Archive for the ‘xSem categoriax’ Category

34560_Emir Kusturica  The No Smoking Orchestra

Mais de um mês sem sequer um post no blog. Isto significa: ”causos” para contar. No início deste ano realizei uma serie de viagens através das ilhas britânicas, sempre com alguma ‘’distração’’ musical pelo caminho. Ou talvez seria correto dizer que realizei através das ilhas britânicas algumas viagens musicais com algumas distrações turísticas pelo caminho?

Seja como for, começo o papo por aqui pela viagem à costa oeste da Irlanda, a um dos solos sagrados musica irlandesa… a vila de Doolin.

doolin

Doolin e’ um vilarejo de pescadores – hoje, de fato, um local mojaritariamente dedicado ao turismo. A vila e’ a cidade natal, dentre outros grandes da musica tradicional irlandesa, dos irmãos Russel. Da vila você pode andar ate’ os famosos Cliffs of Moher. Os ‘’penhascos’’ são, sem dúvida, impressionantes, mas confesso que mais do que eles me impressionou o caminho ate’ la’: as trilhas que nos levam aos penhascos (ou não nos levam… no primeiro dos dias que passei em Doolin deixei–me perder nas lindas trilhas paralelas!).

Em Doolin existem quatro pubs, três deles famosos pela música: O McDermotts, onde ouvi uma excelente session com uma violinista (so they say!) ganhadora de um prêmio nacional (ou um prêmio all-ireland, como e’ comum ouvir por aqui). O McGann’s, onde não ouvi session alguma, mas onde me impressionaram os quadros penduradas na parede retratando grandes nomes da musica irlandesa. E por fim, o pub Gus O’Connors, outro templo da música em Doolin!

Visitei a cidade fora de época, como diríamos por aqui, e o silêncio (incluindo, infelizmente, o dos instrumentos musicais) me inclinou muito mais ‘as longas e inspiradoras caminhadas entre o verde e o cinza do que aos pubs. Excelente, contudo, foi ter me hospedado no Flanagan’s Hostel, um albergue cujo dono e’, além de uma excelente pessoa, um ótimo bandolinista! Dele ouvi muito do que só havia lido acerca da musica. Como ela teve de sair, devido à pressão da Igreja, das casas em direção aos ‘’salões autorizados’’ e destes salões, mais tarde, aos pubs; e ainda como os pubs carregaram consigo (e ainda carregam) o risco do alcoolismo!

Foi uma viagem curiosa, um tanto melancólica (o verde, o cinza, vacas, cavalos e a mim mesmo era o que via nestas caminhadas!), mas deixou saudades!

Falemos da Escócia. Glasgow foi para onde viajei a fim de conferir o excelente Celtic Connection Festival. A cidade escocesa por mais de duas semanas recebe músicos da cena folk, ou tradicional (ou seja como for…) de todo o mundo; em especial, claro, músicos das ilhas britânicas. Por lá pude conferir um ‘’novo velho favorito’’ desta ilha aqui à esquerda: Finbar Furey. O Tom Waits da música tradicional irlandesa? No mesmo ‘’concerto’’ esteve o excelente guitarrista inglês Martin Simpson, acompanhados dos não menos laureados, Dick Gaughan e June Tabor. Apresentação inspiradora!

Finbar na Trilha de Gangues de Nova Iorque!

Em Glasgow também estiveram as violinistas das ilhas Orkney, as irmãs Wrigley, de quem já tratei por aqui! Concerto tecnicamente excelente, musicalmente curioso (o sabor nórdico da musica escocesa das Orkneys!) e divertido (piadas sobre habitantes das ilhas!).

Inspirador foi também o Tributo em homenagem ‘a Alistair Hulett, músico e ativista escocês (radicado na Australia). La estavam Ian Bruce, ótimo cantor escocês; Karine Polwart, excelente compositora e cantora; Penny Stone, ganhadora do concurso promovido pelo Alistair Hulett Memorial Fund; meu preferido da nova geração de músicos britânicos, Alasdair Roberts; e, por fim, meu cantor preferido e um caro amigo, o já nosso conhecido, Roy Bailey. Infelizmente devido a complicações relacionadas à saúde o grande violinista Dave Swarbrick, companheiro de muitos anos de Alistair Hulett, não pode comparecer ao evento.

