Posts Tagged ‘harpa’

th1

Para dar início a nossa passagem por Gales (ou Cymru na belíssima língua galesa – dizem que Tolkien adorava a suavidade da língua galesa o que o fez a utilizar como fundamento para a língua dos elfos em Senhor dos Anéis), não poderíamos tratar de outra coisa senão da harpa. A harpa que é o objeto símbolo do país.

Gales possuí uma longa tradição de harpistas e o país possuí ainda uma harpa que se tornou, embora não tenha sido concebida no país , um instrumento tradicional local: a triple-harp ou a harpa-tripla.

Trata-se de uma harpa bastante singular: ela possui três fileiras de cordas (vejam na foto). As duas exteriores afinadas em uníssonos formando uma escala diatônica (só o que seriam as teclas brancas do piano) e as cordas interiores com o que seriam as teclas pretas do piano (os bemóis e sustenidos). As cordas exteriores em uníssono servem para possibilitar um “efeito cascata”, fazer as notas se repetirem, ecoarem, quando o harpista toca a mesma nota em seqüência em mãos distintas. Já as cordas do meio servem para dispensar o pedal das harpas de concerto sem que a harpa  perca alcance (a harpa-tripla alcança cinco oitavas).

Entre os grandes músicos galeses da harpa-tripla temos hoje, por exemplo, Robin Huw Bowen, harpista da excelente banda Crasdant, e também um artista solo que podemos ouvir executando a harpa-tripla solo neste bonito álbum que compartilho por aqui: CD Robin Bowen – Harp Music Of Wales

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,

Mapa do país de Gales (em vermelho):

Wales_Map_British_Isles

Pibau, a gaita-de-fole galesa:

A harpa-tripla:

O pibgorn:

O Crwth (explicações a respeito do instrumento no video):

Carreg Lafar, banda galesa:

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,

170px-Celtic_harp_dsc05425

Um adendo sobre a harpa irlandesa: Há uma entrada na wikipedia (repleta de notas de rodapé com as fontes utilizadas o que a torna bastante confiável) sobre a ‘clàrsach’ ou ‘cláirseach’ nome gaélico (gaélico escocês e gaélico irlandês medieval, respectivamente) para a “harpa celta”. Lá eles apontam ao fato da harpa antiga, com as cordas de metal, ser utilizada na Irlanda até o século XIX. A partir do século XIX foram introduzidas às harpas utilizadas na música irlandesa pedais para atingir os semitons, assim como as cordas feitas de tripa.

Vale, ao ouvirmos o álbum do harpista Derek Bell, notar o som metalizado da harpa antiga (que Derek, na esteira de Sean ó Riada, resgata) em contraste com o som aveludado da harpa irlandesa moderna (Derek Bell, creio, não utiliza no álbum a harpa de concerto, mas sim a harpa irlandesa antiga e a moderna).

Confiram a entrada na wikipedia aqui.

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,

belld

Agora uma outra face muito interessante da música irlandesa: a harpa.

Creio que podemos dizer que a face, digamos, “espiritual”, “new age”, da música irlandesa tem seus pés fincados na música da harpa irlandesa.Neste sentido o nome da harpista , cantora e compositora Loreena McKennitt, que lançou discos excelentes explorando esta face da tradição, nos vem imediatamente à mente. Algo curioso, entretanto, é notarmos que a música da harpa irlandesa talvez seja, de fato, aquilo que há de mais antigo na música tradicional. Não que seja música ‘celtas’, nem mesmo música diretamente ‘gaélica’(desta ‘tribo’ celta que vingou por tantos anos na Irlanda), mas é música que bebe diretamente de uma fonte dos encontrada nos séculos XVII e XVIII: as composições do harpista cego, Turlough O’Carolan (ou em gaélico: Toirdhealbhach Ó Cearbhalláin – gaélico é f…!).

As composições para harpa de O’Corolan, a que hoje temos acesso em partituras, bebe da música renascentista e barroca britânica e continental, no entanto, nela sobrevive algo do estilo tradicional – e no século XVII podemos falar, sobriamente, em real influência da música da época dos chieftains (não a banda, mas os reis gaélicos que comandaram a Irlanda por muitos séculos, mesmo depois de cristianizados e anexados ao território da coroa britânica).

Sobre a harpa, o instrumento, devemos notar também que não se trata de ouvirmos na música tradicional irlandesa somente a harpa de concerto, mas existe uma harpa “celta”. De fato, como vocês poderão conferir no álbum postado, a harpa de concerto soa muito mais aveludada e suave, já a ‘harpa celta’ lembra bastante a sonoridade do cravo, ela possui um som mais metalizado e ‘estalado’ – ouçam com atenção e perceberão!

Well, well, temos de escrever algo sobre Derek Bell, o  falecido harpista dos Chieftains (agora sim a banda!). Em primeira instância o que temos de fazer é sublinhar as excentricidades, muito engraçadas, de Derek ‘Ding Dong’ Bell: ele era o único chieftain a se apresentar sempre em trajes sociais. Ok, no entanto, suas calças eram, propositalmente, curtas, seu fraque não servia e (o mais legal!) ele usava meias do perna-longa, do frajola e do patolino para combinar! Lembrem-se disso da próxima vez que for necessário comparecer numa festa em trajes a rigor! Soma-se às excentricidades de Bell, sua inclinação a contar piadas sujas…seu primeiro álbum solo se chama: “Derek Bell Plays with himself”.

Excentricidades à parte (ah, esqueci também de seu engraçadíssimo ‘comprimento passarinho’, quem assistiu o DVD Down The Old Plank Road sabe!) Derek é, certamente, um grande harpista e um grande músico. Seus discos lançados sobre o nome de “Mystic Harp” são, a meu ver, aquilo que de mais interessante foi feito sobre a proposta “new age”, “mística”, na música irlandesa (e quanta música ruim, meramente oportunista, não é feita sobre a proposta!).

O que temos aqui, no entanto, é um outro play de Derek (Derek’s Musical Ireland), play que certamente irá agradar tanto os tradicionalistas quanto os “new agers” mais rigorosos: ((aqui))

Riam com Derek  c[:0):

bell2

Share/Save/Bookmark

Related posts

Tags: ,