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Wolfmother: a melhor banda cover do mundo

Com o disco de estreia, em 2005, o Wolfmother saciou a fome do público por uma banda nova de rock que soasse tão bem, com tanta pegada e tesão pela coisa quanto as clássicas. Venceram o Grammy com “Woman”, apareceram em tudo que é lista de melhores discos do ano, melhores bandas para se ver ao vivo, programas de TV, capas de revistas especializadas, o diabo.

O tempo passou e a primeira quebra: Andrew Stockdale (guitarra e vocal) chutou os colegas de power trio Chris Ross (baixo) e Myles Heskett (bateria) alegando as tradicionais “diferenças musicais irreconciliáveis”, leia-se dinheiro. Reformado, o trio virou quarteto – na prática – em 2009 com a entrada de Aidan Nemeth (guitarra), Ian Peres (baixo) e Dave Atkins (bateria).

4 anos após o debut, “Cosmic Egg” sai do forno, como era de se esperar, como um belo mais do mesmo. O nome é infeliz, o título das músicas também não fica muito atrás (In The Morning, 10.000 Feet, Far Away, Eyes Open), mas o que importa é que a fórmula de emulação setentista funciona a todo vapor.

Eles nunca esconderam que sempre buscaram fazer uma mescla de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, AC/DC e o rock garageiro psicodélico dos anos 60/70, como Thirteen Floor Elevator’s, Grateful Dead e essa turma. Só pelo visual, Stockdale tem plena certeza que ainda vive por lá. Nos momentos mais inspirados, como “Sundial”, a faixa título, “Cosmonaut”, “Back Round”, a coisa engrena.

Nos outros, a chupinhação descarada de sempre também funciona. Como boa parte das citadas acima, o Wolfmother é o tipo de banda que aparenta fazer sempre o mesmo álbum. E desde que venha com qualidade, o mundo, o rock, você e eu também precisamos de bandas assim. Boas, sem vergonha, sem frescura, assumindo as influências de peito aberto pra fazer um rock decente. Simples assim.

Que não demorem mais 4 anos pra lançar outro disco. E que escolham um nome menos chapado e mais bonito pra começar. Agradecemos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=ZwwBuYrH_zA

Jornalista investigativo, crítico e escritor. Publico sobre música e cultura desde 2003. Fundei a Movin' Up em 2008. Autor de 3 livros de contos, crônicas e poemas. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística (2019) da Sociedade Interamericana de Imprensa na categoria “Opinião”. Finalista do V Prêmio Petrobras de Jornalismo (2018).

Published in Destaques Reviews de Cds