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Jorge Ben e a nova versão de Umbabarauma

Foto: Twitter

Direto ao ponto: pra mim, Jorge Ben é o maior gênio da música brasileira em todos os tempos. Não vou entrar em miudezas aqui, mas a afirmação, claro, é carregada de sentimento e absolutamente pessoal. Quanto a notícia da nova versão de “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)” estourou no twitter, ontem, por coincidência eu estava ouvindo repetidamente o disco “África Brasil”, de 1976, justamente o que traz na abertura “Umbabarauma”.

E minha fissura pelo disco, especialmente ontem, foi motivada também pela notícia da volta de Zico ao Flamengo, como diretor de futebol, no domingo. “Camisa 10 da Gávea”, homenagem ao Galinho, é uma belíssima faixa também presente em “África Brasil”. Talvez a última obra-prima indiscutível lançada por Jorge Ben (e foram muitas), “África Brasil”, difícil evitar o hiperlativo, é simplesmente um dos maiores tratados de suingue, genialidade, originalidade e beleza que esse país já concebeu. Ouça agora. Nunca é demais.

Faixas “comemorativas” e lançadas em “datas especiais”, como as tradicionais de fim de ano e por aí afora, quase sempre são material forçado e de qualidade duvidosa, dispensável. Aqui não. A regravação de “Umbabarauma” partiu do patrocínio da Nike, que resolveu aproveitar a Copa do Mundo e chamou Mano Brown, o maior nome do rap brasileiro, admirador confesso de Ben (e teria como ser diferente?), e ainda os vocais de Thalma de Freitas, Céu e Anelis Assumpção (o “Negresko Sis”), com instrumental de Pupillo (Nação Zumbi), Duane Martins e Gustavo da Lua. Na produção, outra figura conhecida: Daniel Ganjaman, do Instituto, Zegon (DJ, atual N.A.S.A, ex-Planet Hemp) e Gabriel Ben Menezes.

httpv://www.youtube.com/watch?v=k2Ej6UvAmEU&feature=player_embedded

O resultado é o esperado: o tom levemente moderno, a letra modificada, Ben sempre perfeito e a bela presença dos backing’s femininos com a colaboração rap de Brown. Inevitavelmente, uma das melhores regravações já feitas. E, provável, o melhor momento dessa Copa na África do Sul.

Pra ficar melhor falta só Jorge Ben resolver fazer uma turnê apenas com as faixas “menos conhecidas” da carreira, aquelas que normalmente não são tocadas ao vivo. Não custa sonhar.

O vídeo final:

httpv://www.youtube.com/watch?v=YQOOzvwW2Wk&feature=player_embedded

Jornalista investigativo, crítico e escritor. Publico sobre música e cultura desde 2003. Fundei a Movin' Up em 2008. Autor de 3 livros de contos, crônicas e poemas. Vencedor do Prêmio de Excelência Jornalística (2019) da Sociedade Interamericana de Imprensa na categoria “Opinião”. Finalista do V Prêmio Petrobras de Jornalismo (2018).

Published in Cena BR Destaques