Em meu ultimo dia musical em Glasgow quem vi foi Emir Kustirica e a sua Non-Smoking Orchestra. A primeira impressão que tive ao entrar no luxuoso Royal Concert Hall de Glasgow para ver, o usualmente bastante ‘’animado’’, concerto de Kusturica foi: Vai dar merda! Srs. e Sras bem-vestidas em um show de Kusturica? Não deu outra, logo que começou a apresentação os ‘’kusturica heads’’ correram pra frente do palco (dançando feito dervixes despirocados…) e dai’ decorreu o divertido embate entre, de um lado, a banda e o público (a maior parte dele…) e, de outro, a segurança do local. Nada que impedisse (muito ao contrário!) o concerto de se transformar em um dos mais divertidos que já assisti! Pink Floyd, mais Taraf de Haidouks, mais musica brega, mais Metallica, mais humor Monty Python…temos a Non-Smoking Orchestra! Destaque vai para a gloriosa ‘’Fuck you MTV!’’, cujo refrão foi cantado a plenos pulmões na luxuosa casa! Se tiverem a oportunidade de conferir a apresentação de Kusturica e sua orquestra,  não percam de maneira alguma!

Para por ponto final nestes causos todos irei apenas mencionar os shows que vi na casa Vicar Street, talvez a mais prestigiada de Dublin – que não fica na rua Vicar, mas na rua Thomas, para aqueles que algum dia forem ‘a Dublin! Por la’ vi os Dubliners gravarem o DVD  comemorando os 50 anos do grupo! Andy Irvine & Paul Brady em um concerto impecável! Andy Irvine & Donal Lunny & Liam O’Flynn & Paddy Glackin em um all-star da musica irlandesa (?). E, por fim, ontem pude conferir um adorável concerto beneficente, em prol de um bebe’ com problemas de saúde, em que participaram artistas como meu  ”velho novo preferido Tom Waits da Irlanda’’, Finbar Furey; membros dos Dubliners como John Sheehan (que tocou um choro brasileiro) e o indefectível, Barney McKenna, assim comooutros músicos da cena tradicional dublinense, não menos excelentes!

Os vejo no Caribe…

Share/Save/Bookmark

Apresentação completa do excelente grupo da República de Tuva (uma divisão federal da Federação Russa), Huun-Huur-Tu. O grupo já tocou com os Chietftains e Frank Zappa era um grande fã. Outro tesouro escondido no You Tube!

Share/Save/Bookmark

Related posts

O tradutor do google anda bem engraçadinho atualmente , já notaram? Traduz, por exemplo, Armandinho por Aerosmith (?!?). E a útil expressão ‘’encher linguiça’’ em alemão virou Füllstoff,  que e’, certamente, um nome bem legal para esta nova seção do blog em que posto (entre outras coisas) vídeos disponíveis no You Tube (sobretudo aproveitando o fato de hoje ser possível postar shows inteiros)

Vai ai’ uma boa dica (aproveitem enquanto esta online!): Um show (quase?) completo do Vartinna, grupo finlandês que interpreta (e reinventa) de maneira contemporânea, mas sem soar comercial ou notavelmente palatável, a tradição musical finlandesa. Vale guardar uma tarde, ou noite, ou manha, entediante para assistir!

Share/Save/Bookmark

Related posts

307733_217025091703177_100001870621471_545049_857189460_n

Eu acho que dentre todas as vantagens que motivam alguém a escrever um blog a mais legal delas e’ o potencial que este site pode ter de nos aproximar de pessoas com quem partilhamos gostos, valores e etc.

Quando, faz por volta de um ano meio, comecei a escrever este blog, jamais imaginei que iria encontrar os adoráveis ‘folks’ que conheci por aqui pessoalmente. Tanto menos na Irlanda! Tanto menos tocando musica irlandesa na Irlanda!

