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Long Live Ronnie James Dio

Quando Ritchie Blackmore decidiu abandonar o Deep Purple, na metade da década de 70, o escolhido para ser o frontman de sua nova banda foi um certo baixinho até então desconhecido do grande público. Um vocalista que tinha passado os primeiros 17 anos de carreira em bandas de garagem e finalmente conseguido maior destaque com o Elf. Dio rapidamente foi aclamado com um dos melhores vocalistas do estilo, gravando 4 clássicos instantâneos com o Rainbow, sendo o último o emblemático “Long Live Rock N’ Roll”. Álbum que teve bom impacto em minha vida.

Quando o Black Sabbath finalmente se separou de Ozzy Osbourne, após desgastantes anos, Dio assumiu os vocais e ajudou a manter a banda em ótimo patamar, lançando um disco perfeito (“Heaven & Hell”) que ajudou a moldar o da década de 80. A confusão envolvendo “Live Evil” o colocou fora da banda que retornou 10 anos depois e que tornou-se o último destino da carreira, na turnê de lançamento do excelente “The Devil You Know”, ano passado, que tive o prazer de conferir. Na resenha, publicada aqui na Movin’, disse sobre Dio: “É assustador constatar como Ronnie James Dio, com seus 1,60 de altura e 67 anos de idade (!!!!), canta absurdamente bem. Límpido, cristalino, com punch e interpretação. Praticamente não falha. Das notas mais altas às mais graves. Literalmente, faz o diabo. Um monstro. Canta tão bem, e até melhor, que em estúdio. Já vi muitos vocalistas consagrados ao vivo. E Dio talvez tenha sido o mais impressionante deles. Repito: com seus quase 70 anos de idade, for christ`s sake! O mínimo que você deve ter é respeito.”

“The Devil You Know”, desde o título ícônico até a sonoridade do disco em si, acaba funcionando como belo testamento do Black Sabbath e do último registro de Dio, sempre no ápice. Voltando no tempo, quando lançou sua carreira solo, Ronnie acertou de cara com outro clássico: “Holy Diver”. Trajetória solo que seguiu firme até o fim, elencando bons discos no currículo. Dio é dono de discografia única, que não deixa margem para a mediocridade. Popularizou a mão com “chifrinhos”, símbolo feito por sua mãe para afastar as vibrações ruins, como um dos símbolos máximos do metal.

Além de tudo, pelos depoimentos de quem o conhecia, trabalhou com ele ou simplesmente era fã, como Lars Ulrich, sem falar no tratamento ao público nos shows, Dio esbanjava simpatia, inteligência, carisma. Era mesmo um ícone, uma referência, um deus. Como poucos. Para quem atinge esse patamar, a morte é só um contratempo. O melhor tributo que podemos fazer a Dio é ouvi-lo e assisti-lo, sempre com enorme prazer. O mesmo prazer que ele proporcionou a vida toda para quem gosta de boa música. E que continuará querido, por gerações e gerações. Obrigado, Ronnie. Como lembrou Mike Portnoy (do Dream Theater), Dimebag Darrel (Pantera), Randy Rhoads (Ozzy), Cliff Burton (Metallica) e Jason Bonham (Zeppelin) acabam de achar um vocalista. Vida eterna. \m/

httpv://www.youtube.com/watch?v=CItpwo0JwI0

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "Meu Mundo é Hoje" e "11 Rounds", de contos e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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Published in Destaques Mundo