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Reviews: Moby, Morcheeba, Racounters, Silver Mt. Zion e Futureheads

moby

– LAST NIGHT – ESTADOS UNIDOS – 2008

AVALIAÇÃO: ***** – Genial. Sublime. Pequeno (ou grande) clássico instantâneo.

O melhor trabalho desde “Play”, de 1999, parece ser a primeira coisa que vêm a cabeça de quem ouve este novo “Last Night”. Não que isto seja exatamente um feito. Moby não andou tão inspirado desde lá. E olhe que eu tenho “Play” em muito boa conta. Pra ser sincero, considero um dos melhores álbuns de música eletrônica já lançados.

Last Night traz conexões com aquela pequena obra-prima. É Moby se retro-alimentando de seu melhor material, e experimentando novos ritmos e sons, sempre com aquela batida negra, por vezes dançante, outras melancólica, melodias belíssimas e envolventes, soul music, piano, cordas, vocais, uma ponte digna e absolutamente bem construída sob o que ele fazia uma década atrás, e para o que busca agora. Isto é o que os fãs do carequinha vegan polêmico estavam esperando. Suculento, de se lamber os dedos. E apertar “play” muitas vezes seguidas. 😉

Detalhe: o disco todo pode ser ouvido na íntegra no Myspace, disponibilizado pelo próprio artista.

www.myspace.com/moby

morcheeba

MORCHEEBA – DIVE DEEP – INGLATERRA – 2008

AVALIAÇÃO: **** – Bem acima da média.

Sexto trabalho de estúdio dos ingleses, “Dive Deep” ainda é o Morcheeba achando seu caminho após a saída da vocalista Skye Edwards, em 2002, uma perda imensa.

Um dos principais – e melhores – nomes do trip hop, produziram alguns álbuns fundamentais do estilo, como “Who Can You Trust?” e “Big Calm”. Para suprir a falta de Skye, uma série de participações especiais e vocais diferentes foram convidados. O resultado? Digno de constar na discografia com algum destaque e uma nova identidade que, óbvio, mantém muitas das características que os fizeram tão reconhecidos – downtempo, jazz, harmonias, ambientalizações envolventes – com uma aproximação talvez ainda maior ao hip hop, mas sem comprometer. “Riverbed”, “Run Honey Run” e “One Love Karma” denotam que o grupo pode sobreviver bem sem uma de suas principais peças.

www.myspace.com/morcheeba

raconteurs

RACONTEURS – CONSOLERS OF THE LONELY – ESTADOS UNIDOS – 2008

AVALIAÇÃO: *** – Decente nos melhores momentos, mas chafurda na mediocridade.

“Broken Boy Soldier” foi um dos maiores arrasa-quarteirão de 2006. O projeto paralelo de Jack White chamou a atenção e deu vida à figura de Brendan Benson, sendo bem recebido. Músicas safadamente rockers, com riffs pegajosos e melodias inspiradas mergulhadas numa camada pop sofisticada, flertando com outros estilos como o alt. country davam o tom da obra, que possuía faixas marcantes, cheias de um punch sussurrado, digamos. Desse modo, “Consolers Of The Lonely” é frustrante. Primeiro porque não tem a pegada do anterior, e seus melhores momentos são bem inferiores ao do álbum de estréia. A melodia veio desmesuradamente açucarada com as composições, parecem, no “automático”, seguindo uma fórmula redonda e bem feita, mas que cansa.

www.myspace.com/theraconteurs

silvermtzion

A SILVER MT. ZION – 13 BLUES FOR THIRTEEN MOONS – CANADÁ – 2008

AVALIAÇÃO: *** Decente nos melhores momentos, mas chafurda na mediocridade.

Há vezes em que a música dita “de vanguarda”, experimental, ou estranha, introspectiva, fragmentada, “avant-garde”, se excede, tornando-se mais uma simulação, uma proposição de si mesma, do que aquilo que eles mesmos intentam como música. Formado por Efrim Menuck, Thierry Amar e Sophie Trudeau, três ex-integrantes do Godspeed You! Black Emperor – talvez a melhor e referência máxima do post-rock, bem como a que mais me encanta – o grupo, que atende por consideráveis variações de seu nome, enquadra-se em todos os termos citados no início e alguns outros. “13 Blues”, com um foco mais pesado e “barulhento” que os antecessores, fica no meio do caminho. O excesso de vocais também incomoda, não apenas porque os tons são proposidatamente “diferentes”, mas porque a “desarmonia orientada” não funcionou muito bem. Independente de qualquer escorregão, Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra La La Band é pra se ouvir com fone de ouvido.

www.myspace.com/silvermtzion

futureheads

FUTUREHEADS – THIS IS NOT THE WORLD – INGLATERRA – 2008

AVALIAÇÃO: **** Bem acima da média.

Na onda revival do pós-punk, que já dura alguns anos e na qual o Gang Of Four é uma das maiores fontes de inspiração – para a nossa sorte – o Futureheads, que inclusive conta com a benção de Andy Gill, é um dos mais competentes. “This Is Not The World” têm todas as características do estilo supracitado, trazido e atualizado para o final da primeira década do século. Ross Millard, Dave e Barry Hyde e David Craig sugam descaradamente aquilo que bem lhes convém, e, mais importante, realizam um bom trabalho. Um dos casos em que a influência flagrante contribui positivamente para o resultado final, dado o talento e a capacidade daqueles que a executam. “The Beginning Of The Twist” – da série “fazemos títulos legais” – , “Think Tonight”, “Hard To Bear” e “Everythings Changing Today” são motivos suficientes para destacá-los na cena, com seus refrães marcantes e timbres bem escolhidos, gostosos e energéticos.

www.myspace.com/thefutureheads

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "11 Rounds" (contos) e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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Published in Reviews de Cds