Posts Tagged ‘violino’

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Caros, hoje não tenho o tempo que gostaria para me dedicar ao post (aliás, os posts estão cada vez mais mirrados…). De qualquer forma, os deixo com este belíssimo exemplo da música do violino das highlands escocesas (que corresponde à porção oeste da Escócia, onde nasce aqueles caras que só morrem quando suas cabeças são cortadas, vocês sabem…).

J Scott Skinner, objeto de nosso post anterior, foi um violinista das lowlands escocesas – ainda que evidentemente influente em toda Escócia. Nas regiões “baixas” ao oeste, como na região de Strathspey o que ouvimos são , sobretudos, é claro,  strathspeys… Já nas highlands ouvimos maior influência das gaitas-de-fole no fiddle playing, muitas marchas, a airs (como aquele que fecha o CD que disponibilizo) que, de certa forma, emulam o som das gaitas (e soando, de fato, bastante naturais neste intento, ouçam e comprovem).

O CD que disponibilizo aqui (a capa é esta aí encima) se trata de uma homenagem de diversos fiddlers das highlands como Duncan Chisholm, Iain MacFarlane and Bruce MacGregor ao professor, no sentido mais metafórico e também  no sentido literal, de todos eles, Donald Riddle.

Outra excelente gravação de scottish fiddle: CD A Highland Fiddler

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Nem só de gaita-de-foles se faz música tradicional escocesa. A Escócia é, afinal, lar de uma grande escola de violinistas tradicionais. Escola que se define pela “força”, a incisividade no uso do arco, o que, de fato, aproxima os violinistas da Escócia de seus gaiteiros, assim como os aproxima dos violinistas da região norte da Irlanda (lembrando que parte do norte da ilha ainda faz parte da República), como (meu predileto entre os fiddlers…) o grande John Doherty.

Neste post, em especial, apresento por aqui um dos gigantes do violino escocês no século XIX (sim, estamos falando de um sujeito nascido há mais de cento e cinqüenta anos, e que de sua música ainda nos resta gravações de excelente qualidade) o rei do strathspey, James Scott Skinner (1843-1927).

O strathspey, a dança segundo a qual Skinner é o rei, é uma dança originária da região de mesmo nome localizada nas lowlands, nas terras baixas do noroeste escocês. Trata-se de uma dança em 4/4, como são as reels e os hornipes. O strathspey, contudo, possuí uma pontuação peculiar (mais próxima das hornpipee do que das reel tunes). No strathspey encontramos o tempo todo os scotch snaps, didvisão rítmica que consiste de uma semicolcheia ligada em uma colcheia pontuada (tataaa, tataaa…)

O repertório de Skinner que foi, além de um ótimo fiddler, um grande tune composer, não se limita a strathspeys, dele ouvimos também bonitos airs, polcas, reels e jigs, tocados sempre no estilo incisivo e “cortante” do violino escocês.

As gravações que disponibilizo aqui, lançadas em CD pela Temple Label de Londres, são gravações realizadas nos EUA da década de 10, ou seja, há exato cem anos! O que não significa que o que se ouve aqui é um amontoado de chiados e ruídos, ao contrário, a gravação é de excelente qualidade, assim como as tunes nelas executadas. Uma preciosa gravação, sem dúvida!

CD J. Scott Skinner – King Of The Starthspey

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Para pintarmos uma imagem da música tradicional da Noruega um bom recurso é tratarmos pontualmente do violino tradicional norueguês chamado hardingfele, ou hardanger fiddle em sua tradução inglesa que remete à cidade de Hardanger na costa norueguesa.

O hardingfele é uma espécie bastante bonita, tanto visualmente quanto musicalmente, de violino, ou de rabeca. Ele possui não as quatro cordas do violino comum, mas possui nove cordas; destas cinco apenas ressoam em relação às quatro principais rendendo ao hardingfele o som “solene” , “ecoado” que lhe é peculiar.

Outras distinções em relação ao violino tradicional é que sua madeira é tradicionalmente mais final, alem do fato, do hardingfele ser usualmente belissimamente decorado, tanto no seu tampo (com uma série de arabescos), quanto na sua voluta (lá onde vão as cravelhas – as tarraxas do violino) que são muitas vezes esculpidas em forma de dragão, ou como uma cabeça feminina.

