Posts Tagged ‘fado’

5
set

Podcast…!

   Posted by: tiago    in xSem categoriax

FADO - Pintura em azulejo de José Malhoa

Um podcast do That’s All Folk!?!?!?!

Curtam (ou nao), comentem (sim, comentem!).

O podcast do programa número 1. Sobre o Fado português!
Apresentação: George Garcia e Tiago Lucas

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São bastante populares na região de Coimbra ao norte de Lisboa (ver o mapa de distritos) as canções de rua. Muitas são as espécies de canções que são tocadas nas ruas por homens (ate onde sei predominam em larga medida os homens na música de Coimbra) vestidos em capas negras, munidos de violões e guitarras portuguesas (como na foto). Dentre estas canções se destaca evidentemente o fado. Fado que de sua origem lisboeta, dos bairros de Alfama e da Mouraria, migra para Coimbra.

Em Coimbra o fado é abraçado nos meios universitários. Lá podemos dizer que o fado manteve em maior grau suas origens proletárias (de fato, como nos conta um documentário bem legal da BBC sobre o fado, o gênero nas primeiras décadas do século XX era bastante engajado politicamente – um engajamento abertamente socialista em muitos casos), mas aqui não através dos próprios trabalhadores eles mesmos, mas dos universitários que se punham na perspectivas destes, contra a estratificação social e contra a ditadura de Salazar. É das ruas de Coimbra, afinal, que surge um dos principais nomes da canção portuguesa, um dos principais opositores na cultura portuguesa da ditadura militar: Zeca Afonso.

Característico do fado de Coimbra é a afinação dos instrumentos (da guitarra portuguesa e do violão) mais baixa do que as do fado lisboeta – o que proporciona ao fado da região um ar mais, ou ainda mais, sereno e soturno que o do fado lisboeta.

Confiram uma gravação do fado de Coimbra por Fernando Machado Soares: CD O Fado de Coimbra

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21
nov

De volta a Portugal: O fado lisboeta.

   Posted by: tiago    in II- Volta por Portugal

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Chegamos então ao miolo, ao coração, daquilo que da música portuguesa se transmite ao mundo: o fado.

O fado é estilo musical cuja origem os musicólogos encontram, curiosamente, aqui no Brasil. No período das guerras napoleônicas, e da invasão de Portugal pelo exército francês, como podemos nos lembrar das aulas de história, a família real se muda para o Brasil levando com eles muitos imigrantes. Quando estes imigrantes retornam mais tarde a Portugal eles levam consigo uma música de matiz africano, melodias em modos menores, como são as do blues e as do fado de hoje.

Esta raiz afro-brasileira vem, mais tarde, a adquirir o caldo europeu. A guitarra portuguesa, instrumento de seis cordas duplas que produz o som suavemente estalado característico do fado, dizem alguns musicólogos, teria sua origem vinculado ao alaúde inglês, trazido pelos comerciantes de vinho em O Porto (quem gosta de vinho ou de história sabe que os portuguesas importavam muitos de seus “port wines” para os ingleses – em troca se abriram a manufatura inglesa, com conseqüências desastrosas para o desenvolvimento econômico de Portugal).

De fato, a origem do fado nos remete a Lisboa, e mais especificamente ao bairro da Alfama, bairro de marinheiros, estivadores, pescadores e também de meretrizes (como a célebre Maria Severa, mulher pioneira no canto e na guitarra portuguesa). Foi lá aos pés do Castelo de São Jorge que o fado tomou forma.

Tive a oportunidade de visitar a Alfama há alguns. Se trata ,de fato, um lugar bastante peculiar e especial. Casas, e pequenos edifícios de moradores dividem o espaço com os restaurantes e as tascas do fado. Andar nas ruas sinuosas ,coloridas, velhas (mas de forma alguma feias!) do bairro é mesmo uma grande experiência. Tanto mais quando você tem a oportunidade para para ouvir o fado.

Por lá visitei duas “casa de fado”. Em uma delas, chamada “O Coração da Alfama” se não me falha a memória, um senhor cantava acompanhado de um “guitarrist”a e de um violonista (como na formação tradicional). O mesmo senhor que canta, e muito bem!, é aquele que anota seu pedido e que te serve! E que comida maravilhosa é a portuguesa! E que música maravilhosa se toca dentro destas tascas! Interessante foi ainda trocar idéia com Sr, dono da tasca,sobre Madredeus, sobre Carlos Paredes (grande guitarrista português) – e lá foi o tiozinho a colocar um CD do Paredes para tocar!Tiozinho gente boa ele! c[:0)

A outra “casa de fado” que visitei em Lisboa foi a tradicional “Parreirinha da Alfama” (foto – que não é minha rs.). Lá o que se passa é uma grande apresentação de fadistas! Cantoras e cantores se revezam em meio ao jantar. E lá vamos nós nos revezando entre “porco à alentajana” (acho que foi isto que comi lá hehe), cerveja Sagres e as “Caravelas, Caravelas” e “Casas portuguesas com certeza”!

A dona da Parreirinha da Alfama em particular nos interessa: Argentina Santos, a dona, é uma lenda do fado, uma grande cantora em um estilo anterior ao de Amália Rodrigues (cantora de fado que é o maior nome da música portuguesa , sem dúvida!), estilo menos ornamentado, um tanto mais “aveludado”. Além de mandar turistas chatos ficarem em silêncio no restaurante (na verdade ela fica na porta da casa e parece cuidar de tudo por lá) Argentina vende na casa seu CD…não precisa dizer que eu comprei um exemplar assinado (sim, ele já veio assinado – e depois dizem que portugueses não são práticos hehe)…e não precisa dizer que “ripei” ele para por para download aí embaixo!

CD Argentina Santos.

P.S: Acabei por não descrever o fado enquanto música, mas ora, não precisa, baixem o CD!!! c[:0)

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