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19 nomes do atual pop sueco

A Suécia tornou-se berço de um tipo peculiar de pop principalmente a partir do sucesso mundial do ABBA, na década de 70, que chamou a atenção do mercado mundial para o país. De lá pra cá, nomes de maior ou menor sucesso surgiram aos montes: Roxette, Agnes, Cardigans, Ace Of Base, Peter Bjorn And John, Millencolin, Jens Lekman, Eagle-Eye Cherry, etc.

No metal a Suécia é até mais forte, criando praticamente uma escola própria, o “Gothemburg Sound”, conhecido como um metal extremo com pegada melódica, além de grupos que naturalmente fundem a música folk e por aí afora. At The Gates, Dark Tranquillity, Entombed, Evergrey, Opeth, Amon Amarth, In Flames, Soilwork, Arch Enemy, Grave, Bloodbath, Candlemass, Bathory. No metal a lista é infinda. Sem falar no hard rock: Europe, Backyard Babies, Hellacopters, Spiritual Beggars, Freak Kitchen.

Alguns dos motivos alegados para essa profusão de musicalidade é o interesse passado de berço, o ensino de música nas escolas, o grande incentivo e suporte do governo, as dezenas de clubs e boates com música ao vivo todas as noites, os diversos festivais que ocorrem durante todo o ano, o respeito e espaço para a música autoral e a produção constante em todo lugar: pelos meios tradicionais ou totalmente digital.

Tudo isso junto gera uma cena musical riquíssima e merecedora de (muita) atenção. Pensando nisso, o governo sueco produziu uma coletânea de nome sugestivo: “Sweden Wants You To Dance: The Best Of Swedish Pop Right Now”, lançada em 2009. Uma seleção de 19 bandas/cantoras que vai desde veteranos como The Bear Quartet, passando por “supergrupos” como Tutankamon, até hypes recentes como Shout Out Louds e nomes desconhecidos por aqui, mas que vão fundo na tradição vocal sueca (ou seja, loirinhas com ares angelicais e voz idem): Lykke Li, Frida Hyvonen, Hello Saferide, Jenny Wilson e Sally Shapiro.

Tem coisa diferente bem feita, como JJ, um desses casos que fazem questão de não revelar muito de si próprio, misturando hip-hop, pop africano e lo-fi. Gente que faz aquele pastiche de eletro-pop com maior ou menor qualidade, como Little Dragon, Wildbirds & Peacedrums, Studio e o “rei da área” por lá, Andreas Tilliander. E, não raro, bandas chatas e derivativas: First Aid Kit, Lonely Dear, Lake Heartbeat, Deportees.

No geral, o saldo é bom. Impressiona também o cuidado no acabamento da coletânea, em embalagem toda estilizada e com design original e caprichado, além do encarte com informações de cada banda. O site oficial, já citado, oferece boa parte dessas infos e também disponibiliza músicas das bandas citadas. Definitivamente, um país que vale a pena ficar de olhos e ouvidos abertos.

Jornalista investigativo, crítico e escritor. Publico sobre música e cultura desde 2003. Fundei a Movin' Up em 2008. Autor de 3 livros de contos, crônicas e poemas. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística (2019) da Sociedade Interamericana de Imprensa na categoria “Opinião”. Finalista do V Prêmio Petrobras de Jornalismo (2018).

Published in Destaques Mundo