Contudo, foi o que ocorreu (jolly world!) e no Brasil Celtic Festival, dia 3/11 de 2011, pude conferir a musica dos colegas do Café Irlanda, assim como a musica do excelente grupo Agua Negra (em que toca o amigo Tabhair Rios, ou Vitor Dom Lamh?), sem contar a apresentação do grande virtuose do bandolim, Armandinho Macedo!

Foi excelente cantar na plateia os standarts do cancioneiro irlandês (como Wild Rover ou Whiskey In Jar) em conjunto com os compatriotas do Café Irlanda! Eles certamente (sem deixarem de ser brasileiros) fizeram justiça ‘a musica irlandesa na terra natal ”da musica”.


Igualmente bom foi o show do Agua Negra (foto). Grupo que contou nesta apresentação em Dublim (aguardem as novidades!) com o fiddler, alemão-irlandês-brasileiro, Martin Kraut, Vitor Rios no bouzouki e bandolim, Humberto Monteiro Fernandez na bateria e percussão e um tocador de bodhran que não tenho o nome em mãos (N. do. B.: Kevin Larkin) – mas que e’ muito competente, como são os demais integrantes do grupo!

O Agua Negra, ao contrario do Café Irlanda, não investe no cancioneiro, mas exclusivamente nos sets instrumentais, em que eles mesclam, muito bem, elementos brasileiros (sobretudo do Nordeste, visto que o grupo e’ de Salvador) com a tradição irlandesa. E no que fazem eles não estão, de forma alguma, abaixo do que se ouve nas melhores praças dublinenses! Ouçam o grupo, contando com a participacao de Armandinho, e comprovem!



E então a Inglaterra! Escrevi bastante sobre a musica folk inglesa por aqui e continuarei escrevendo o quanto puder, pois e’ uma tradição belíssima, que esta se renovando como poucas, mas que e’ pouco exportada.

No final de Novembro tomei um voo (que me custou por volta de 40 euros ida e volta; e’ bastante barato viajar pela Europa) para o aeroporto de Leeds/Bradford a fim de conferir o festival Raise Your Banners que ocorre a cada dois anos na cidade de Bradford. Trata-se de um festival voltado a compositores, interpretes e palestrantes engajados politicamente. E dentro do espectro politico trata-se de um festival SOCIALISTA (com letras maiúsculas, como escreve no programa do festival seu patrono, nosso conhecido, Roy Bailey).

Como uma espécie de introdução ao festival pude conferir em um clube de folk da região (o Topic Club) um dos gigantes da musica inglesa: Martin Carthy. Apenas voz e violão e diversas (e belíssimas!) baladas!


No intervalo entres as duas partes da apresentação (entre uma ale e outra! E eu adoro as cask ales inglesas!) pude trocar algumas palavras com Martin Carthy! Ele não entendeu nada do que eu disse!  E acho que também não entendi o que ele disse, visto que ele disse (pelo que entendi!) que ele jamais havia tocado no Steeleye Span (e ele tocou!). Ainda assim foi uma experiência memorável, como foi o show integralmente (que contou também com a participação de ótimos compositores locais – incluindo um Sr. que tocou uma ótima canção baseada em um poema de Heinrich Heine!).

O fato e’ que quando escrevia para o Whiplash sobre folk-rock inglês (faz já uma década!) jamais imaginei que veria figuras como Martin Carthy em carne e osso (no caso de Martin, e’ verdade, mais ossos…)!

E então, no dia seguinte, o festival propriamente dito.  No dia anterior, no Topic Club, a organização do Raise Your Banners havia requisitado a contribuição de alguns voluntários para ajudar na organização do festival. Então lá fui eu! Ate que vi as deliciosas cask ales a venda no saguão… perderam um voluntario! Não que, os bastante amáveis, organizadores tivessem se importado com a ausência do improvável brasileiro.