Hoje encontramos um bom números de tocadores de hardingfele, noruegueses e também suecos e dinamarqueses, como a talentosa Annbjorg Lien, a mais famosa tocadora de hardingfele (Lien participa do último CD de Loreena McKennit), assim como Knut Buen, o excelente “hardingfeller” cujo play disponibilizo para baixar logo abaixo.

Buen (foto) é um músico de sessenta e tantos anos e toca de maneira bastante tradicional. Olhando a figura na foto deste post parece se tratar de um padre. Certo? Errado! Além do fato do Hardanger ser um instrumento tradicionalmente visto como algo não muito religioso (uma das afinações do instrumento é chamada de afinação do diabo; era proibido até o século XX tocar hardignfele no interior de igrejas), Knut lançou um CD ao lado de Ihsahn do Emperor na banda Hardingrock! Visitem o my space do Hardingrock .

No CD para baixar abaixo o que ouvimos não é heavy metal, mas o hardingfele solo. Knut (ouçam uma de suas melodias abaixo) desfilando seu virtuosismo no instrmento em springars (melodias em ¾, com uma cadência, no entanto, distinta das valsas – mais “bom-bip-bom” do que o tradicional “bom-bip-bip”) e os gangars (as arias, onde o hardingfele “canta” seu virtuosismo).

Confiram um excelente artigo explicativo sobre as melodias norueguesas aqui

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Confiram o som sereno e grandioso do hardingfele de Knut Buen: Hardanger Fiddle Music of Norway – Knut Buen.

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A história das ilhas Shetlands é, em muitos aspectos, parelela a história das ilhas Orkneys. Encontramos nas ilhas Shetland os mesmo indícios de ocupação pre-histórica, tendo início em mais de três milênios antes de Cristo. No entanto, as Shetlands não possui o mesmo número e riqueza  em  sítios que sua “prima” mais próxima ao continente possui.

Shetland e Orkney comungam também a colonização escandinava. Ambas foram colonizadas durante expansão viking no século IX e permaneceram sob o reinado norueguês até o século XVI, quando as ilhas passaram a mãos escocesas devido aos dotes não pagos da filha do Rei Christenses da Noruega, casada com Jaime III da Escócia.

Durante os séculos o “Norn” língua de origem nóridica falada tanto nas ilhas Orkney quanto nas Shetland, foi substituida pelo gaélico escocês e então pelo inglês escocês, mais precisamento ao inglês escocês bastante distinto que hoje é falado na ilha – o que é facilmente notável quando lêmos os nomes das tunes das Shetland ( o “Da” ao invés de “The” sendo facilmente notado).

Musicalmente, hoje, podemos dizer que as Shetlands é um lugar privilegiado. Por muito a ilha foi absorvendo o cantato dos marinheiros que chegaram, com suas musicas, às ilhas (irlandeses, escoceses, alemães, noruegueses) o que acabou por fermentar o estilo bem único de se tocar, sobretudo o violino, nas ilhas.

Tom Anderson, que toca violino no play para baixar aí embaixo, com seu aluno, hoje o músico mais famoso das Shetland, Aly Bain, foi um dos grandes responsáveis pelo resgate e manunteção da música tradicional das ilhas.

O que ouvimos, de fato, na música das Shetlands é um estilo bem peculiar de melodias escocesas que possuem traços perceptiveis, claros, da música escandinva (nas tonalidades menores de algumas melodias, no uso das harmonias no violino que lembram o hardanger norueguês).

Confiram, então, um play (a capa é esta da foto) em que o grande Aly Bain gravou com seu mestre, e mestre das Shetland, Tom Anderson, que é um exemplo bastante enraízado na bonita tradição musical das ilhas:

CD Aly Bain & Tom Anserson The Silver Bow

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potts

Tommy Potts é um caso à parte no violino irlandês. Nativo de Dublin o estilo de seu violino é talvez o mais singular na música tradicional irlandesa. Podemos considerar que Potts foi o violinista que mais alargou os limites da tradição. Seu violino soa completamente irlandês, no entanto, sua riquíssima ornamentação, a forma um tanto incomum de suas composições, faz  que sua música se afaste daquilo que se ouve nos pubs. Em The Parting Glass/The Bunch Of Keys, faixa que encerra seu primeiro e único LP (The Liffey Banks) esta peculiaridade de Potts se torna clara…imagine alguém dançando ao som desta melodia, ou mesmo sob o som de sua Crowley’s Reel!

