Skip to content →

O swing único da Academia da Berlinda

Formada em 2004 em Olinda, a Academia da Berlinda é a reunião de um time já escolado de músicos da cena pernambucana: Tiné (vocais), Gabriel Melo (guitarra, DJ Dolores), Tom Rocha (congas, quetê, guiro, reco, Mundo Livre S/A), Hugo Gila (juno, micro korg, rhodes), Urêa (voz, timbales, cowbell, guiro, Eddie), Irandê (bateria) e Yuri Rabid (baixo).

Começou fazendo versões bregas peculiares para animar corações esquentados nos bailes da vida e lançou o primeiro disco de músicas autorais em 2007, auto-intitulado. Ali já era evidente o tempero caprichado dos rapazes, entregando pepitas banhadas em ritmos brasileiros e da América Latina e Central como cumbia, merengue, salsa, o próprio brega, uma pitada de rock, um acentinho cubano acolá e uma baita personalidade própria no uso de instrumentos como o micro korg e as percussões, além das letras deliciosamente simples e contagiantes.

“Olindance”, o segundo registro – que você pode baixar gratuitamente aqui, em link da banda – é forte candidato a figurar entre os melhores do ano. O sexteto inicial, com “Bem Melhor” – irresistível, que circula por aí há algum tempo – “Cumbia da Praia”, outra suculenta, “Fui Humilhado”, “Lua”, a instrumental “Praia do L” e “Gringa” é uma sequencia de ótimas canções, imersas na tradição da sonoridade que seguem e incrivelmente azeitadas.

Versos como “Mulher / Dance comigo essa noite / Mulher / Saudade de tudo tens / idade não apagou / O tempo diz o que houve / vento traz o que levou” ou “Hoje tá fazendo um belo dia / quero encontrar o meu amor / vou chama-la para ir à praia / Tomar uma breja no calor” são prosaicos e desavergonhados, crescendo pela melodia, o swing e a malícia do instrumental da banda, completado pela voz cativante de Tiné.

No “lado B” do trabalho temos pérolas como “Melô do Meninão” e “E Então…”, uma das baladas mais gostosas que tenho notícia (e que causa efeito maravilhoso no show). Além de “Berliman”, “Lágrimas” e “Tapete Vermelho”, concluindo um belíssimo disco. Ao vivo, como tive a oportunidade de conferir no baile Tangolomango no último dia 06 em Recife, tudo fica ainda melhor. A conexão da banda com o público é intensa, produzindo uma sinergia de atmosfera única. Todo mundo dança como se não houvesse nada mais importante no mundo – e realmente, ali naquele momento, não há.

Composições do primeiro disco, como “Ivete”, “Envernizado”, “Bela Vista”, “O Sonho e a Dor”, “Comandante” e a própria “ da Berlinda” completam a festa. É coisa linda e especial pra não parar de sorrir. Poucas bandas conseguem construir um clima desses e poucas conseguem ter o público na mão dessa maneira. Um dos melhores shows do país na atualidade, sem nenhum receio de cravar.

httpv://www.youtube.com/watch?v=GOScRkDlr94

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "Meu Mundo é Hoje" e "11 Rounds", de contos e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

Matérias Relacionadas

Published in Destaques Reviews de Shows