Archive for the ‘II- Volta por Portugal’ Category

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As bandas de gaitas é uma tradição na região do Trás-Os-Montes no extremo nordeste de Portugal, ainda que hoje encontremos gaitas-de-fole em outras regiões (por exemplo, os Gaiteiros de Lisboa).

Em Trás-Os-Montes os gaiteiros, acompanhados em geral da caixa e do bombo, animavam as festas de pauliteiros (cuja dança tradicional lembra bastante a ‘morris dancing’ dos ingleses), ofícios religiosos, procissões…era como as bandas de casamentos que temos hoje, mas, sem dúvida, mais interessantes!

Em Trás-Os-Montes se toca a gaita-de-fole local a gaita transmontana, ou a gaita mirandesa. Esta gaita, como aponta o excelente artigo deste site, se assemelha à gaita das regiões espanholas fronteiriças a Portugal, como as regiões da Sanabria, Aliste e Zamora. Única é a decoração gravada em madeira, típica das gaitas da região.

Nas últimas décadas ocorreu uma revitalização das bandas de gaitas transmontanas , o que rendeu o surgimento e a popularização de bandas de gaiteiros na região, caso do Galandum Galundaina, banda cujo primeiro play fica por aqui como um excelente exemplo das bandas de gaitas portuguesa!

CD Galandum Galundaina

Fica por aqui então a volta por Portugal. O que acharam da música portuguesa e da exposição que fiz dela por aqui? Comentem!

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cavaco

Prometi escrever algo sobre o cavaquinho (que é português!). O cavaquinho embora seja tocado em todo Portugal, e receba através dele diferentes nomes como machimbo, machim, machete, manchete ou marchete, braguinha ou braguinho, cavaco”, é um instrumento particularmente importante nas companhias musicais, ou rusgas, da região do Minho (ver mapa).

Segundo o texto bastante completo deste sítio, a origem do nosso cavaco (que é português, vocês sabem!) pode remeter ao instrumento chamado requinto de origem espanhola. Uma outra curiosidade sobre o cavaquinho é que se atribui a ele a origem do ukelele havaiano levado por um madeirense chamado João Fernandez a Honolulu no século XIX.

O nome ukelele significa pulga saltitante devido a sonoridade que ele, sobretudo em mãos portuguesas possui. E saltitante também é uma boa definição para a música tradicional da região do Minho, que se constitui de canção bastante ‘saltitantes, movimentadas e tradicionalmente alegres. O som do cavaquinho com seu saltitar rasqueado, o “rasgado”, usual na música portuguesa, adicionado das violas regionais (e no caso do play para baixar aí embaixo) do acordeão, compõem o som das companhias musicais do Minho que tocam em ritmos como o vira e tirana.

Curioso pensar que a melancolia do fado seja , para muitos, mais atraente do ponto de vista musical, mas para quem quer beber da fonte da alegria (no bom sentido) ingênua da música tradicional a música tradicional do Minho é  um caminho seguro!

Fica aqui um play com cantares da região do Carreço no Minho: CD Cantares do Carreço.

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Passecate

Um parêntese em nosso percurso através da geografia portuguesa para uma rápida entrada sobre a música da concertina em Portugal. A concertina é um instrumento que é como um acordeão, mas que dele se distingue pelo fato de ser um instrumento diatônico (ou seja, não possui todas as notas presentes em um piano) e pela diferença em sua mecânica: a concertina produz um som, pressionada determinada tecla, quando se abre o fole e outro som quando o fole é fechado.

Pudemos ouvir a mesma concertina nas mãos do irlandês Martin O’Connor em post anterior do blog; a ouvimos no play abaixo nas, igualmente excelentes, mãos de portugueses, tocando (ou invés de reels e jigs) “viras”, “corridinhos”, “dois passos” (como os two-steps dos cajuns estadunidenses), e por aí vai…

CD concertina em Portugal.

