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Rick Wright: um gênio discreto

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Recebo hoje uma das piores notícias possíveis: a morte do tecladista Richard Wright, do Pink Floyd, aos 65 anos de idade, por câncer.

O Floyd não é só a minha banda favorita, como o grupo que detém minha irrestrita e profunda admiração, praticamente os responsáveis por minha imersão na música e com quem desfruto de momentos inesquecíveis e indestrutíveis. Sou um homem eternamente feliz por ter visto Roger Waters executando “The Dark Side Of The Moon” ao vivo no Rio de Janeiro ano passado, e também o Australian Pink Floyd, a melhor banda tributo ao Floyd do planeta. Se tivesse que escolher uma única banda para ouvir o resto da vida, seria eles, sem nenhuma dúvida. Isto está um pouco melhor explicado no texto que fiz falando da minha relação com o Floyd, publicado em 2006 no Simplicíssimo, reproduzido aqui. A época, Syd Barret também havia acabado de falecer, aos 60.

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Wright nunca foi tão famoso quanto Syd, Waters e Gilmour, e talvez não chamasse tanta atenção quanto Mason, mas não só é autor de alguma das melhores composições do grupo (simplesmente 5 faixas de “The Dark Side” saíram de sua cabeça…um dos álbuns chave da música no século XX), bem como tem presença destacadíssima em várias das passagens mais memoráveis das músicas da banda: “Time”, “Shine On You Crazy Diamond”, “Echoes”, todo o álbum “Animals”, a melhor parte de “Ummagumma” (pra mim) é a dele, contribuição decisiva no ótimo “Division Bell”…

Wright é um tecladista que foge da tradicional pirotecnia espalhafatosa e megalomaníaca dos tecladistas de progressivo. Extremamente o contrário: sua música prima pelo singelo, a lenta construção harmônica, melodias únicas, um desenvolvimento envolvente, fino, delicado, mas forte o suficiente para não ser esquecido por quem ouve. Wright é gênio, mestre, talento brilhante dentro do grupo mais talentoso da história, não o mais técnico ou sei lá o que. A música do Floyd nunca foi técnica, mas alma.

E assim ele nos deixa, apagando (talvez) definitivamente a esperança de uma turnê de reunião da banda, já rejeitada tantas vezes (e com tantas ofertas irrecusáveis) pelos próprios integrantes. Eles realmente não precisam mais de dinheiro. Talvez agora seja melhor deixar a história como está. O show no Live 8, em julho de 2005, com a formação clássica, apesar de curto foi o suficiente.

A música perde um dos seus maiores , um dos seus deuses. Não há palavras que expressem tamanho significado. Meu eterno respeito e agradecimento a todos eles, e, no momento, a Wright em especial.

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Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "Meu Mundo é Hoje" e "11 Rounds", de contos e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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Published in Mundo