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E o blog retorna aos trilhos com um post sobre o Muckram Wakes.

Muckram Wakes foi um grupo, da região central da Inglaterra, bastante importante no revival da música tradicional inglesa na década de setenta; revival que passou pelo grande sucesso que as bandas de folk-rock deste período (tais como o Steeleye Span, o Fairport Convention ou a Albion Band) obtiveram na Inglaterra.

O grupo foi formado em 1972 e contava com John Tams (que mais tarde, em 1973, se uniria a Albion Band de Ashley Hutchings) no violino, na concertina e no banjo.

O Muckram é uma banda cujo som se apóia nas vozes. Muitas harmonias vocais, muitas canções inspiradas nos tradicionais carols, os cantos religiosos (nem sempre cantos de natal, portanto!) ingleses e norte-americanos.Você já ouviu “We Wish You a Merry Christmas” certo? Pois ouviu desde pequeno um carol inglês!

É verdade que a música do Muckram Wakes soa muitas vezes como confortáveis carols. Contudo na música tradicional inglesa, eu diria, ninguém passa incólume ao sangue, ao assassinato. No segundo play do Muckram Wakes, que oferecemos para baixar, temos, por exemplo, um famoso caso de fratricídio na versão da banda para a famosa balada Two Sisters.

A balada conta a estória em que a irmã mais velha por ciúmes afoga sua irmã mais jovem. Isto somente para mais tarde, em conjunto com o moleiro que rouba o anel de ouro preso ao cadáver da irmã mais nova suspenso no rio (foto), ser condenada a pena de morte: a irmã mais velha não “meramente” enforcada como o moleiro, mas fervida, ou cozinhada, em chumbo!

(Vejam na wikipedia texto sobre as diversas versões da balada; e sobre a pena capital, comum na idade média, que consistia em cozinhar até a morte homens e mulheres – se você tem uma banda de black metal, ou de folk inglês, eis aí um ótimo tema para sua próxima canção! c[:0) )

Baixem e ouçam: CD Muckram Wakes – Idem (1973)

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Da east anglia tomemos rumo ao norte até as “midlands”, os condados que se encontram no meio da Inglaterra (vejam mapa logo abaixo).

É do condado de Nottinghamshire donde vem uma das vozes mais bonitas e  importantes da tradição inglesa: Anne Briggs.

Briggs foi uma das vozes encontradas pelos esforços de Ewan MacColl e Al L. Lloyd (nomes de primeira importância na música britânica que trataremos mais adiante) em retomar a tradição da música inglesa na década de sessenta.

Caminhando nas mesmas sendas dos muitos artistas britânicos do final dos sessenta (como Bert Jansch, Christy Moore, John Renbourn, Marthy Cathy e etc.), Anne Briggs lançou alguns poucos álbuns na década de setenta (Anne era uma artista bastante reservada e relutou em voltar ao estúdio e “construir uma carreira”).

Foi o suficiente, contudo, para servir de inspiração para cantores como Eliza Carthy, Kate Rusby assim como para Mairéad Ní Mhaonaigh do Altan; o suficiente, enfim, para termos seu nome em mente quando nos referimos as grandes cantores britânicas.

Dos três álbuns lançado por Briggs particularmente importante é o primeiro LP auto-intitulado. É um álbum bastante “simples”, nada de arranjos jazzísticos, nada de guitarras elétricas. O play é quase que por completo “a capella”. Apenas a intensa interpretação de Anne (de fato, há muito de sean-nós e das baladas escocesas no canto inglês e creio que vice-versa) e as fantásticas e distintas poesias do cancioneiro tradicional inglês.

Destaco aqui duas interpretações de Briggs do cancioneiro inglês:

Primeiramente, a belíssima versão a capella que Briggs grava da tradicional canção Reynardine (presente na interpretação de Sandy Denny no clássico Liege and Lief).

Reynardine é um poema sobre uma bela e fantástica raposa humanóide ( ilustração) que seduz jovens damas a fim de levá-las a sua floresta, a seu “verde castelo”, a fim de “devorá-las” (interprete como quiser…rs).

Outro fantástico clássico do cancioneiro britânico interpretado por Briggs é aquele denominado Young Tambling na gravação de Briggs, mais conhecido, contudo, como Tam Lin.

O poema conta a estória de uma jovem que encontra na floresta um elfo, chamado Tam Lin, e dele se torna grávida (vejam só…). Quando a jovem, mais tarde, retorna a floresta a procura de uma erva de efeito abortivo (vejam só…) ela re-encontra o elfo Tam Lin, que conta a jovem a maneira pela qual ele fora um humano, aprisionado e transformado em elfo pela Rainha dos elfos, e a maneira pela qual na noite de Hallow-een ela poderia salvá-lo de sua “condição elfica” e fazer dele o pai de seu filho.

…para saber como termina história ouçam a canção (baixem o play abaixo) e acompanhem a poesia aqui

CD Anne Briggs

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