Archive for the ‘I- Passeio pela Irlanda’ Category

4
nov

Passeio pela Irlanda: A flauta irlandesa.

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Por hora tratemos não dos whistles, mas da flauta irlandesa que é, como a flauta barroca, feita de madeira e sem as teclas introduzidas pelo ‘sistema boehm’. A flauta irlandesa no início era apenas uma flauta diatônica (como se tivessem apenas as teclas brancas do piano), mas a adição de chaves de metal permite hoje a construção de flautas irlandesas cromáticas (com as teclas pretas). Segundo a fonte nem sempre confiável, mas também nem sempre desconfiável, que é a wikipédia, a flauta de madeira de estilo barroco virou tradição na música irlandesa, pois nos séculos passados os músicos começaram a descartar estas flautas a fim de adquirir flautas de metal e com as teclas do ‘sistema boehm’. As flautas usadas dos aristocratas paravam, então, nas mãos dos músicos populares da Irlanda.

(Aqui) nós temos um play de Eamonn Cotter, um excelente flautista do condado de Clare.

E aí embaixo um excelente vídeo de um programa (chamado Full Set)  sobre música tradicional na TV estatal irlandesa ,a RTÉ, com Matt Malloy, o sensacional flautista dos Cheiftains e da Bothy Band em um duo com John Carty:

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2
nov

Passeio pela Irlanda: A harpa, Derek Bell.

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Agora uma outra face muito interessante da música irlandesa: a harpa.

Creio que podemos dizer que a face, digamos, “espiritual”, “new age”, da música irlandesa tem seus pés fincados na música da harpa irlandesa.Neste sentido o nome da harpista , cantora e compositora Loreena McKennitt, que lançou discos excelentes explorando esta face da tradição, nos vem imediatamente à mente. Algo curioso, entretanto, é notarmos que a música da harpa irlandesa talvez seja, de fato, aquilo que há de mais antigo na música tradicional. Não que seja música ‘celtas’, nem mesmo música diretamente ‘gaélica’(desta ‘tribo’ celta que vingou por tantos anos na Irlanda), mas é música que bebe diretamente de uma fonte dos encontrada nos séculos XVII e XVIII: as composições do harpista cego, Turlough O’Carolan (ou em gaélico: Toirdhealbhach Ó Cearbhalláin – gaélico é f…!).

As composições para harpa de O’Corolan, a que hoje temos acesso em partituras, bebe da música renascentista e barroca britânica e continental, no entanto, nela sobrevive algo do estilo tradicional – e no século XVII podemos falar, sobriamente, em real influência da música da época dos chieftains (não a banda, mas os reis gaélicos que comandaram a Irlanda por muitos séculos, mesmo depois de cristianizados e anexados ao território da coroa britânica).

Sobre a harpa, o instrumento, devemos notar também que não se trata de ouvirmos na música tradicional irlandesa somente a harpa de concerto, mas existe uma harpa “celta”. De fato, como vocês poderão conferir no álbum postado, a harpa de concerto soa muito mais aveludada e suave, já a ‘harpa celta’ lembra bastante a sonoridade do cravo, ela possui um som mais metalizado e ‘estalado’ – ouçam com atenção e perceberão!

Well, well, temos de escrever algo sobre Derek Bell, o  falecido harpista dos Chieftains (agora sim a banda!). Em primeira instância o que temos de fazer é sublinhar as excentricidades, muito engraçadas, de Derek ‘Ding Dong’ Bell: ele era o único chieftain a se apresentar sempre em trajes sociais. Ok, no entanto, suas calças eram, propositalmente, curtas, seu fraque não servia e (o mais legal!) ele usava meias do perna-longa, do frajola e do patolino para combinar! Lembrem-se disso da próxima vez que for necessário comparecer numa festa em trajes a rigor! Soma-se às excentricidades de Bell, sua inclinação a contar piadas sujas…seu primeiro álbum solo se chama: “Derek Bell Plays with himself”.

Excentricidades à parte (ah, esqueci também de seu engraçadíssimo ‘comprimento passarinho’, quem assistiu o DVD Down The Old Plank Road sabe!) Derek é, certamente, um grande harpista e um grande músico. Seus discos lançados sobre o nome de “Mystic Harp” são, a meu ver, aquilo que de mais interessante foi feito sobre a proposta “new age”, “mística”, na música irlandesa (e quanta música ruim, meramente oportunista, não é feita sobre a proposta!).

O que temos aqui, no entanto, é um outro play de Derek (Derek’s Musical Ireland), play que certamente irá agradar tanto os tradicionalistas quanto os “new agers” mais rigorosos: ((aqui))

Riam com Derek  c[:0):

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Tommy Potts é um caso à parte no violino irlandês. Nativo de Dublin o estilo de seu violino é talvez o mais singular na música tradicional irlandesa. Podemos considerar que Potts foi o violinista que mais alargou os limites da tradição. Seu violino soa completamente irlandês, no entanto, sua riquíssima ornamentação, a forma um tanto incomum de suas composições, faz  que sua música se afaste daquilo que se ouve nos pubs. Em The Parting Glass/The Bunch Of Keys, faixa que encerra seu primeiro e único LP (The Liffey Banks) esta peculiaridade de Potts se torna clara…imagine alguém dançando ao som desta melodia, ou mesmo sob o som de sua Crowley’s Reel!

Os leitores headbangers do blog talvez reconheçam The Butterfly melodia gravada originalmente por Potts e que é tocada no segundo disco da banda irlandesa de folk-metal, Cruachan.

Confiram o primeiro e único play de Tommy Potts – aqui -

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Já tratamos bastante do violino irlandês, mas até agora nada dos outros instrumentos. Aí vai então um post sobre Máirtín O’Connor, o guitar hero, ou melhor, o accordion hero da Irlanda. O cara já tocou em grandes bandas de música tradicional, como o De Dannan (que não é o nosso Thuatha rs.) e os escoceses do Boys Of The Lough e ainda com uma boa porção de artistas conhecidos do rock, como Mark Knopfler, Elvis Costello e Rod Stewart.

Pela foto postada fica evidente que o acordeão utilizado na música irlandesa não é  como o acordeão mais comum por aqui, o acordeão piano (cujas teclas da mão direita se assemelham as do piano) utilizado por Dominguinhos, Sivucas e muitos outros, mas é um acordeão de botões, como a ‘gaita-ponto’ do Renato Borghetti – e salvo engano se trata na grande maioria das vezes de acordeões diatônicos e não cromáticos (aqueles que tem as ‘notas pretas’ do piano). Acordeonistas que quiserem dizer algo mais útil a respeito sejam bem-vindos! rs.

Seja como for, se trata de excelente música. Confiram o primeiro play de Máirtín O’Connor (aqui).

E uma genial interpretação ao vivo, e irlandesa, de uma peça de Haendel:

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Mapa, bastante útil, retirado deste site

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Quando pesquisamos a respeito das diferenças regionais da música tradicional irlandesa, na maioria das vezes, é necessário uma audição bem atenta para notarmos as distinções. Afinal o que ouvimos são reels e mais reels entre algumas jigs, slip jigs e raramente algumas hornpipes (alias, para lembrarmos do que é uma hornpipe basta lembrarmos do cachimbo do Popye. A ‘sailor’s hornpipe’ que é tema do desenho é um exemplo da dança).

Se assim é na maioria das regiões este não é, no entanto, o caso da região do Sliabh Luachra (‘ixliav luachra’, segundo minhas recentes, frustrantes, tentativas de aprender a pronunciar gaélico), região que se localiza na região ao redor do rio blackwater na divisa entre os condados de Cork e Kerry, ao sul da Irlanda. Ao que parece esta divisão regional que não representa, até onde sei, nenhuma divisão política é lembrada constantemente devido justamente à música. Ocorre que a música da região ao invés de apresentar reels e mais reels (e algumas jigs), nos apresenta muitas polcas, marchas, valsas. É certamente uma face distinta da música irlandesa. A música do Sliabh Luachra, podemos considerar, dialoga mais de perto com a música da Europa continental, assim com a música inglesa (sim, existe música tradicional inglesa e ela é excelente).

Curiosidades musicológicas à parte a música do Sliabh Lauchra é excelente para os ouvidos – e para os pés daqueles que se dispõem (certamente não é o meu caso rs.)! Confiram uma compilação da música tradicional da  região (aqui).

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28
out

Passeio pela Irlanda: Paddy Reilly

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Do canto antigo para o “novo canto”!

Paddy Reilly, que excursionou e gravou com os Dubliners nesta década e na década passada, é um dos grandes interpretes das baladas irlandesas contemporâneas. Sua música e sua voz carrega evidentemente uma adequação maior à música das rádios (sean-nós certamente não renderia um hit single! rs), mas nem por isto Reilly deixa de cantar sobre os temas tradicionais – sobre a grande fome e o exílio (como em seu maior hit Field Of Athenry), sobre a independência da república do Eire (nas clássicas Come Out Ye Black and Tans e A Nation Once Again) – e nem por isto Rilley deixa de ser um grande cantor, representante da música irlandesa tradicional nas décadas de 60 e 70.

O ( play aqui ) consiste de uma coletânea de suas baladas.

P.S: A canção Fields Of Athenry, gravada em sua versão mais famosa por Reilly, é hoje para os irlandeses (e também para os torcedores do Celtic, clube do futebol escocês)  um “hino” cantado nos estádios de futebol. Vejam os torcedores irlandeses cantando, a plenos pulmões, Field Of Athenry num jogo das eliminatórias para a Copa do próximo ano:

Cantem junto hehehe:

“Low lie the fields of Athenry
Where once we watched the small free birds fly (..we watched small free birds fly!)
Our love was on the wing,we had dreams and songs to sing (..songs to sing!!)
It’s so lonely ’round the fields of Athenry.”

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