, músico). Concentrada no oeste do país, a música pallimani apresenta instrumentos como o violino, os acordeões (embora hoje se ouça na Karelia os acordeões – como o CD anterior pode mostrar) assim como ritmos “europeus” e escandinavos, como a polska (que lembremos não é exatamente uma polka – a polska é um ritmo em ¾, a polka, a  maior parte das vezes, é em 2/4) a mazurka ou o minueto. É a partir da tradição pallimani (mais elegante, porém menos incisiva e forte que a música da Karelia) que podemos compreender a música de grupos como JPP, cujo o excelente play (muito bem gravado e executado) de 1988, chamado Jarvelan Pikkupelimannit, se torna um exemplo da música pellimani neste post que fecha nosso ciclo escandinavo.

CD JPP

P.S: Muitos podem sentir falta de uma menção a humppa que é em gênero da música finlandesa criado no século XX – que possuí como inspiração, na verdade, a música dos Oktorberfest germânicos, assim como dos ritmos do jazz americano tais como o foxtrot…ok eu também gosto (e rio bastante) do Elakelaiset, mas em termos de folclóre mais enraízado ouça os CDs aí encima (além, é claro, do excelente Värtinna).

E, no que toca a Escandinávia, é só pessoal…Thats all folks!

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O kantele:

Banda JPP em ação:

Värtinna (com o clássico Seelinikkoi!):

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Bandeira:finland-flagMapa da Finlândia (regiões):

finland-map-720Mapa em relaçãoa Europa Oriental e Ocidental:

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Foto da capital, Helsinki:helsinkiFoto da cidade Joensuu na Karelia:1912796425_2582c8ffc1

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frifot

A Suécia foi o país escandinavo que com mais intensidade resgatou e renovou sua música tradicional. Hoje (colhendo os frutos do resgate da música tradicional, sobretudo, a partir da década de 80) são muitas as bandas e músicos tradicionais no país, tais como: Garmarmna, Hedningarna, Vasen, Ranarim, Groupa, além da banda que nos serve de exemplo neste post, o Frifot (foto).

O Frifot é, de fato, uma reunião de três grandes músicos da cena tradicional sueca. Na mandola, na harpa, na fluta sueca (o flojt) e cantando temos, o já nosso conhecido, Ale Möller (que gravou discos com o violinista das Shetlands Aly Bain e possuí diversos outros excelentes projetos); no vocal (o que inclui aqueles cantos em falsetto típicos da Suécia) e no violino a banda conta com Lena Willemark (que gravou diversos álbuns como cantora solo) e, completando o trio, no violino e na säckpipa (gaita-de-fole sueca, ouçam a faixa 7 do CD para download aí embaixo) o Frifot conta com Per Gudmundson, outro grande nome da música sueca.

A música do Frifot é particularmente rica por gravitar em torno dos diversos instrumentos que dominam os músicos do trio. Temos cantos a capella (como a faixa Abba Fader que abre o CD homônimo da banda lançado em 1999), canções conduzidas pela mandola (que é como um grande bandolim) de Möller, canções que utilizam a säckpipa, outras que utilizam harpa, acordeão o violino, uma espécie da salterello (aquele instrumento que recebe diversos nomes através do mundo, em que se bate com um pequeno martelo nas cordas). É, assim, bastante rica em timbres a música do Frifot – além da demonstrar a força e beleza tradicional da música sueca.

Confiram o play homônimo de 1999: CD Frifot

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Frifot em ação:

Frifot 2:

Clipe da banda Garmarna:

Ranarim em ação:

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Bandeira:

sweden_flagMapa (em rosa):

sweden-mapEstocolmo, a capital:

stockholm1A cidade de Lulea no norte:

Per_Domeij_NP_HR_100_70_lulea_gammelstad

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