Aproveitar também para a maior referência na net sobre folclore português, o site (ou sítio), que é também um excelente projeto musical (se puderem, adquiram o CD!), chamado at-tambur. Visitem em: www.attaambur.com

Créditos da foto deste post é do site.

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adufe

Saimos da região central de Portugal, do riquíssimo eixo Lisboa-Coimbra, e nos direcionamos ao norte para as regiões de Beira e D’Ouro (ver o mapa aqui).

Encontramos na música destas regiões algo mais próximo do que temos em mente em relação a música folclórica portuguesa. Os ritmos sincopados característicos de danças como o “vira” (sim, o “vira”, vítima dos Mamonas Assassinas e de Roberto Leal!) a chula.

Na região envovlvendo estes ritmos sincopados das danças temos o cavaquinho, as violas locais (como a viola beiroa), além dos instrumentos de percussão como os bombos (ou bumbos…não, eles não usam pedal duplos!) ou os adufes (foto), instrumentos de percussão de formato, singularmente, quadrado! (creio , no entanto, que na gravação presente aqui, salvo engano, só temos bombos e não adufes!)

Então fica registrado este post sob som de Beira e D’Ouro, voltando a ares mais contentes e leves da música folclórica. Aí embaixo, um alegre play de uma banda chamada ‘Pão de Ló’, tocando cantigas e danças da região!

Cd Beira e D’Ouro.

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Hora de matar, ou trazer a luz, duas lebres com uma cajadada só! c[:0)

Carlos Paredes é uma lenda da guitarra portuguesa. Filho de guitarristas famosos como Artur e Gonçalo Paredes , Carlos, (que nasceu em Coimbra, influenciou e recebeu influência do fado coimbrano) trouxe uma nova dinâmica ou belíssimo som da ‘guitarra’. Com Carlos ouvimos as “guitarradas”, faixas intrumentais tocadas pela guitarra portuguesa, em sua mais alta expressão!

Jose (ou Zeca) Afonso é um importante cantor de baladas em Portugal. Foi um dos mais veementes opositores do Novo Regime, do regime totalitário que por tanto tempo vingou em Portugal. Foi em excelente compositor e cantor!

O play abaixo se trata de uma gravação de Carlos Paredes a Amigos. Amigos que incluem em diversas canções, que se revezam com as “guitarradas” presentes no álbum, o próprio Zeca Afonso.

CD Carlos Paredes, José Afonso, Luis Góes

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São bastante populares na região de Coimbra ao norte de Lisboa (ver o mapa de distritos) as canções de rua. Muitas são as espécies de canções que são tocadas nas ruas por homens (ate onde sei predominam em larga medida os homens na música de Coimbra) vestidos em capas negras, munidos de violões e guitarras portuguesas (como na foto). Dentre estas canções se destaca evidentemente o fado. Fado que de sua origem lisboeta, dos bairros de Alfama e da Mouraria, migra para Coimbra.

Em Coimbra o fado é abraçado nos meios universitários. Lá podemos dizer que o fado manteve em maior grau suas origens proletárias (de fato, como nos conta um documentário bem legal da BBC sobre o fado, o gênero nas primeiras décadas do século XX era bastante engajado politicamente – um engajamento abertamente socialista em muitos casos), mas aqui não através dos próprios trabalhadores eles mesmos, mas dos universitários que se punham na perspectivas destes, contra a estratificação social e contra a ditadura de Salazar. É das ruas de Coimbra, afinal, que surge um dos principais nomes da canção portuguesa, um dos principais opositores na cultura portuguesa da ditadura militar: Zeca Afonso.

Característico do fado de Coimbra é a afinação dos instrumentos (da guitarra portuguesa e do violão) mais baixa do que as do fado lisboeta – o que proporciona ao fado da região um ar mais, ou ainda mais, sereno e soturno que o do fado lisboeta.

Confiram uma gravação do fado de Coimbra por Fernando Machado Soares: CD O Fado de Coimbra

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21
nov

De volta a Portugal: O fado lisboeta.

