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Only God Forgives e o insuportável fetiche com filtro

 era um diretor obscuro, responsável por filmes duvidosos baseados majoritariamente no universo das lutas até o “sucesso” de “Drive”, de 2011, com Ryan Gosling. Espécie de “obra cult automática”, que tem lá algum mérito. Este repentino reconhecimento parecer ter feito bem mal para um diretor medíocre como Refn.

“Only God Forgives” representa um acúmulo de erros, fetiches, filtros e tentativas fracassadas de formar qualquer esboço de significado. O vazio pelo vazio, o péssimo roteiro, as cenas e os diálogos constrangedores, a atuação pálida de Gosling (que ainda precisa de muito trabalho para se tornar um ator razoável, a despeito de ter se tornado um sex symbol indie), a obsessão pela violência gratuita, a música pretensiosa, clichê e tensa de corredor, a fotografia chapada e cafona de instagram.

Ambientado em Bangkok e numa trama chinfrim que envolve (pra variar) luta, uma suposta “rede” de tráfico, prostituição, vingança, taras, família, “loucuras” e a polícia, “Only God Forgives” é patético. Coisa de menino deslumbrado com a aprovação da crítica. Ambição conceitual que se afoga em seus inúmeros defeitos e na abissal falta de talento, de esmero, de suor.

Assumindo o roteiro – e talvez esteja aí o motivo principal do fracasso completo – Nicolas Winding Refn expõe toda a fragilidade do seu cinema. Um grande bocejo que tenta ser chocante.

httpv://www.youtube.com/watch?v=w0d7i_0Alfo

Jornalista investigativo, crítico e escritor. Publico sobre música e cultura desde 2003. Fundei a Movin' Up em 2008. Autor de 3 livros de contos, crônicas e poemas. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística (2019) da Sociedade Interamericana de Imprensa na categoria “Opinião”. Finalista do V Prêmio Petrobras de Jornalismo (2018).

Published in Cinema Destaques