Nem só de gaita-de-foles se faz música tradicional escocesa. A Escócia é, afinal, lar de uma grande escola de violinistas tradicionais. Escola que se define pela “força”, a incisividade no uso do arco, o que, de fato, aproxima os violinistas da Escócia de seus gaiteiros, assim como os aproxima dos violinistas da região norte da Irlanda (lembrando que parte do norte da ilha ainda faz parte da República), como (meu predileto entre os fiddlers…) o grande John Doherty.
Neste post, em especial, apresento por aqui um dos gigantes do violino escocês no século XIX (sim, estamos falando de um sujeito nascido há mais de cento e cinqüenta anos, e que de sua música ainda nos resta gravações de excelente qualidade) o rei do strathspey, James Scott Skinner (1843-1927).
O strathspey, a dança segundo a qual Skinner é o rei, é uma dança originária da região de mesmo nome localizada nas lowlands, nas terras baixas do noroeste escocês. Trata-se de uma dança em 4/4, como são as reels e os hornipes. O strathspey, contudo, possuí uma pontuação peculiar (mais próxima das hornpipee do que das reel tunes). No strathspey encontramos o tempo todo os scotch snaps, didvisão rítmica que consiste de uma semicolcheia ligada em uma colcheia pontuada (tataaa, tataaa…)
O repertório de Skinner que foi, além de um ótimo fiddler, um grande tune composer, não se limita a strathspeys, dele ouvimos também bonitos airs, polcas, reels e jigs, tocados sempre no estilo incisivo e “cortante” do violino escocês.
As gravações que disponibilizo aqui, lançadas em CD pela Temple Label de Londres, são gravações realizadas nos EUA da década de 10, ou seja, há exato cem anos! O que não significa que o que se ouve aqui é um amontoado de chiados e ruídos, ao contrário, a gravação é de excelente qualidade, assim como as tunes nelas executadas. Uma preciosa gravação, sem dúvida!
CD J. Scott Skinner – King Of The Starthspey




