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Mos Def – The Ecstatic

Direto ao ponto: “The Ecstatic” é o melhor álbum de hip-hop (e também de música negra de artistas surgidos dos anos 90 pra cá) que ouvi em muito tempo. Mos Def  arrancou elogios intensos com os clássicos instantâneos “Black Star” e “Black On Both Sides” de 1998 e 1999. Passou 5 anos sem lançar nada novo e ouvir críticas ferrenhas com “The New Danger”, 04 e “True Magic”, de 06. Críticas infundadas, diga-se. Os dois discos são provas definitivas do talento e da inteligência muito acima da média do rapper em fundir sonoridades diversas.

“The Ecstatic” leva o legado adiante ao mesmo tempo que conserva suas melhores características: tem ritmos fundidos de forma coesa, é sexy na medida e inteligente sem soar pedante. Letras que fogem da putaria e do gangsta de boutique. Tem toques de rock (“Supermagic”), belos vocais femininos (“Roses”), ritmos étnicos (“The Embassy”, “No Hay Nada Mas”), dub (“Twilite Speedball”) e algumas pequenas obras-primas do gênero como “Pretty Dancer”, “Quiet Dog Bit Hard”, “Casa Bey” e “Life In Marvelous Times”, onde brada:

revelations, hatred, love and war.
and more and more and more and more
and more of less than ever before
it’s just too much more for your mind to absorb

As 16 faixas do álbum passeiam por diversos estilos (funk, reggaeton, afro-beat, jazz, R&B, além dos citados), todos muito bem trabalhados por Def, produzindo uma coletânea de músicas com força pouco vista por aí.  Finalmente, um rapper com talento e cérebro na mesma pedida, que não precisa apelar para programações duvidosas, parcerias com ídolos pop de qualidade discutível, bundas, armas e marra além da conta.

Um dos discos do ano, sem dúvida.

Sou jornalista e desde 2003 escrevo sobre música, cinema, literatura e outros assuntos em diversos veículos digitais e impressos. Fundei a Movin' Up em 2008. Publiquei os livros "11 Rounds" (contos) e "Latitude 19 & Outros Hematomas" (crônicas e poemas).

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Published in Destaques Reviews de Cds