
Agora uma outra face muito interessante da música irlandesa: a harpa.
Creio que podemos dizer que a face, digamos, “espiritual”, “new age”, da música irlandesa tem seus pés fincados na música da harpa irlandesa.Neste sentido o nome da harpista , cantora e compositora Loreena McKennitt, que lançou discos excelentes explorando esta face da tradição, nos vem imediatamente à mente. Algo curioso, entretanto, é notarmos que a música da harpa irlandesa talvez seja, de fato, aquilo que há de mais antigo na música tradicional. Não que seja música ‘celtas’, nem mesmo música diretamente ‘gaélica’(desta ‘tribo’ celta que vingou por tantos anos na Irlanda), mas é música que bebe diretamente de uma fonte dos encontrada nos séculos XVII e XVIII: as composições do harpista cego, Turlough O’Carolan (ou em gaélico: Toirdhealbhach Ó Cearbhalláin – gaélico é f…!).
As composições para harpa de O’Corolan, a que hoje temos acesso em partituras, bebe da música renascentista e barroca britânica e continental, no entanto, nela sobrevive algo do estilo tradicional – e no século XVII podemos falar, sobriamente, em real influência da música da época dos chieftains (não a banda, mas os reis gaélicos que comandaram a Irlanda por muitos séculos, mesmo depois de cristianizados e anexados ao território da coroa britânica).
Sobre a harpa, o instrumento, devemos notar também que não se trata de ouvirmos na música tradicional irlandesa somente a harpa de concerto, mas existe uma harpa “celta”. De fato, como vocês poderão conferir no álbum postado, a harpa de concerto soa muito mais aveludada e suave, já a ‘harpa celta’ lembra bastante a sonoridade do cravo, ela possui um som mais metalizado e ‘estalado’ – ouçam com atenção e perceberão!
Well, well, temos de escrever algo sobre Derek Bell, o falecido harpista dos Chieftains (agora sim a banda!). Em primeira instância o que temos de fazer é sublinhar as excentricidades, muito engraçadas, de Derek ‘Ding Dong’ Bell: ele era o único chieftain a se apresentar sempre em trajes sociais. Ok, no entanto, suas calças eram, propositalmente, curtas, seu fraque não servia e (o mais legal!) ele usava meias do perna-longa, do frajola e do patolino para combinar! Lembrem-se disso da próxima vez que for necessário comparecer numa festa em trajes a rigor! Soma-se às excentricidades de Bell, sua inclinação a contar piadas sujas…seu primeiro álbum solo se chama: “Derek Bell Plays with himself”.
Excentricidades à parte (ah, esqueci também de seu engraçadíssimo ‘comprimento passarinho’, quem assistiu o DVD Down The Old Plank Road sabe!) Derek é, certamente, um grande harpista e um grande músico. Seus discos lançados sobre o nome de “Mystic Harp” são, a meu ver, aquilo que de mais interessante foi feito sobre a proposta “new age”, “mística”, na música irlandesa (e quanta música ruim, meramente oportunista, não é feita sobre a proposta!).
O que temos aqui, no entanto, é um outro play de Derek (Derek’s Musical Ireland), play que certamente irá agradar tanto os tradicionalistas quanto os “new agers” mais rigorosos: ((aqui))
Riam com Derek c[:0):