E no saguão do Kala Sangan Hall (Carl Sagan Hall em indiano?), onde ocorreu o festival, encontrei novamente Roy Bailey, correndo feito o coelho de Lewis Carrol! E novamente tive o prazer de assistir a apresentação do grande sujeito! Além de, antes de sua apresentação, manter o tipo de conversações improváveis que adoro manter: Como aquela que mantive com um casal de idosos de Birmingham a respeito das bandas desta cidade que cresci ouvindo: Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple!

No festival ouvi também os competentes Hall Brothers com a participação da (interessante!) cantora Michelle Plum.


Por fim, pude ouvir outros dos gigantes da musica inglesa: John Tams (ex-Muckram Wakes e Albion Band), acompanhado do, não menos competente, Barry Coope.


No final da apresentação vi alguns CDs à venda e, seguindo a recomendação de um dos adoráveis organizadores, adquiri um disco chamado Alright Jack da banda Home Service, em que tocou, e ainda toca, John Tams. Menciono o fato pois quando cheguei em casa (isto e’, do outro lado do mar da Irlanda…) fiquei de queixo caído! Excelente disco! A banda conta com uma seção de metais fixa e estende, muitas vezes e sem soar ‘pedante’, a estrutura das canções tradicionais para muito além do obvio! Um dos melhores discos do folk-rock inglês, sem duvida alguma! Confiram esta faixa abaixo e tentem manter suas mandibulas grudadas ao cranio!



Esperem por mais desventuras soporíferas (?) e, logo mais, um novo ”ciclo” como nos ‘good ol’ times’.

Cheers!

Share/Save/Bookmark

Related posts

24
dez

Bem-vindos de volta!

   Posted by: tiago

calvin_hobbes_christmas_1 ”A melhor decoração de Natal de todos os tempos???”

Aproveitando a onda natalina resolvi presentear a mim mesmo, e os velhinhos e velinhas que por um acaso gostavam deste blog, com o retorno ao trabalho por aqui!

Como os colegas e amigos provavelmente já sabem, estou morando (não sei ao certo por quanto tempo) na Irlanda; o que significa estórias para contar e não muitos discos para compartilhar. Espero que gostem de estórias – mais do que baixar centenas de CDs!

Mas não se preocupem, haverá CDs!

Devo falar da Irlanda. Por onde começar? Talvez pela seisiun na sede do Comhaltas Ceoltóirí Éireann em Monkstown (sul de Dublin) que vi e ouvi no mesmo dia em que cheguei. O Comhaltas (pronuncia-se coutas), uma instituição publica com centros espalhados por toda Irlanda, e’ o principal pólo de divulgação da cultura ‘’tradicional’’ irlandesa, sobretudo a música e a dança. Não esperem ouvir versões irlandesas de canções dos Beatles por lá. O Comhaltas e’, em geral, o lugar para ouvir a música tradicional como era tocada no início do século XX, antes da Bothy Band, antes dos Chieftains. Famílias tocam juntas no pub que fica neste centro cultural em Monkstown que e’, certamente, meu lugar favorito para ouvir musica em Dublin! As mencionadas seisiuns, que não são sessions, mas apresentações, ocorrem todos os verões em todas as filias do Comhaltas. Nestas apresentações temos a ‘nata’ dos músicos e dançarinos e dançarinas ligado ‘a instituição.

Foi uma grande honra assistir a apresentação – com excelentes harpistas, uileann pipers etc. – ainda que a exaustão tenha me levado a quase ser carregado de ambulância de volta para ‘’casa’’ (e eu só havia ‘’entornado’’ uma xicara de chá!).

De lá para cá (Agosto – Dezembro) frequentei diversas das sessions (além das seisiuns…) no Comhaltas de Monktown, e continuarei a frequentar sempre que puder. Lovely (os irlandeses adoram a palavra lovely – e eu também!) place…

A propósito, um musico bastante especial que frequenta as sessions do Comhaltas e’ um acordeonista, que aparenta (espero estar correto…) algo em torno de noventa anos de idade, chamado Arthur. Depois de ouvi-lo tocar decidi denomina-lo ‘’o James Joyce do acordeão irlandês’’! Valsas que em geral duram um par de minutos se transformam em digressões progressivas de sete minutos em suas mãos. Bastante…peculiar… e claro… lovely!