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Chegamos então ao miolo, ao coração, daquilo que da música portuguesa se transmite ao mundo: o fado.

O fado é estilo musical cuja origem os musicólogos encontram, curiosamente, aqui no Brasil. No período das guerras napoleônicas, e da invasão de Portugal pelo exército francês, como podemos nos lembrar das aulas de história, a família real se muda para o Brasil levando com eles muitos imigrantes. Quando estes imigrantes retornam mais tarde a Portugal eles levam consigo uma música de matiz africano, melodias em modos menores, como são as do blues e as do fado de hoje.

Esta raiz afro-brasileira vem, mais tarde, a adquirir o caldo europeu. A guitarra portuguesa, instrumento de seis cordas duplas que produz o som suavemente estalado característico do fado, dizem alguns musicólogos, teria sua origem vinculado ao alaúde inglês, trazido pelos comerciantes de vinho em O Porto (quem gosta de vinho ou de história sabe que os portuguesas importavam muitos de seus “port wines” para os ingleses – em troca se abriram a manufatura inglesa, com conseqüências desastrosas para o desenvolvimento econômico de Portugal).

De fato, a origem do fado nos remete a Lisboa, e mais especificamente ao bairro da Alfama, bairro de marinheiros, estivadores, pescadores e também de meretrizes (como a célebre Maria Severa, mulher pioneira no canto e na guitarra portuguesa). Foi lá aos pés do Castelo de São Jorge que o fado tomou forma.

Tive a oportunidade de visitar a Alfama há alguns. Se trata ,de fato, um lugar bastante peculiar e especial. Casas, e pequenos edifícios de moradores dividem o espaço com os restaurantes e as tascas do fado. Andar nas ruas sinuosas ,coloridas, velhas (mas de forma alguma feias!) do bairro é mesmo uma grande experiência. Tanto mais quando você tem a oportunidade para para ouvir o fado.

Por lá visitei duas “casa de fado”. Em uma delas, chamada “O Coração da Alfama” se não me falha a memória, um senhor cantava acompanhado de um “guitarrist”a e de um violonista (como na formação tradicional). O mesmo senhor que canta, e muito bem!, é aquele que anota seu pedido e que te serve! E que comida maravilhosa é a portuguesa! E que música maravilhosa se toca dentro destas tascas! Interessante foi ainda trocar idéia com Sr, dono da tasca,sobre Madredeus, sobre Carlos Paredes (grande guitarrista português) – e lá foi o tiozinho a colocar um CD do Paredes para tocar!Tiozinho gente boa ele! c[:0)

A outra “casa de fado” que visitei em Lisboa foi a tradicional “Parreirinha da Alfama” (foto – que não é minha rs.). Lá o que se passa é uma grande apresentação de fadistas! Cantoras e cantores se revezam em meio ao jantar. E lá vamos nós nos revezando entre “porco à alentajana” (acho que foi isto que comi lá hehe), cerveja Sagres e as “Caravelas, Caravelas” e “Casas portuguesas com certeza”!

A dona da Parreirinha da Alfama em particular nos interessa: Argentina Santos, a dona, é uma lenda do fado, uma grande cantora em um estilo anterior ao de Amália Rodrigues (cantora de fado que é o maior nome da música portuguesa , sem dúvida!), estilo menos ornamentado, um tanto mais “aveludado”. Além de mandar turistas chatos ficarem em silêncio no restaurante (na verdade ela fica na porta da casa e parece cuidar de tudo por lá) Argentina vende na casa seu CD…não precisa dizer que eu comprei um exemplar assinado (sim, ele já veio assinado – e depois dizem que portugueses não são práticos hehe)…e não precisa dizer que “ripei” ele para por para download aí embaixo!

CD Argentina Santos.

P.S: Acabei por não descrever o fado enquanto música, mas ora, não precisa, baixem o CD!!! c[:0)

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