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Bob Roberts by Brian Shuel Keele (EFDSS)FF

De volta a nosso percurso na tradição inglesa temos mais um post sobre a região de East Anglia, tratando de Bob Roberts e dos sea shanties.

Bob Roberts (1907 – 1982, foto) foi um exímio contador de estórias, músico (cantor e acordeonista) além de marinheiro (de fato…); sujeito que carregou consigo muito da tradição musical inglesa, sobretudo das canções de marinheiros.

As canções e estórias na memória de Roberts foram o suficiente para atrair no século passado a atenção de um dos maiores compositores de música erudita da Grã-Bretanha, Ralph Vaughn Williams, assim como para atrair folcloristas e produtores da BBC de Londres que gravaram muitas das canções e estórias que Roberts trazia consigo.

Enquanto marinheiro, Roberts era exímio conhecedor e cantor (qualquer semelhança com a voz do marinheiro Popye é apenas semelhança entre companheiros de profissão! hehe), sobretudo, de sea shanties, dos cantos (shanty de chanter em francês) de marinheiros.

Não é exclusividade da Inglaterra, tampouco da East Anglia, os sea shanties. Eles são, em geral, canções que os marinheiros utilizavam (creio que ainda utilizam) para coordenar suas atividades, por isto as repetições e os coros típicos das canções para coordenar atividades (na escola geralmente aprendemos algumas delas…). De qualquer forma, a música tradicional inglesa é rica em sea shanties, e tanto mais a East Anglia com cantores e músicos importantes que trabalham nesta tradição como Roberts e Harry Cox presentes na compilação de sea shanties para baixar logo abaixo.

Fiquem então com compilação de sea shanties ingleses que é bem legal: CD Sea Songs & Shanties

E….Heave Away! Haul Away!

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Scarecrow

Comecemos pelo sudeste da Inglaterra na região da East Anglia (que envolve os condados de Cambridgeshire,Herfordshire,Essex,Sussex, Norfolk e Beds).

East Anglia que é lar de alguns nomes importantes da música tradicional inglesa como Bob Roberts e Harry Cox (que trataremos no próximo post) e num período mais contemporâneo, lar do melodeon player, do tocador de melodeon (espécie de acordeão diatônico inglês), Tony Hall.

No play (ou álbum , a estas alturas vocês já perceberam que chamo álbum de play hehe)  de Tony Hall que disponibilizo abaixo para baixar, chamado “One Man Hand” (trocadilho de acordeonista com one man band….), acho que já temos uma imagem da medida que a música inglesa se aproxima e se distancia de sua prima mais conhecida, a música irlandesa.

Um primeiro ponto é que a música é mais swingada, é mais giguer, que a irlandesa, sobretudo que os reels irlandeses.

Outro ponto é que ingleses adoram canções (sim os Beatles são ingleses, não à toa). Um acordeonista irlandês não incluiria canções em seu álbum, já  Tony Hall, com os pés fincandos na grande tradição da canção em East Anglia, inclui excelentes canções tradicionais em seu álbum: sejam  sea shanties, as canções de marinheiro, como Down on The Hard (esta cujo refrão fez o favor de grudar em minha mente), sejam as canções mais “tristes”, ou “eerie” (como traduzir eerie?) e “mórbidas”  como Strange Fruit (muitas das canções inglesas possuem como temas assassinatos,  e os crimes humanos, além do crime capital que a natureza comete contra todo homem, a morte – a letra de Strange Fruit, por exemplo, nos reporta ao odor da carne humana em chamas).

Na música inglesa encontramos muitas valsas, marchas além das jigs – e estas são tocadas, a meu ver, de maneira um tanto mais interpretativa, mais dramática, menos técnica que em geral a música irlandesa, ao menos a instrumental (o canto sean-nos irlandês é bastante bonito em sua dramaticidade) o é.

Aqueles que gostam da música irlandesa (ou da música “celta”), ou mesmo das baladas da música popular contemporânea (quem gosta de Nick Drake , John Martyn ou mesmo Bob Dylan), vão encontrar na música tradicional inglesa um interessante correlato. Me agrada na música inglesa, sobretudo, a mescla de sentimentos, ela é frívola  (pastoral) e profunda, alegre e um tanto melancólica, ao mesmo tempo.

Para começar nossa peregrinação pela velha Albion, fiquem com o excelente play de Tony Hall: Tony Hall – One Man Hand

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