Termino esta sessão de causos (haverá muitas outras) escrevendo sobre o Beamish Folk Festival em Cork.

O BFF, que ocorreu no final de Setembro, foi onde tive o grande prazer de ouvir alguns dos ‘’gigantes’’ da musica irlandesa como o piper Paddy Keenan. O Hendrix da gaita? Foi a impressão que tive ouvindo aquilo que Keenan fazia com as tunes (que, alias, Keenan, como todo bom gaiteiro, jamais recordava o nome…) que tocava.


Como abertura ao concerto de Keenan ouvi ainda uma cantora que me impressionou bastante chamada Jenna Nichols. Algo no estilo Kate Bush ou Martha Wainwright, portanto nada tradicional, mas que vale ouvir: http://www.myspace.com/jennanicholls

Outros dos grandes da musica irlandesa que ouvi em Cork (que não e’ mais bela das cidades, mas e’ uma cidade cheia de musica e eventos!) foi o Lunasa. Ok, e’ oposto do que ouço, e adoro, em Monkstown, mas e’ evidente a enorme destreza técnica dos músicos; não e’ o que se toca e ouve ao lado de uma lareira tomando chá ou uma stout, como prefiro, mas e’ inegavelmente excelente!


Outros dos eventos que tive o prazer de presenciar foi o tributo a Sean O Riada. O Riada (escrevi sobre o sujeito nos halcyon days deste blog!) foi professor na Universidade de Cork, ou seja, muitos dos conhecidos do sujeito (para mim o maior da musica irlandesa!) estavam por lá; incluindo seu filho, que tocou concertina com Mícheál O Súilleabhain (um aluno e colega de O Riada) e Mel Mercier num interessante tributo ao mestre!


Ainda melhor, contudo, que o tributo oficial levado a cabo por Mícheál O Súilleabhain foi, ao meu ver, ouvir um dos colegas de Sean O Riada, um uileann piper chamado Tomás Ó Canainn. Tomas conhecia O Riada muito bem e contou diversos dos causos de O Riada, além de tocar tunes conhecidas pelos arranjos da Ceoltoiri Cualann.

A biblioteca municipal de Cork, onde ocorreu o recital de Tomas, merece, alias, um paragrafo a parte, pois se trata, sem duvida, da biblioteca mais ‘cool’ que já visitei. Enumeremos os motivos: 1- Há um busto de Sean O Riada na biblioteca; 2- Há uma replica da Fender Strato bege de Rory Gallagher (que cresceu em Cork) na biblioteca. 3 – Há outra guitarra assinada por nomes como Cozy Powell, Yngwie Malmsteen e Jack Bruce na biblioteca (!?!?). 4- Há uma biblioteca de CDs e DVDs no interior da biblioteca; incluindo, além de uma seção excelente de musica tradicional irlandesa, uma ótima seção dedicada ao rock e ao metal! 5 – Last but not least, pois além do gaiteiro amigo de Sean O Riada, Roy Bailey tocou na biblioteca!

Sim, meu cantor favorito (e hoje posso dizer também um dos meus seres humanos favoritos!) o inglês Roy Bailey tocou na Biblioteca de Cork em uma apresentação (lovely!) para crianças! Eu adoro paradoxos e ver um cantor ateu e socialista realizar uma apresentação adorável para crianças e’ certamente um glorioso exemplo! Mais tarde no mesmo dia, além de poder conversar com Roy, que se mostrou dono de uma enorme gentileza, pude assistir a não menos excelente apresentação dedicada aos ‘chatos adultos’. E o fato e’ que, no alto de seus setenta e seis anos, Roy ainda coloca a maioria dos jovens no chinelo…

Ainda há muitos causos a serem contados. Mas por hoje e so’ pessoal! Feliz (como diria Roy Bailey…) Solstício de Inverno!! E aguardem as novidades!

