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Samsara Blues Experiment: além do stoner

O stoner rock sempre foi um dos sub-gêneros mais “gostosos” da música pesada. Trabalho decente de guitarras, exaltação de bebedeiras, mulheres, riffs acima da média, etc. Tem um bom “guia básico” do stoner aqui. Quem aprecia a pegada heavy do Black Sabbath, o rock dos anos 60/70 e a veia psicodélica e progressiva de bandas como Hawkwind, 13th Floor Elevators e outras, dificilmente não se apaixona.

O Samsara Blues Experiment, fundada em Berlim e com apenas 3 anos de estrada, é uma legítima representante do estilo. O quarteto vai fundo nas influências citadas e adiciona boas doses de kraut-rock e, indo um pouco além, ragga e música indiana, com os próprios sublinham.

“Long Distance Trip”, o primeiro álbum completo, foi lançado recentemente. De modo geral, a banda pende mais para o space/kraut rock, investindo no experimentalismo, longas jam-sessions e naquela estrutura propositadamente repetitiva e hipnótica. A preferência por esse tipo de construção é evidente nas três principais peças do álbum: “Singata Mystic Queen” (11 min), “For The Lost Souls” (10 min) e autêntica viagem espiritual que é “Double Freedom” e seus mais de 20 minutos.

O peso escancarado fica por conta de “Army Of Ignorance” (que lembra bastante o Black Sabbath de Master Of Reality e Vol. 4) e “Center Of The Sun”. O vocal de Christian Peters não é exatamente dos melhores, limitando um pouco as melodias e a possibilidade de explorar outras atmosferas. Por vezes o timbre excessivamente abafado – e às vezes mal gravado – das guitarras, atrapalha. Riffs variam do comum ao levemente inspirado. Falhas normais numa banda iniciante.

Mas o trabalho dos instrumentos é bom, entregando boas jams, como na metade de “Center Of The Sun” e diversos outros momentos. O Samsara Blues Experiment pega o lado mais “light” do stoner rock (se é que pode existir isso aqui), o que se explica por suas influências de ragga e música indiana. Não aposta tanto no refrão e no peso das guitarras em primeiro plano, caso de bandas como Monster Magnet e Spiritual Beggars.

Quem não se incomoda com composições que primam em “criar seu próprio tempo”, com alta dose de psicodelia como “Double Freedom”, vai se deliciar. Menos urgência e mais imersão. Vale a pena mergulhar na atmosfera pretensiosa desses caras.

Há várias faixas no MySpace. “Feel the difference”, como os próprios anunciam. Boa estreia.

Jornalista investigativo, crítico e escritor. Publico sobre música e cultura desde 2003. Fundei a Movin' Up em 2008. Autor de 3 livros de contos, crônicas e poemas. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística (2019) da Sociedade Interamericana de Imprensa na categoria “Opinião”. Finalista do V Prêmio Petrobras de Jornalismo (2018).

Published in Descobertas Destaques