
Uma das virtudes da cidade de São Paulo é a enorme quantidade e variedade de atrações gastronômicas e culturais. Tudo pode ser bastante cinzento, feio, ou apenas funcional, por aqui, porém encravado entre os blocos de concreto (quando não de tábuas de madeira…) encontramos de tudo. Uma das coisas mais legais que encontrei na selva de pedra paulistana foi um restaurante mexicano que convida mariachis para tocar. Há algo muito particular nestas canções fervidas no caldo de espanhóis e indígenas, uma alegria ao mesmo delicada e selvagem que é tanto mais alegre “degustada” meio (ok, é comida tex-mex…mas serve muito bem ao propósito) a fajitas, tacos e margaritas (aliás, a bebida se fala e escreve margArita e não marguErita, como a pizza).
Aproveitando o ensejo, vou fazer uma propaganda gratuita do restaurante, pois vale a pena (liguem para saber quando os mariachis tocam): RESTAURANTE EL MARIACHI
Um momento interessante destas degustação gastronômicas/musicais em São Paulo foi pedir aos mariachis “alguna musica de la revolución” e ouvir um tanto mais tarde uma canção que versa (como, a propósito, versa a segunda canção mais conhecida do México, La Cucaracha) sobre Pancho Villa!
Mencionei a “segunda canção mexicana mais conhecida”, La Cucaracha. O posto de La Cacuracha é apenas o segundo, pois La Bamba é que fica em primeiro lugar, certo? Mas Ritchie Valens era norte-americano!? Sim era, ao que parece ele nem mesmo falava espanhol fluentemente. Mas a canção La Bamba é uma canção do folclore verecruzano (relativo à província de Veracruz, localizada no sul do país, voltada ao golfo do méxico), do folclore jarocho mexicano. Na música verecruzana não ouvimos metais, como ouvimos em alguns grupos de mariachis da capital, a música jarocha é construída, sobretudo, em torno da harpa jarocha (observem na foto acima). O espírito da música, as far as a layman like me is concearned, é, contudo, da mesma alegria delicada e selvagem da música dos mariachis que ouvi por aqui e em outras gravações. Aliás, certa delicadesa selvagem é o que caracteriza a tequila também, não é? O aroma suave e cítrico do aguave (vocês já viram que planta bonita é o aguave-azul?) e o punch do álcool, do sal e do limão.
Bom, como exemplo da música jarocha, veracruzana, ficamos neste post com um álbum de um maravilhoso grupo chamado Tlen Huicani (procuncia-se “tlên ruicaaaaaaani” e significa cantores na língua nuhuatl). Grupo, formado em 1973, que recentemente se apresentou (e gravou um álbum) em conjunto com uma orquestra sinfônica, como vocês podem observar na foto que ilustra este post. O álbum para baixar aqui é o álbum Jarocho de 1991, e vocês encontram nele a versão tradicional de La Bamba.
Se você não tem como ir ao El Mariachi, tomar tequilas, margaritas, comer fajitas e bujitos, divirta-se com o play: Álbum – Tlen-Huicani – Jarocho.
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O Tlen-Huicani toca La Bamba (a original):