Share/Save/Bookmark

photo_harp

Creio que muitos aqui no Brasil conseguem relacionar de algum modo a música paraguaia à sua antiga relação com a harpa, a harpa que hoje denominamos a harpa paraguaia. Poucos , contudo, rendem a esta tradição o valor que ela merece.

A harpa surge no Paraguai, de fato, nos primeiros séculos da colonização da América, no interior do processo da catequização mantido pelos jesuítas. A tradição da harpa espanhola se mesclou assim às tradições dos índios guaranis para formar a música da harpa paraguaia como podemos ouvir hoje. A harpa paraguaia recebe este adjetivo gentílico pois enquanto as harpas no resto do mundo foram agregando pedais e chaves para garantir a possibilidade de emitir semitons (lembram da harpa galesa que utiliza três fileiras de cordas para garantir uma escala cromática, além de um efeito de eco?) a harpa no Paraguai permaneceu em essência a mesma da Espanha renascentista.

Se vocês quiserem saber mais da história da harpa paraguaia, e entendem a língua inglesa, vocês podem ler um artigo e ouvir um mini-documentário da BBC inglesa a respeito: aqui

Aqui vocês encontram uma elucidativa resenha de uma apresentação de César Cataldo, um dos mestres da harpa paraguaia.

Como um, excelente, exemplo da música da harpa paraguia deixo para baixar por aqui um CD de outro grande mestre da harpa paraguia, Enrique Samaniego (este do video abaixo).

No CD Secretos de la Harpa Paraguaya encotramos gravações para melodias tradicionais da harpa paraguaia, tais como Tren Lechero. Melodia esta que, conforme lemos na resenha da apresentação de César Cataldo, emula na harpa o som do “trem leiteiro” a que se refere o título. Melodia cheia de idas e vindas, de paradas e recomeços até chegarmos ao final da jornada imaginária e musical. Movimentação que é, contudo, tranquila como era, afinal, aos nosso olhos, a tecnologia ferroviaria da época em que foi escrita a melodia.

Outro clássico que imita o mundo através de sons, no interior do cânone da harpa paraguaia, é o Pajaro Canpaña. Versão guarani do Pássaro de Fogo de Stravisnsky!? O fato é que a música tradicional sempre esteve repleta de imitações musicais do mundo, das coisas, dos animais. E eis aí glissandos imitando vôos, arpeggios, ciscadas e por aí vai!

Fiquem, então, com este excelente álbum: Enrique Samaniego – Secretos De La Harpa Paraguaia.

Share/Save/Bookmark

Related posts

23
ago

Folclore e Futebol na Copa da África: Nigéria.

   Posted by: tiago Tags: ,

fela1

Olá folks ,

Primeiro, desculpem-me pela ausência (estou ainda terrivelment ocupado). Sempre que puder, contudo, continuo tocando a frente este projeto que, ao menos em seu tema, já está bastante caduco.

Geralmente posto neste blog exemplos mais tradicionais das músicas dos países em questão. Não dá, no entanto, para escrever sobre a música da Nigéria sem escrever sobre o pai do afrobeat, Fela Kuti. Kuti foi um músico engajado politicamente (de maneira nem sempre ortodoxas – ele chegou a montar uma comuna de músicos que se auto-proclamou autônoma em relação à Nigéria) e ainda é dono de uma grande inventividade que o fez um dos pioneiros na mistura de genêros africanos à musica ocidental (mescla que, hoje, faz o sucesso de inúmeros musicos como Youssou’n'Dour, Salif Keita ou Sade, esta última também da Nigéria).

O afropop de Fela Kuti é um caldo grosso do jazz, do soul, do blues unido aos cantos tradicionais nigerianos. Em alguns momentos sua música lembra o que Bob Marley e o reggea faz com a música caribenha. O elemento da música negra norte-americana é , no entanto, em Kuti mais evidente. Do jazz ele absorve as longas passagens instrumentais. O elemento africano, no entanto, é nitidamente reconhecível, o que faz do já ótimo groove de Kuti algo bastante especial.

Fiquem com o álbum de 1970:  Fela Kuti – Black Man’s Cry

Share/Save/Bookmark

Related posts