Archive for the ‘III- Da Escandinávia e Ilhas do Norte’ Category

Os sami são um povo indígena que habita, sobretudo, a região de Sápmi, que corresponde a região ao norte da Noruega, Suécia,Finlândia e também à península de Kola, que pertence a Rússia.
Ao contrário dos inuits, os sami ou lapões (o termo lapão que se refere, segundo alguns, a ‘trapo de roupa’, não é utilizado oficialmente por ser considerado um termo depreciativo) não possuem origem mongol (eles não comungam, assim, a origem mongol com os índios brasileiros, como ocorre com os inuits). Alguns apontam a origem étnica dos Sami nas colonizações originárias da Europa, a língua sami , no entanto, é de origem Uralica (que se refere às línguas dos países vizinhos aos montes urais no extremo leste da Europa), o que aponta para sua ancestralidade ligada a esta região.
A música dos Sami é caracterizada, como a música inuit, pela utilização da percussão – na música tradicional Sami, são registrados o somente o uso de tambores e de uma flauta denominada fadno. De fato são os cantos espirituais, ou xamânicos a capella, os joiks, que ocupam parte central na música dos sami.
É o joik que ouvimos envolvidos pelo heavy metal na banda Sháman (ex-banda de Jonne Järvelä do Korpiklaaani – o Sháman que se denominava uma banda de Joik Metal!) – e é o joik que ouvimos envolvidos por alguns elementos do jazz e do rock na música da sami norueguesa Mari Boine (foto), cujo primeiro (e muito bom) play fica para baixar, como um exemplo da música Sami!
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Para pintarmos uma imagem da música tradicional da Noruega um bom recurso é tratarmos pontualmente do violino tradicional norueguês chamado hardingfele, ou hardanger fiddle em sua tradução inglesa que remete à cidade de Hardanger na costa norueguesa.
O hardingfele é uma espécie bastante bonita, tanto visualmente quanto musicalmente, de violino, ou de rabeca. Ele possui não as quatro cordas do violino comum, mas possui nove cordas; destas cinco apenas ressoam em relação às quatro principais rendendo ao hardingfele o som “solene” , “ecoado” que lhe é peculiar.
Outras distinções em relação ao violino tradicional é que sua madeira é tradicionalmente mais final, alem do fato, do hardingfele ser usualmente belissimamente decorado, tanto no seu tampo (com uma série de arabescos), quanto na sua voluta (lá onde vão as cravelhas – as tarraxas do violino) que são muitas vezes esculpidas em forma de dragão, ou como uma cabeça feminina.
Hoje encontramos um bom números de tocadores de hardingfele, noruegueses e também suecos e dinamarqueses, como a talentosa Annbjorg Lien, a mais famosa tocadora de hardingfele (Lien participa do último CD de Loreena McKennit), assim como Knut Buen, o excelente “hardingfeller” cujo play disponibilizo para baixar logo abaixo.
Buen (foto) é um músico de sessenta e tantos anos e toca de maneira bastante tradicional. Olhando a figura na foto deste post parece se tratar de um padre. Certo? Errado! Além do fato do Hardanger ser um instrumento tradicionalmente visto como algo não muito religioso (uma das afinações do instrumento é chamada de afinação do diabo; era proibido até o século XX tocar hardignfele no interior de igrejas), Knut lançou um CD ao lado de Ihsahn do Emperor na banda Hardingrock! Visitem o my space do Hardingrock .
No CD para baixar abaixo o que ouvimos não é heavy metal, mas o hardingfele solo. Knut (ouçam uma de suas melodias abaixo) desfilando seu virtuosismo no instrmento em springars (melodias em ¾, com uma cadência, no entanto, distinta das valsas – mais “bom-bip-bom” do que o tradicional “bom-bip-bip”) e os gangars (as arias, onde o hardingfele “canta” seu virtuosismo).
Confiram um excelente artigo explicativo sobre as melodias norueguesas aqui
E
Confiram o som sereno e grandioso do hardingfele de Knut Buen: Hardanger Fiddle Music of Norway – Knut Buen.
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Aí vai a colaboração do leitor Vinícius B.R., sobre esta grupo dinamarques bem legal que é o Krauka (se você quiser contribuir com algum texto ou resenha dentro da proposta do blog, entre em contato):
Krauka, formada em 1999 na Dinamarca, nos leva de volta ao um tempo onde os vikings eram os senhores do norte, com uma musicalidade peculiar, composta por canções e instrumentos tradicionais da Dinamarca, Suécia e Islândia.
A banda é formada por: Gudjon Rudolf (vocal, berimbal-de-boca, percussão), Askel Striim (lira de arco, flautas, percussão, vocal) and Jens Villy Pedersen (lira, flautas, rebeca, vocal).
Krauka trouxe para aos novos tempos a musicalidade da Era Viking, inspirados pelas forças da natureza do norte.
De toda a obra dessa fabulosa banda, o CD que merece mais destaque é, sem dúvidas, o Vikinga Seidur. O primeiro CD do grupo, sem influencias externas, com canções que nos envolvem com uma antiga atmosfera que nos aproximam dos Deuses e suas batalhas.
Com todo o envolvimento dos instrumentos me senti em um salão com vikings cantarolando histórias sobre os antigos heróis e a espera para chegar a Valhalla.
Acredito ser uma das poucas bandas que transmitem as músicas de raiz do período Viking com extrema perfeição. O grupo estudou durante anos as canções e instrumentos utilizados pelos nórdicos para gravarem o Vikinga Seidur.
Krauk – Vikinga Seidur nos proporciona uma experiência única, recomendado!
A partir desse CD o grupo começou a experimentar demais, com outros instrumentos e sons. O último CD lançado no começo de 2009: Odinn, foi uma decepção para os fãs, com muitas passagens eletrônicas e influencias de funk e groove; ficou muito longe da sonoridade que se propuseram fazer a 10 anos atrás.
Vinícius B. R.
Mapa da região tradicionalemnte habitada pelos Sami:
Os Sami:
Samis no começo do século XX:
Mapa:
Vista da capital, Oslo:
Foto no interior dos famosos fjords, as grandes entradas de mar na costa norueguesa: