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Suicidal Tendencies encerra com fôlego o primeiro dia do Porão do Rock 2008

A 11º edição do do Rock começou ontem com casa cheia até o fim e uma organização praticamente impecável. Shows no horário, tranqüilidade, estrutura exemplar e ótimas condições para todos os presentes neste que é um dos maiores do país. O dia heavy do evento mesclou nomes do hardcore e do metal como Mukeka Di Rato, Almah, Black Drawing Chalks, Macakongs 2099, MQN e DFC.

Já o Matanza, fez apresentação eficaz o suficiente para ter o público na mão, cantando “clássicos” como “A Arte do Insulto”, “Ressaca Sem Fim”, “Ela Roubou Meu Caminhão”, “Clube Dos Canalhas”, “Eu Não Gosto de Ninguém” e “Bom É Quando Faz Mal”. O melhor show nacional da noite naquela que provavelmente é uma das bandas brasileiras mais felizes em criar uma identidade conceitual aprovada e adorada pelos fãs. A exemplo, em escala mundial, dos headliners.

Aliás, foi preciso esperar até as 02:20 h da manhã para ver Mike Muir (vocal), Mike Clark (guitarra), Dean Pleasants (guitarra), Steve Brunner (baixo) e Dave Hidalgo Jr. (bateria) entrarem no palco. Mas o hino “You Can’t Bring Me Down” mandado logo de cara deu o tom da celebração coletiva que o show do Suicidal Tendencies se tornou.

Um dos poucos nomes que conseguiram alcançar o status de se tornarem não só um grupo, mas uma instituição – influenciando diretamente o comportamento, as idéias e o vestuário de seus fãs, além de fincarem os pés com o quase inquestionável título de melhor banda de crossover da história, o SxTx mostrou uma vitalidade impressionante para quem tem mais de 25 anos de carreira.

Se a idade pesa e a forma física já não é a de antes, Mike Muir não dá a mínima e continua com a presença monstruosa que o consagrou como um dos frontmans mais carismáticos (e respeitados) que se têm notícia. O duo de Clark e Pleasants nas guitarras entregou uma execução limpa e inspirada, com os solos certeiros e riffs explosivos que puxavam rodas insanas de pogo entre os 15 mil presentes. Steve Brunner já está adaptado e não compremete o difícil posto de baixista do Suicidal, tendo entrosamento satisfatório com o recém-integrado Dave Hidalgo Jr. na bateria.

Com toda a discografia bem representada no set-list, os clássicos dominaram. Apresentação old-school sem cheiro de naftalina: “Subliminal”, “War Inside My Head” – inesquecível e “I Hate You Better” confirmaram a ótima forma, sendo a mistura perfeita, e genuína, de metal, hardcore e funk.

Na última, “Pledge Your Allegiance”, Muir começou a chamar alguns fãs para subir ao palco, o que acabou se transformando rapidamente numa invasão, surpreendentemente bem sucedida. A visão, no mínimo curiosa, é símbolo da “atitude” – palavra que no caso deles pode ser usada sem receio – que sempre os caracterizou, e continua presente.

Difícil imaginar um final mais apropriado para uma banda que consegue transformar um show em uma arena de grandes proporções numa celebração intimista entre amigos. Que venha o novo CD – o primeiro após 8 anos.

O Porão do Rock continua hoje com uma programação mais pop, culminando no aguardado encerramento dos britânicos do Muse.

www.poraodorock.com.br

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "11 Rounds" (contos) e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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