Os leitores headbangers do blog talvez reconheçam The Butterfly melodia gravada originalmente por Potts e que é tocada no segundo disco da banda irlandesa de folk-metal, Cruachan.

Confiram o primeiro e único play de Tommy Potts – aqui -

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Packie

Tomando por objeto nosso caro Packie Dolan (1904-1932) tomamos um rumo distinto dos demais violinistas tratados aqui. Packie é de uma leva anterior de violinistas, ainda do tempo em que os irlandeses eram levados, devido à pobreza, a migrar  aos Estados Unidos. E foi, de fato, nos EUA no início do século XX que Packie (ou Patrick James) Dolan se tornou um dos violinistas a acompanhar a grande estrela do violino irlandês da segunda década do século passado, o grande Michael Coleman.

Packie lançou, nos anos vinte, algumas gravações em duetos com Coleman – de quem compartilhava o estilo de tocar mais ‘swingado’. No final da mesma década, no entanto, Packie montou, algo inédito na época, um grupo de música tradicional – uma banda como seria mais tarde a magnífica Ceoltoiri Chualann  de Sean Ó Riada e seu famoso filhote: os Chieftains!

Neste play (fora de catálogo) disponível aí embaixo é notável o estilo do violino de Sligo (o estilo atribuído ao violino de Coleman), o “swing” se comparado aos demais estilos pode ser notado, mas é ainda mais notável para nós (ouvintes dos Chieftains, Bothy Band etc.) a influência estadunidense das gravações de Dolan. Uma característica sempre presente nestas clássicas gravações do violino nos EUA é a presença do piano – o que confere por vezes certo ar de ragtime às melodias. É notável também a influência do teatro de comédia (vaudevilles), bastante apreciado nos EUA no início do século passado.

Confiram, então, o espetáculo deste talentoso parceiro do grande Michael Coleman e precursor de bandas como as de Sean Ó Riada e dos Chiefftains. Sweeeeet record! c[:0)

Packie Dolan – The Forgotten Fiddle Player Of The 20’s

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Descemos geograficamente agora, ainda no Oeste da Irlanda,  para o condado de Galway, terra que hoje é também a de uma porção de brasileiros (na cidade de Gort no condado de Galway, dizem que há placas escritas em português em alguns mercados!).

Se nos referimos ao violino, a música do condado Galway possui como um grande, embora misterioso, nome o do violinista Paddy Fahey. Misterioso porque embora as composições de Fahey sejam gravados por grandes nomes do violino irlandês, como Kevin Burke (ex Bothy Band) e Martin Hayes, e embora ele seja reconhecidamente um excelente violinista, Fahey jamais lançou comercialmente um álbum ou um livro com suas melodias. Misterioso, ou incomum, ele é, ainda, pois suas melodias não são nomeadas,mas, como os opus na música erudita, são apenas numeradas.

O estilo do violino de Fahey (que  Caoimhín Mac Aoidh enquadra num estilo particular do leste do condado de Galway) é um estilo mais aberto à atmosfera da melodia. Ao contrário do que encontramos em John Doherty ouvimos mais ornamentos com a mão esquerda aqui, assim como ouvimos um andamento mais cadenciado a até mesmo um ar mais ‘pensativo’ se o compararmos à música de Donegal.

Se compararmos ao estilo de John Doherty vamos ouvir aqui então menos stacattos (menos ta ta ta tas rs.), menos algo que nos lembrar riffs de violino (oh, well rs.) e no lugar algo um pouco mais pensativo, um pouco mais aberto à atmosfera da melodia que está sendo executada

Bom Paddy Fahey nunca lançou um CD comercialmente…nada que a net não resolva c[:0): CD Paddy Fahey & Sean Ryan  (bootleg!)

P.S: Esta foto bastante rara (procurem no google!!!) de Paddy Fahey econtrada graças a este site .

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